Telefone celular pode causar câncer?

Estudos sugerem que a radiação emitida pelo aparelho pode ser a causadora de tumores

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 07/06/2016 15:50 / atualizado em 07/06/2016 15:48

Fernando Lopes/CB/D.A Press

 

* Por Ricardo Teixeira

 

Nesta última semana tivemos a publicação de um estudo que mostra uma relação causa-efeito inequívoca entre a radiação emitida pelos aparelhos de telefonia celular e alguns tipos de câncer.

O estudo foi realizado com milhares de ratinhos que foram submetidos à radiação comparada à que recebemos do telefone celular por nove horas ao dia, começando no útero materno até o fim da vida. O aparecimento de tumores no cérebro e no coração foi mais comum entre os ratinhos expostos à radiação e de uma forma dose-dependente. Aliás, nenhum dos ratinhos do grupo controle apresentou tais tumores.

A extrapolação desses resultados para o mundo real dos humanos não é imediata, mas o estudo dá uma forte balançada nesse capítulo câncer X celular.

No ano de 2010, foi publicado o estudo multicêntrico INTERPHONE que envolveu mais de cinco mil pacientes com tumores cerebrais de treze diferentes países. Essa pesquisa demonstrou que não havia associação entre o uso do celular e a chance de apresentar tumores cerebrais. Entretanto, os resultados apontaram uma leve tendência de tumores do tipo glioma nos 10% dos indivíduos que mais usavam o celular. Esse foi o tipo de tumor cerebral encontrado no estudo dos ratinhos.

Em 2008, foi publicada uma metanálise, que é um tipo de balanço geral de todos os estudos realizados até então, evidenciando que o uso do celular no longo prazo aumenta o risco de tumores cerebrais (Hardell et al., Int J Oncol 2008). No mesmo ano de 2008, uma série de neurocirurgiões de grande renome mundial passou a se manifestar afirmando que a tarefa de provar definitivamente que o celular causa tumor cerebral é só uma questão de tempo, já que uma lesão dessa natureza precisa de pelo menos dez anos para se desenvolver. Além disso, o jornal oficial da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia em conjunto com outras sociedades de neurocirurgia de nível internacional, conclamou em 2008 a cooperação da sociedade científica com os órgãos governamentais para tirar essa história a limpo, devido à potencial gravidade da situação.

 

Claudio Reis/Esp. CB/D.A Press
 

 

Tanto se reconhece os potenciais riscos à saúde do telefone celular que vários países europeus recomendam restrições ao seu uso. O último documento da Organização Mundial da Saúde sobre o tema foi emitido em 2011 e enfatiza que os estudos ainda estão sendo conduzidos para avaliar os reais riscos no longo prazo, mas vincularam o uso de celulares com um “possível” risco de câncer cerebral em seres humanos.

Se o telefone celular causa tumor cerebral ou não entre os humanos, isso ainda é uma pergunta em aberto. Porém, algumas dicas podem ser consideradas:

– não exagere na dose;
– deixar o celular longe do corpo sempre que possível;
– o uso de fone de ouvido com microfone que permite uma certa distância do aparelho do corpo não é uma má ideia.

** tem uma coisa que o mundo inteiro já sabe e não há qualquer polêmica: dirigir usando o celular é tão arriscado quanto dirigir embriagado. Pesquisas mostram que até 30% dos acidentes de carro são decorrentes do uso do celular.

 

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília e professor de pós-graduação em divulgação científica e cultural na Unicamp.

 

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.