Entrevista

Estilo atemporal

Ela diz que anda na "contramão da moda, do que as pessoas querem, do que a imprensa quer". Conheça a estilista mineira Sônia Pinto, que caiu no gosto de mulheres modernas

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postado em 06/07/2016 08:00 / atualizado em 30/06/2016 18:02

 Zuleika de Souza/CB/D.A Press
 

 

Apesar do calor ameno na capital, é fim de tarde e o sol brilha forte. Mas nada disso tira o aspecto fresco e confortável da estilista mineira Sônia Pinto, que aparece na porta do salão Helio Diff, no Lago Sul, onde expôs suas peças, por uma semana, em uma pop-up store. Ela trajava um longo vestido negro de mangas compridas. O modelo escolhido tinha uma estrutura que projetava o quadril de forma unilateral, se estendendo da altura do quadril direito à barra, com um detalhe de tule que mais parecia um forro que, propositalmente, escapava do avesso do tecido. Compondo o look assinado por ela, e com uma dose extra de dramaticidade, exibia nos pés os não menos impactantes creepers de couro. Nas mãos, além de grandes anéis, trazia um maço de cigarros, um isqueiro e o celular. Muito simpática, depositou seus pertences sobre um banco próximo, e, sem muita cerimônia, cumprimentou a todos em volta, colocando-se à disposição para as fotos.

 

Por que a escolha desse modelo itinerante de vendas?

 

A situação atual do país não está das melhores. O país está parado, esperando que alguma coisa nova aconteça, e nada acontece. E a gente não pode ficar esperando. Então, tem que se reinventar. Cada um que use sua imaginação e criatividade para sobreviver. É uma estratégia de business. A minha roupa é uma roupa mais sofisticada, atemporal, para uma mulher bem resolvida, independente; que já tem uma autonomia, tanto financeira quanto pessoal. Sei que esse público existe. Eu já tenho uma loja maravilhosa em São Paulo e outra em Belo Horizonte; então, a gente decidiu buscar essa mulher aqui também.

 

O que os clientes podem esperar das suas peças?

 

Uma roupa de qualidade, sofisticada, única. Faço três ou quatro coleções durante o ano. Não tenho uma estação específica. Eu, por exemplo, apresentei uma coleção no Minas Trend, em 4 de abril, e já fiz outra coleção depois desse desfile. Estou sempre renovando, então, a cliente vai sempre encontrar um produto especial.

 

 Zuleika de Souza/CB/D.A Press
 

 

A regularidade das coleções segue um ritmo pessoal seu?

 

Vou sentindo o mercado e o público. Assim, vou trabalhando.

 

Tem algum produto ou experiência que o consumidor encontra na pop-up, mas não em suas lojas fixas?

 

Ele encontra tudo o que poderia encontrar na loja fixa. A gente traz toda a estrutura de atendimento, de qualidade, das coleções… Ele é atendido da mesma forma que seria se estivesse na loja em São Paulo ou em Belo Horizonte. Estivemos duas semanas atrás no Rio de Janeiro e foi espetacular. Tenho uma turma de seguidoras, além de sempre fazer novas amizades, porque o nosso atendimento não é só profissional. É um atendimento que vai além disso: é um estreitamento de relação com o ser humano. A minha responsabilidade é levar beleza para a vida das pessoas, em todos os sentidos. Eu cuido para que isso seja bem verdadeiro.

 

Fale um pouco sobre a sua aproximação com a performer Marina Abramovic e com a atriz Vera Holtz.

 

Todas as minhas clientes são especiais. Com a Marina, foi um encontro de almas muito bonito. Eu estive com ela no ano passado, quando veio fazer uma exposição no Sesc Pompeia. Quando ela voltou, recentemente, para lançar o documentário dela, foi direto para a loja. A gente criou uma amizade muito verdadeira, um respeito muito grande. Sobre a minha roupa, ela disse que "tem espaço para a alma". A Vera Holtz é uma amiga bem próxima. Ela adora o meu trabalho, adora roupa. Em todos os lançamentos ela vai; nas novelas que faz, eu a visto. Também é uma relação de afeto.

 

Você trouxe também uma coleção masculina, certo?

 

Trouxe uma pequena parte da coleção masculina. Ainda estou sentindo o mercado masculino, que é bem mais difícil do que o feminino. Já fiz, há alguns anos, um masculino que era bem mais complicado de vender. Hoje, o homem está mais vaidoso, mais preocupado com a estética. Acho bem bonita e bem bacana essa coisa de uma moda que não tem muito sexo, mas essa não é a preocupação principal. Até agora, é um complemento que adoro. Tenho três filhos homens e os visto desde crianças. Sempre fiz roupas para eles. Então, é um prazer fazer roupa masculina.

 

Como foi a participação no Minas Trend?

 

Foi um grande desafio. Eu nunca estive em grandes desfiles ou grandes feiras. Sempre expus em eventos mais particulares porque ando na contramão da moda, do que as pessoas querem, do que a imprensa quer. Hoje, o ser humano está massificado, está tudo muito igual, e detesto as coisas iguais. Acho que fazemos parte de um todo, mas somos um. Cada ser humano é único. Acredito nessa audácia, na coragem das pessoas de serem únicas, de serem elas mesmas, de terem mais identidade.

 

 Zuleika de Souza/CB/D.A Press
 

 

E quem são os seus referenciais na indústria da moda?

 

Os japoneses: Yohji Yamamoto, Issey Miyake, Comme Des Garçons... Já fui 22 vezes ao Japão. A primeira vez foi em 1983, e fiquei encantada com a maneira de ser do japonês. Um pessoal supereducado, civilizado. Absolutamente diferente, porque eles criam o seu próprio estilo. Eles têm uma individualidade arraigada. Tive a certeza de que a minha alma era daquele lugar.

 

E agora? Onde os brasilienses podem comprar Sônia Pinto?

 

Só nas lojas, em São Paulo ou Belo Horizonte. Estamos montando uma plataforma de venda on-line, mas só com a roupa mais básica. Toda a estrutura já está preparada, falta só o material para entrar no ar.

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