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Brasilienses inspirados criam na capital e conquistam o Brasil

Elaboramos um guia para apresentar marcas de produtos feitos por gente da cidade. A ideia é encontrar logo ali algo diferenciado de todo mundo

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postado em 21/08/2016 08:00 / atualizado em 19/08/2016 18:47

Luis Xavier de França/Esp. CB/D.A Press


Projetos individuais exerceram um papel social importante na capital: estimularam a origem de pequenas marcas independentes na cidade e incentivaram jovens a colocar a mão na massa e produzir artigos estilosos com a cara de Brasília. Eventos culturais, feiras, lojas colaborativas e sites são alguns dos meios que esses pequenos empresários — mas grandes artistas, designers e estilistas — encontraram para vender o que inventam.

Quando abriu a primeira loja colaborativa da capital, a Endossa, em 2012, Victor Parucker penou. O futuro dela dependia de criadores independentes ,interessados em vender suas peças no local recém-aberto. A loja funciona no esquema de caixas. Pequenas marcas as alugam para expor e negociar seus produtos. Todo o resto, como aluguel do lugar e contratação de vendedores, é de responsabilidade da loja. Mas a capital era carente de designers e de novas assinaturas. "A produção local era muito fraca e isso respingou no sucesso da loja", relata Victor. No primeiro ano, ele chegou a pensar que o empreendimento não vingaria.

Filho de empresários, ele também sempre quis investir em um negócio próprio. Conheceu a filial em Curitiba e decidiu trazê-la para cá. "Era uma forma de eu realizar meu sonho e também de estimular os brasilienses a terem suas próprias marcas", conta. Para ele, a gente daqui é muito impelida a fazer concurso público e acaba limitando as possibilidades de se aventurar por outros caminhos. "Até meus pais falavam que eu deveria prestar", conta.

Também em 2012, surgia o PicNik. A primeira edição foi em 21 de abril de 2012, no aniversário da cidade. As primeiras edições eram voltadas para a venda e troca de coisas usadas. Bastaram mais duas edições, porém, para o evento começar a focar em produtos de origem brasiliense em vez de peças de brechó. A partir daí, passou a representar mais um grande suporte e um incentivo aos poucos designers e estilistas da capital. Com uma curadoria precisa, os fundadores do evento, Julia Hormann, Miguel Galvão e Carol Monteiro, queriam fortalecer a autoestima dos artistas e da cidade em si. Em 2013, o PicNik passou a ter até patrocínio.

E não parou mais: começaram a pipocar iniciativas de criação de produtos, marcas e lojas colaborativas, cada uma com sua identidade e características. Na Endossa, cerca de 60% dos produtos são "made in Brasília" e o resto vem de fora. A seleção das marcas que ficam, ou não, é feita pelos consumidores: se não atingir a meta de vendas, está fora. Além disso, as grifes ficam separadas em caixinhas, sem interação umas com as outras.

A seleção prévia de artigos locais também era regra nas lojas temporárias Natural de Brasília e Cria, ambas no Liberty Mall. A primeira fechou há duas semanas e a Cria deveria ter encerrado suas atividades depois do Natal de 2015. A iniciativa de Eunice Pinheiro, em parceria com um grupo de amigos, tinha propósito bem definido: "Era um espaço para que os criadores de Brasília tenham onde expor. Queremos fortalecer o movimento de design e moda local". No futuro, Eunice prevê que os artistas se unam para desenvolver produtos com a marca Cria.
 
DANE-SE 
Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Daniel Moreira, engenheiro, e Enozor Jr., administrador, criaram a marca de roupas masculinas, em fevereiro do ano passado. Daniel estava insatisfeito com a profissão e Enozor já tinha o aprendizado do curso superior e a experiência com negócios. Os dois perceberam a mesma insatisfação com o mercado de roupas masculinas: consideravam os tamanhos desproporcionais. "As grades aumentavam na largura, mas não o comprimento. Como sou alto e magro, então, não adiantava", exemplifica Daniel. Eles, então, criaram um corte específico para a Dane-se: mais seco do que o padrão e um pouco mais comprido. A marca também preza pelo conforto, portanto, tem calças de moletom estilosas, mas sem cara de pijama. O pequeno bolso estampado no peito é uma das identidades da grife. Na última coleção, usaram cores mais fortes, como vermelho e amarelo, pela primeira vez. Aos poucos, a Dane-se está apostando em uma ou outra peça feminina.


Onde achar: A marca tem seu próprio espaço, uma loja na SQN 102.

 

Sto Samba

Sto. Samba/Divulgação
"Uma marca para promover a cultura brasileira." É assim que Marcos Carolino e seu irmão gêmeo, Renato Gurgel, definem a Sto. Samba, que desenham t-shirts. Eles são publicitários e designers, e Renato ainda é compositor. Tanto talento somado garante ótimas ilustrações e frases inusitadas nas camisetas. O samba fez 100 anos esse ano e a marca fez questão de criar uma peça comemorativa. As etiquetas levam uma frase de João Nogueira, que diz que o samba mata a tristeza. Mas eles garantem: "Não precisa ser sambista para usar Sto. Samba. Basta só gostar de referências bem brasileiras", avisa Marcos.

Onde achar: Por enquanto, a comercialização é feita pelo site da marca e em feiras na capital. Eles vendem para fora de Brasília também.

 

 

 

 

Gabriela Bilá

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
A arquiteta Gabriela Bílá é autora do Novo guia de Brasília. Ele mostra a capital de maneira inusitada e com um design bem diferente. Você pode descobrir onde encontrar certas frutas na cidade, os tipos de pilotis existentes. Tudo com um design criativo. O guia foi financiado com uma campanha do Catarse, na qual arrecadou o dobro do dinheiro necessário. Mas Gabriela não parou por aí. Paralelamente ao seu trabalho com instalações interativas, ela continua criando produtos descolados: vestidos e lenços com estampas inspiradas em aspectos da capital, quebra-cabeças de monumentos da cidade e muito mais.

Onde achar: Na página do Facebook e em algumas bancas da cidade.

 

 

 

 

 

 

 

Fulanitas de Tal Retrô

Gabriela Studart/Esp. CB/D.A Press

A marca tem personalidade e era justamente o que Eunice Pinheiro desejava. "Eu queria produzir alguma coisa diferente. Sempre gostei muito de sapato retrô e não encontrava", conta. Foi quando, há cinco anos, decidiu desenhar sandálias, sapatilhas, botas e, agora, até sapatos masculinos. Há menos de um ano e meio, a ex-servidora do Senado Federal largou o emprego público para se dedicar apenas à criação e à venda dos sapatos. "Em Brasília, todo mundo quer ser servidor público, mas pode ser muito chato. Era meu caso", relata.

Onde achar: As peças podem ser compradas na loja, localizada no Liberty Mall, ou pela internet.

 

 

Laletá

Laletá/Divulgação
Thaisa Barros, 27, é sobrinha de Letícia Brasileiro, 56. Há três anos, elas também são sócias. Letícia é artista plástica já não estava mais satisfeita com o trabalho de designer gráfico. Enquanto isso, Thaisa Barros se formava em moda. As duas resolveram se juntar para abrir a própria marca: a Laletá. O forte das roupas da marca são as estampas, todas inspiradas em Brasília, às vezes, de forma mais literal e outras menos. Para deixar que elas se destaquem, as modelagens são mais minimalistas, sem drapeados e não muito justas.

Onde achar: Thaisa e Letícia têm um ateliê na SQS 508, onde confeccionam as peças e recebem clientes. As vendas são feitas também pelo site da marca e em eventos da cidade.

 

 

 

Porcelanas de Célia Estrela

Zuleika de Souza/CB/D.A Press

 

Pioneira em uma cidade em que as pessoas eram pouco estimuladas a empreender, Célia Estrela vive há 30 anos de vender sua arte. Entre os clientes, muitos diplomatas e arquitetos. Em casa, na SQS 303, ela mantém seu ateliê e recebe compradores. Usa prato importados, ouro, mas também materiais mais baratos. Tudo é feito à mão com característica própria. Uma das identidades das peças de Célia é o fato das porcelanas adquirirem um aspecto de cerâmica. "Eu levo duas ou três vezes ao forno com o branco antes, o que garante um aspecto diferente", explica. O principal meio de divulgação de seu trabalho é o Instagram.

Onde comprar: No ateliê da artista.

 

Thaís Fread Design

 

Thaís Fread/Divulgação
Thaís Fread, 38 anos, cantora e designer, começou a produzir acessórios há sete anos, no Rio de Janeiro. Foi, no entanto, só em 2010, que ela começou a usar o vidro para dar identidade própria ao trabalho dela. As peças modernas são feitas com pastilhas do material usadas em construção. Ela nunca fez curso de design, e os colares, anéis e brincos eram só uma forma de incrementar a renda mensal de cantora. Mas, a situação se inverteu e, hoje, é a música que é somada ao orçamento.

Onde achar:
As vendas são feitas na Endossa da Asa Sul e em feiras que priorizam trabalhos autorais como o dela. Recentemente, Thaís também abriu seu próprio ateliê, na SQS 707, onde confecciona os acessórios e recebe clientes. Uma das formas de divulgação do trabalho dela é por meio do Instagram.

 

 

Lace it 

Lace it/Divulgação
Em 24 de julho, a marca completou um ano. Mas o trabalho começou antes. Para abri-la, Luísa Peleja, 25, e Isadora Tupinambá, 26, passaram um ano estudando e elaborando o conceito da Lace it. "Sempre adorei lingerie, mas, ironicamente, a primeira coisa que eu queria fazer quando chegava em casa era tirar o sutiã", diz Luísa. As duas decidiram, então, que criariam calcinhas e sutiãs confortáveis, sem arame, sem bojo e sem fecho para valorizar a beleza natural de cada mulher e para incentivá-las a se aceitar, seja com peito pequeno, seja grande. As peças são todas de renda, o que faz com que, não só o conforto seja um diferencial, mas também o visual delas. A dupla de sócias defende, inclusive, que um sutiã pode ficar à mostra e até ser protagonista em uma produção. ç

Onde achar: As vendas são feitas pela internet e, uma vez por mês, elas participam de eventos em parceria com outras marcas.

 

Pau-Brasília

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

 

A marca existe há três anos e é fruto de um trabalho de faculdade. No início, a única matéria-prima usada nos brincos, colares e pulseiras era a madeira, mas Bia Saffi procurava fugir do esterótipo do material e foi muito bem-sucedida. As formas dos acessórios são inspirados em monumentos e também nos detalhes do cotidiano da capital. Atualmente, a designer inclui também outros materiais no seu trabalho, como miçangas, corda e pedras.

Onde achar: As peças são encontradas no site da marca, na Endossa e em feiras da cidade.

 

Quod

Zuleika de Souza/CB/D.A Press

 

Helena Trindade estava fazendo um mestrado em arquitetura em Oxford, na Inglaterra, e, como resultado, tinha vários retalhos de MDF sem uso, que seriam jogados fora. Começou a cortá-los a laser e teve a ideia de criar o mapa de sua cidade natal: Brasília. São duas camadas de MDF coladas uma a outra. A de baixo é lisa, e a segunda tem o mapa recortado pela tecnologia. De volta ao Brasil, uma amiga, também arquiteta, a incentivou a criar uma marca de quadros. Surgiu a Quod. Ficaram sócias, variaram as cores dos mapas da capital e desenvolveram os de outras cidades: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Paris, Madri. Cuidadosa com os detalhes, Helena prefere pintar o MDF por conta própria, em vez de comprar pintados: "Fora o branco, todos são muito brilhosos". O que mais demora na criação dos quadros é desenhar o mapa. Helena conta que levou cerca de 15 horas para fazer o da capital da Espanha. Já o processo de cortá-lo é mais rápido.

Onde achar: Por enquanto, as vendas são feitas apenas pela página da marca no Facebook. A arquiteta está negociando colocar as peças também em lojas de museus. A ideia é que os produtos tenham certa exclusividade.

 

Hoy, Ahoy

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
A marca criada por Luiz Corrêa, 27, e Bruna Carone, 24, acaba de completar dois anos de existência. Ele largou o curso de agronomia para começar o de moda e foi nele que os dois se conheceram. A princípio, a Hoy, Ahoy era focada em quimonos para judô, já que Luiz luta desde criança e tinha dificuldade para achar modelos. Com o tempo, a marca ficou mais democrática, atendendo também quem não é adepto da luta. "Nosso público, atualmente, são os adolescentes", afirma Luiz. As estampas são tradicionais, inspiradas em tatuagens old-school, para que não sejam camisetas que saem facilmente da moda. "Priorizamos a qualidade, o preço justo e a sustentabilidade", explica Luiz.

Onde achar: A marca entrega as compras em ecobags. Quase todo fim de semana, a Hoy, Ahoy está em algum evento ou feira.

 

Bia Calza

Zuleika de Souza/CB/D.A Press

Quando se mudou para Brasília, há quatro anos, Bia Calza queria montar a própria casa com bastante personalidade. Mas, tudo que encontrava nas lojas era muito caro ou muito sem graça. Ela comprou uma serra elétrica e colocou a mão na massa, dentro do apartamento mesmo. Os amigos a visitavam, gostavam e acabavam fazendo encomendas. Decidiu entrar no curso de arquitetura para se profissionalizar, fazer cursos diversos e, há cerca de um ano e meio, criou a Möblia. Logo depois, veio o e-commerce da marca, que até exibiu uma campanha na Westwing, famoso clube de compras com foco em casa e decoração. Os móveis feitos por Bia são retrô e descolados: colorido, com estampas (o que não é tão comum em mobiliários). Eventualmente, ela faz outros objetos, como a luminária "Foda-se".

Onde encontrar: No e-commerce www.moblia.com.br

 

Bossa 1960

Zuleika de Souza/CB/D.A Press

 

Fernanda Viana sempre quis empreender. Na adolescência, queria ter uma marca de camisetas, então, customizava as próprias roupas com serigrafia caseira. A Bossa 1960 foi seu trabalho de conclusão de curso de publicidade e, da faculdade, foi para a vida real, há quatro anos. Como o nome deixa óbvio, tem inspiração nos anos 1960: "Considero essa década a mais interessante e revolucionária", opina. A primeira coleção de camisetas criada por Fernanda tinha os rostos de Brigitte Bardot e Marylin Monroe. A marca, hoje, está mais moderna e um pouco menos retrô, mas as referências sessentistas continuam, como listras, preto e branco, minissaia e tubinhos. As camisetas são genderless, o que significa que podem ser usadas por homens e por mulheres. Nelas, inclusive, a t-shirt pode até virar um vestido.

Onde achar: Para facilitar as vendas, Fernanda abriu o showroom Espaço 61, na SQN 309, com mais duas amigas. A própria Espaço 61 acabou se tornando também uma marca de beachwear.

 

Mundo Feltro

Mundo Feltro/Divulgação
Ana Paula Altman trabalha com artesanato há 10 anos, desde que morava em São Paulo e engravidou. Era só um hobby, mas uma amiga encomendou ímãs de geladeira e a incentivou a pegar encomendas para vender. Até então, ela não tinha perspectiva de transformar seu lazer em algo comercial. Começou a variar. Agora, faz objetos de decoração em feltro. Surgia, então, a Mundo Feltro. Quando se mudou para a capital, há quatro anos, conheceu uma loja colaborativa na quadra em que mora. "Eu passava e achava superlegal porque o artesão não tem a oportunidade de ter a própria loja", explica. Colocar os produtos da marca lá impulsionou o negócio de forma que, atualmente, ela tem até uma sócia, a Renata Barros. Além do lucro com os produtos vendidos, a loja funciona também como vitrine do trabalho dela. "Muita gente vê e me liga para encomendar outros produtos, como lembrancinhas de aniversário, de batizado, etc", conta.

Onde achar: As peças de Ana Paula são encontradas na Endossa e na Banca da 308 sul.

 

Miti

Edilson Rodrigues/CB/D.A Press
Natália Miti se formou em design em uma das melhores faculdades do Brasil e voltou à capital para colocar o aprendizado em prática. Enquanto estudava, também teve oportunidade de estagiar em indústrias, o que lhe garantiu ainda mais conhecimento. "Brasília não é forte na produção de moda, então, preferi sair por um tempo", conta. No primeiro ano de formada, ela desenhava bolsas e sapatos para diversas marcas, mas, depois, lançou sua própria marca: a Miti. A ideia nunca foi copiar, o que é feito pela maioria das lojas de sapato brasileiras. "Gosto de ressaltar o desenho autoral. Se fosse pra fazer mais do mesmo, a Miti não precisaria existir", explica. As modelagens dos sapatos da Miti são clássicas para que o sapato não saia de moda, mas com pontos discretos de tendência.

Onde achar: Na loja que fica na SQS 206.

 

Candanguice

Candanguice/Divulgação
Caio Porto é designer e notou que havia uma lacuna no mercado brasiliense. "Viajando por vários lugares, percebi que as cidades eram valorizadas histórica, ambiental e, culturalmente, tudo isso se traduzia em produtos como souvenirs", conta. Resolveu, então, criar a Candanguice, uma marca de lembranças de Brasília não só para turistas, mas para quem mora aqui e ama a cidade. Ele queria fugir do clichê, aquele que vende a frase: "Estive em Brasília e me lembrei de você". A Candanguice já lançou uma marca de cerveja em comemoração ao aniversário da capital, tem camisetas diferentes e criativas, bordados patches para aplicar em mochilas e jaquetas, além de bonecos de personalidades da cidade, como o do poeta Nicolas Behr, que já está à venda. Em breve, Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer também estarão disponíveis. "Todo produto é elaborado baseado em uma pesquisa profunda", garante Porto.

Onde achar: É possível encontrá-los na Banca da 308 sul e em feiras da cidade, quando, em vez de em estandes, a Candanguice expõe as peças numa Volkswagen Brasília toda adesivada.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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