ENTREVISTA

O arquiteto Jader Almeida define Brasília como "berço do Modernismo"

Em entrevista, ele contou ainda sobre seu primeiro contato com o mundo do design e a experiência de vivenciar o aprendizado na prática

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postado em 05/10/2016 11:46 / atualizado em 05/10/2016 12:18

Em Brasília, para a inauguração de seu primeiro espaço na capital, o arquiteto e designer catarinense Jader Almeida, conversou com a Revista sobre suas inspirações e o sentimento que tem pela cidade-obra de Niemeyer, Lúcio Costa e Juscelino Kubitschek.


Sollos/Divulgação
O primeiro contato de Jader com o design propriamente dito aconteceu aos 16 anos. Ele começou a trabalhar com mobiliário, o que abriu outras portas. “Aos 18, 19 anos eu já era atuante nas profissões de desenhista técnico e designer, desde cedo estava dentro do processo”, contou.

 

Jader se formou dez anos após o primeiro contato com a vocação. Dividindo seu tempo entre estudo e prática, vivenciava o que era ensinado em sala de aula. Ao estudar grandes obras arquitetônicas romanas e gregas, por exemplo, trazia um olhar diferente: viajando a trabalho, Jader já tinha visto ao vivo o que era analisado nos livros. “Apesar de ter demorado para me formar, essa experiência foi muito mais rica para mim”, acredita.

 

O bate-papo aconteceu no show-room da loja Hill House, no Casa Park, onde o arquiteto tem 440 metros quadrados com suas peças e ambientes.

 

Quando você descobriu que queria ser arquiteto e designer?

Quando somos crianças e adolescentes tem aquela pergunta muito recorrente, “o que tu queres ser quando crescer?” e, enquanto os outros diziam que queriam ser médicos, bombeiros, astronautas, jogadores de futebol e coisas assim, eu sempre oscilava entre ser engenheiro, estilista, desenhista. Queria algo, como profissão, ligado ao desenho. Mais tarde, eu descobri o que era arquitetura e isso passou a fazer parte do meu repertório, até porque a profissão de designer é muito recente no nosso contexto. Foi somente na adolescência, a partir de cursos técnicos de desenho, que descobri o que era o design como um todo. A minha formação foi em arquitetura justamente por abranger uma área maior e me ajudar a compreender o design de forma mais completa, desde os materiais até os sistemas de cidades e moradas.

 

Sollos/Divulgação
 

 

Qual sua leitura sobre o mercado brasileiro na área?

Acho que, de uma forma geral, as pessoas estão tendo mais acesso ao conhecimento e tendem a procurar produtos de melhor qualidade. Isso se reflete no design. Acredito que o mercado é bem favorável porque ainda tem muito a se explorar. Temos uma estrada promissora, pois ainda não temos cultura muito arraigada no mundo do design. Estamos criando essas referências e temos campo para crescer, além de recursos.

 

Por que você escolheu Brasília para criar um espaço?

Por vários motivos. É uma capital que tem pessoas de todo o mundo, que tem uma cultura muito forte nesse movimento. É uma das cidades fundamentais para qualquer marca, estar aqui é um prestígio e faz parte também de uma estratégia.

 

Como é sua relação com a cidade?

Ela é muito focada no lado profissional. Brasília é um destino da arquitetura internacional. Qualquer país em que se fala de arquitetura ou modernismo, Brasília é pauta. É um símbolo internacional e, do meu ponto de vista, é o berço do Modernismo. É um marco e um fato inédito no mundo, uma cidade saída do zero e toda dentro de um molde.

 

Sollos/Divulgação
Como você define seu estilo?

Gosto de dizer que é um estilo silencioso. O produto deve ser silencioso, algo que cumpre sua função sem agredir, sem se tornar o protagonista. Ele acompanha as pessoas e envelhece com dignidade. Não gosto de dizer que sigo determinada corrente de pensamento, por isso gosto de definir nessas minhas palavras.

 

Como é ser reconhecido internacionalmente?

Temos grandes mestres brasileiros desde a metade do século passado, quando surge uma conversa sobre o tema, sempre são citados nomes como Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, que ainda está atuando, Sérgio Rodrigues, Lina Bo Bardi e Jorge Zalszupin, por exemplo. Nós já temos uma escola, um caminho trilhado por grandes mestres e temos a responsabilidade de continuar esse legado, esse trabalho tão reconhecido. Nesse contexto, ter uma reverberação internacional traz um orgulho, principalmente por termos tantas barreiras a transpor. Quando conseguimos chegar em determinados locais, a sensação de tarefa cumprida e de estar entre as melhores marcas internacionais é muito satisfatória.

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