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CRÔNICA DA CIDADE

A revolução dos bichos está a caminho

As pessoas parecem estar mais preocupadas com o tratamento dispensado aos animais

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postado em 29/10/2016 18:10 / atualizado em 29/10/2016 18:18

Gustavo Falleiros

Aelbert Cuyp River Landscape with Cows
Os tempos estão mudando — e não estou me referindo ao Nobel de Literatura oferecido a Bob Dylan. Este mês foi pródigo em pequenas notícias que apontam para uma abordagem mais esclarecida do sofrimento animal. Calma, já explico. Vamos começar pela novidade menos comentada e que foi divulgada como uma nota de negócios: uma das gigantes do mercado de fast-food anunciou que, a partir de 2025, comprará exclusivamente ovos de granjas que não usam gaiolas. Trata-se de uma decisão válida não apenas para o Brasil, mas para as Américas.

Parece distante o ano de 2025 e você pode nem gostar de omelete, mas esse aceno aos consumidores é reflexo de uma batalha já travada na Europa. As gaiolas foram banidas no continente em 2012. No ano seguinte, o mesmo ocorreu com as baias de confinamento para suínos. Ambas medidas fazem parte de uma espécie de “termo de ajustamento de conduta” imposto aos países-membros da União Europeia. A legislação pelo bem-estar de animais criados para abate foi implantada primeiro na Grã-Bretanha — as diversas escaramuças envolvendo o tema foram resumidas por Peter Singer no livro-manifesto Libertação animal, publicado em 1975 e periodicamente atualizado.

Cedo ou tarde, essas discussões chegam ao nosso quintal. Recentemente, uma marca famosa de embutidos confirmou uma parceria com o badalado chef britânico Jamie Oliver. O objetivo? Adaptar 183 aviários de Goiás para se tornarem modelo de bem-estar animal. O projeto prevê lotação reduzida, instalação de sensores para medir a temperatura ambiente e construção de camas de areia para as aves. Além disso, eles se comprometeram a não usar antibióticos no trato das galináceas.

Também em nosso quintal foram as manifestações em favor da vaquejada como prática desportiva, que ocuparam a Esplanada dos Ministérios na quarta-feira passada. Estavam na contramão, por assim dizer. O STF julgou a questão no início do mês e, por um placar de 6 x 5, declarou a inconstitucionalidade de lei que amparava essa tradição no Ceará. Com base em quê? Mais uma vez, no bem-estar animal. “Inexiste a mínima possibilidade de o boi não sofrer violência física e mental quando submetido a esse tratamento”, diz o voto do relator, o ministro Marco Aurélio.

O zeitgeist não me deixa mentir. Na terça-feira passada, foi a vez de o New York Times entrar na briga pelo “urso polar mais triste do mundo”. O jornal apurou essa história, que circulava há tempos na internet, e realmente encontrou evidências de maus-tratos. O urso Pizza vive em um aquário instalado em um shopping chinês, que exibe outros bichos selvagens como entretenimento. Pizza, porém, parece estar sempre chorando e, por isso, suas imagens viralizaram na internet. Uma petição para fechar o local já conta com mais de 500 mil assinaturas, informa o site da BBC. O episódio sugere que as pessoas estão mais preocupadas com o tratamento dispensado aos bichos. O vento de uma revolução pode estar soprando...

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