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Glossário top de 2016

Alguns termos e expressões bombaram no ano que passou. Ligados a campos diferentes do saber humano, algumas trouxeram um pouco de humor a assuntos importantes ou banais, mas sempre muito comentados

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postado em 01/01/2017 08:55

Reprodução da internet
 

 

Dinâmica como só ela sabe ser, a todo momento a internet inventa uma moda nova. Assim como os famigerados memes, os termos e gírias mais falados na rede servem como termômetro para o que aconteceu durante o ano. Além dos termos políticos (poucos saem de 2016 sem saber escrever “impeachment”), este ano foi recheado de migos, crushes, catioríneos e digital influencers. Para quem se perdeu em meio a tanta referência, a Revista preparou um glossário com todos os destaques do dialeto on-line que bombaram nos últimos meses.

Além da internet, algumas instituições também procuram por um verbete que represente o ano. Desenvolvido por uma das universidades mais respeitadas do mundo, o dicionário Oxford é um parâmetro sólido para balizar a quantas anda a produção de palavras ao redor do mundo. Este ano, além de ter adicionado 25 verbetes saídos da internet (veja quadro), o glossário escolheu também uma palavra para resumir 2016: “pós-verdade” (“post-truth”).

Segundo os elaboradores do documento, pós-verdadeiro é tudo o “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. Embora não seja uma palavra 100% nova (remonta aos anos 1990), foi escolhida como a mais importante do ano por conta da eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos e do Brexit (apelido para a saída da Grã-Bretanha da União Europeia). Valendo-se de boatos mal-intencionados e mentiras, as duas campanhas são, de acordo com a instituição norte-americana, dois grandes exemplos de pós-verdades presenciados pela humanidade em 2016.

Os finalistas de Oxford 

Além da palavra do ano, o dicionário norte-americano divulga as palavras que quase foram eleitas. Confira a lista:
Adulting: Prática de se comportar como um adulto responsável, especialmente realizando tarefas triviais, mas necessárias.
Alt-right: Grupo ideológico norte-americano associado a pensamentos conservadores ou reacionários. São contra a política convencional e o uso de veículos on-line para difundir conteúdos polêmicos.
Brexiteer: pessoas favoráveis à saída do Reino Unido da União Europeia.
Chatbot: programa de computador criado para simular conversas com usuários humanos.
Coulrofobia: Medo extremo ou irracional de palhaços.
Glass Cliff (penhasco de vidro): termo criado para definir a ascensão de um membro de um grupo minoritário ao cargo de chefia, mesmo contra todas as circunstâncias.
Hygge: sensação de bem-estar oriundo de situações em que há conforto ou comodidade.
Latinx: termo usado para definir latino-americanos ou pessoas com ascendência latina. É usado com o “x” no final para indicar que o termo serve para qualquer pessoa, independente do gênero.
Woke: Adjetivo usado para se referir a alguém alerta à injustiça na sociedade, especialmente ao racismo.

Lugar certo no dicionário

O nascimento de uma palavra depende de uma só coisa: da necessidade de dar nome a algo. Quem explica é a linguista Ieda Maria Alves, professora titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e experiente pesquisadora na área de linguística com ênfase nos estudos do léxico (em especial, neologia, lexicologia, terminologia e lexicografia). “Uma nova moda, um novo estilo de vida, uma invenção ocasionam sempre a criação de neologismos”, reforça.

A internet é um terreno fértil para a proliferação de novos termos. Ieda Alves explica que os neologismos “virtuais” são, geralmente, efêmeros e refletem “o desejo de o grupo ter uma identidade e diferenciar-se dos demais” — especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Claro que nem sempre as necessidades são tão orgânicas. Em alguns casos, uma palavra nasce de forma “planejada” — seja por conta de uma campanha publicitária, seja fruto do desejo de inovar de um escritor.

Um verbete que sai da Matrix para fazer parte do mundo real precisa passar por diferentes critérios (ou contar com a falta deles, a depender do dicionário). Ainda de acordo com Ieda Alves, a lexicografia contemporânea costuma se utilizar de um corpus — materiais (textos literários, jornalísticos, científicos e de língua falada) que servem de apoio para a extração de novas palavras.

A inclusão, ou não, de algumas palavras depende também, literalmente, do espaço do dicionário. Glossários com dimensões grandes, como o Aurélio e o Houaiss, costumam ter mais verbetes porque são grandes, enquanto minidicionários têm de fazer escolhas. Por fim, Ieda Alves explica que a cultura local tem uma relação próxima com a inserção de novas palavras — uma vez que os falantes de uma língua vão criando palavras de acordo com suas necessidades de nomeação e essa nomeação pode variar de acordo com os grupos sociais. “As palavras estrangeiras, quando adotadas em um idioma, refletem a cultura de origem. Por exemplo, as palavras “jeans” e “fast food” refletem a influência da cultura norte-americana”, completa. 

Uma retrospectiva em palavras

Top/topzera/topíssimo/topper
Usado para definir algo muito bom (mesmo que não seja o melhor exemplar daquela coisa, como a palavra “top” pode sugerir). A gíria é, geralmente, usada pelos “mauricinhos” e “patricinhas” (dois termos que, definitivamente, não são de 2016). Pode também ser associada a palavras no diminutivo — “baladinha top”, por exemplo —, para ressaltar ainda mais a “peculiaridade” do que se está falando. O “top” bombou tanto esse ano que virou até emoji.
Exemplo: “Esse sushizinho é o mais top da cidade. É topzera mesmo!”

Crush
O termo vem do inglês e sua tradução literal é “esmagamento”. Em português, contudo, o verbete não tem nada a ver com acidente — a não ser que esse acidente seja o de se apaixonar por alguém que não corresponde. É que, por aqui, “crush” significa aquela pessoa que você está a fim, mas não teve coragem de se declarar ou que não se animou tanto assim com o romance. Seria o equivalente a ter uma quedinha por alguém.
Exemplo: “Mandei uma mensagem para o crush há uma semana, mas ele ainda não respondeu.”

Boy
Também importado do inglês, esse termo não tem mistério: significa, literalmente, “garoto” ou “rapaz”. É uma forma carinhosa, digamos assim, de tratar o namorado ou o paquera.
Exemplo: “Não posso sair com vocês hoje, já marquei com o boy”.

GRITO/BERRO
Usados assim mesmo, em letras maiúsculas, os termos funcionam como uma interjeição. Geralmente são usados como resposta para algo espantoso, que provocou surpresa ou apenas para demonstrar que o que foi dito foi muito engraçado.
Exemplo: “Você foi assaltada e o crush deu um soco no ladrão? GRITO!”.

Dar close certo/errado

As expressões são usadas para indicar que alguém fez algo certo ou errado. Foram popularizadas pelo público LGBT.
Exemplo: “Donald Trump está sendo acusado de várias frases machistas. Que close errado!”.

Catioríneo, gatíneo, bichíneo
O dialeto “fofíneo” é apenas isso: uma forma de deixar coisas fofas ainda mais fofas.
Exemplo: “Ontem meu catioríneo dormiu a noite inteira na camínea dele.”

Migo/miga
Diminutivo de “amigo” ou “amiga”, o termo está sendo usado como um verbete “de grupo”, mesmo — já que é assim que todo mundo que está na internet está se comunicando agora.
Exemplo: “Miga, vamos naquela balada amanhã?”.

Gratileza
Muito usado pelos neo-hippies da internet, a união entre “gratidão” e “gentileza” é o novo “muito obrigado(a)”.
Exemplo: “O ano de 2016 foi ótimo, gratileza para quem fez parte dele”.


“Isso é muito Black Mirror”
Inspirada pela série de ficção futurista do Netflix, a frase se tornou um bordão na internet. É usada quando se quer destacar que algo é, também, futurista.
Exemplo: “Os aplicativos também dão notas para os usuários? Isso é muito Black Mirror!”.

Política

Coxinha/petralha
Em um ano de intensas mudanças políticas, a divisão de opiniões e a bipolaridade invadiu também as redes sociais. Ambos os termos são pejorativos: enquanto “coxinha” foi um termo cunhado para quem se identifica com a direita, os “petralhas” seriam os esquerdistas.
Exemplo: “A briga entre coxinhas e petralhas 
não faz o menor sentido”.


Impeachment
A palavra não é nova, mas foi muito ouvida em 2016 por conta do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O processo é conduzido pelo Poder Legislativo e define, basicamente, a perda de um mandato por conta de crimes de responsabilidade.
Exemplo: “O processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff aconteceu em agosto de 2016”.

Crise
A triste palavra foi usada inúmeras vezes em 2016, tanto nas redes sociais quanto em manchetes de notícias, para se referir à recessão econômica do Brasil.
Exemplo: “A previsão é de que o Brasil demore um tempo a sair da crise”.

Brexit
A expressão é uma abreviação de Britain Exit, ou “saída britânica”, em tradução livre. O termo se popularizou por conta do plano de saída do Reino Unido da União Europeia (UE).
Exemplo: “Se o Brexit acontecer, o Reino Unido será o primeiro Estado a sair da União Europeia”.

Tecnologia

Trendsetter
Também retirado do inglês, o termo se refere a uma pessoa ou instituição que começa uma nova tendência ou moda.
Exemplo: “Gabriela Pugliesi é uma trendsetter de fitness e lifestyle”.

Digital influencer
Os “influenciadores digitais”, em tradução livre do inglês, são as personalidades da internet com muitos seguidores — logo, conseguem influenciar muita gente. Geralmente são contratados por marcas ou serviços para fazerem posts ou vídeos pagos para divulgação. São os formadores de opinião da era digital.
Exemplo: “Hugo Gloss é um dos principais digital influencers do Brasil”.

Instagrammer
O termo é usado para definir uma das profissões que surgiram graças à internet. Basicamente, o instagrammer é um indivíduo que recebe para viajar e postar fotos — no Instagram, claro.
Exemplo: “Paulo del Valle foi um dos primeiros instagrammers do país”.

Guerra Memeal
O termo é usado para definir um dos períodos históricos mais importantes da internet brasileira: a guerra de memes entre Brasil e Portugal (ou BR x PT). A batalha virtual começou no Twitter em junho deste ano, depois que os portugueses roubaram nosso meme “in brazilian portuguese you don’t say” (ou “em português do Brasil você não diz”). Os brasileiros foram os vencedores e não demorou para os argentinos nos chamarem para a briga também. Felizmente, fomos campeões da Primeira e da Segunda Guerra Memeal.
Exemplo: “Ninguém é páreo para o Brasil quando o assunto é Guerra Memeal”.

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