ENCONTRO COM O CHEF

A cozinha saborosa de um casal de refugiados

Eles deixaram a Síria e, hoje, brindam o brasiliense com delícias da gastronomia árabe

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postado em 08/01/2017 08:00 / atualizado em 06/01/2017 20:37

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
Eles fugiram dos horrores da guerra na Síria. Na bagagem, trouxeram muita disposição para o trabalho e as delícias gastronômicas do mundo árabe. Ammar e Yasmim Abou Nabout chegaram ao Brasil há pouco mais de dois anos e, ao lado dos três filhos, começaram uma nova vida em terras candangas. Nessa nova etapa, a culinária síria tem um papel fundamental. É das panelas de Yasmim que a família tira o sustento e a esperança de dias melhores.

Exímia cozinheira, Yasmim aprendeu os segredos da comida árabe com a mãe. Às sextas-feiras, quando é celebrado o início do fim de semana na sua terra natal, os irmãos de Ammar e suas respectivas famílias costumavam se reunir em torno da mesa farta. Esse não era o ganha-pão dos Abou Nabout, proprietários de uma loja de roupas em Damasco, mas os pratos preparados pela matriarca recebiam elogios. Ao chegar a Brasília, não tiveram dúvida: seria da comida que viveriam.

Há um ano e dois meses, abriram o Damascus, um restaurante árabe na Asa Sul. Yasmim toca, sozinha, a cozinha. Ammar é o garçom, gerente e faz-tudo. Um único funcionário ajuda nos demais afazeres. No cardápio, 10 tipos de shawarma — tradicional sanduíche árabe —, quibes, esfirras, pastas e falafel. “Já nos disseram que fazemos o melhor falafel de Brasília”, gaba-se Ammar. Ele ressalta que, apesar de as receitas basicamente se repetirem em todos os países árabes, o sabor do prato muda de região para região, de acordo com a forma com que eles são feitos.

Yasmim garante que prepara os pratos do restaurante com o mesmo cuidado e carinho com que faz os de casa. O tempero e o modo de executá-los são iguais aos usados nos lares sírios. “Costumamos ter falafel, quibe, esfirra e pastas no nosso dia a dia. Nos restaurantes populares, os trabalhadores, geralmente, comem o shawarma”, explica Ammar sobre os hábitos alimentares do seu país. No início, a grande dificuldade foi conseguir os ingredientes — além de difíceis de achar, costumam ser caros por estas bandas. “Tivemos que pesquisar muito até encontrar os fornecedores certos”, conta Ammar.

Pesquisar, aliás, é uma especialidade do patriarca. Antes de deixar a terra natal, Ammar estudou todas as possibilidades. Conseguiu entrar no Brasil de forma legal, “com o passaporte”, a partir de Beirute. O primeiro destino: Florianópolis. “Li muito, e tudo indicava que essa era a melhor cidade para criar os filhos e abrir um negócio.” Mas não foi bem assim. A família não se adaptou ao Sul e resolveu se arriscar na capital federal.

Aqui, encontraram abrigo e montaram um lar. Ammar e Yasmim ainda têm dificuldade em se comunicar. Os filhos, porém, todos matriculados na escola, falam português com desenvoltura. A mais velha, Sarah, 13 anos, fez o papel de intérprete durante a entrevista. Yara, 11, e Hamza, 7, também estão adaptados ao idioma e aos costumes brasileiros. “Fomos muito bem recebidos no colégio”, garante Sarah.

Os Abou Nabout guardam as tristes lembranças da guerra. Os irmãos de Ammar também buscaram refúgio em outros países. “Um está na Alemanha, outro no Egito e mais um na Jordânia.” Há alguns meses, a família de Yasmim viu a casa onde morava vir abaixo, após ser atingida por uma bomba. “Perdi meu álbum de fotos do casamento e o meu vestido de noiva”, lamenta. Mas celebra o fato de ninguém ter se ferido. “É muito triste ter de deixar a nossa terra, mas estamos muito felizes aqui.”

Serviço 
Restaurante Damascus
Aberto de segunda a sábado, das 12h à 0h 413 Sul, Bloco B
Telefone: 983463702

Falafel
Ingredientes 
1/2kg de grão-de-bico
1 cebola
1 dente de alho
4 talos de coentro
10 talos de salsinha

Modo de fazer 
Deixe o grão-de-bico de molho por 24 horas. Depois, passe em um moedor com a cebola, o alho, o coentro e a salsinha até formar uma pasta. Em seguida, tempere com um pouco de sal, curry, bicarbonato de sódio, pimenta vermelha, páprica doce, cominho, coentro em pó, cebola em pó, alho em pó e gengibre em pó. Misture bem. Forme bolinhos achatados e finos (Yasmim usa um utensílio próprio para moldar o falafel). Após 30 minutos deixando a massa descansar, frite em óleo quente. O tamanho dos bolinhos fará toda a diferença, pois, se forem muito grandes, não ficarão crocantes.


Leia a reportagem completa na edição nº 608 da Revista do Correio.

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