Neurônios em Dia

Pesquisadores analisam diferenças entre sentido na vida e felicidade

Um estudo publicado no Journal of Positive Psychology ajuda a entender melhor a percepção que as pessoas têm dos dois aspectos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 30/01/2017 11:34 / atualizado em 30/01/2017 11:52

Por Ricardo Teixeira* 
 
O psiquiatra austríaco e sobrevivente do Holocausto Viktor Frankl disse: “A vida não deixa de ser suportável por conta das circunstâncias, mas quando ela deixa de fazer sentido”.
 
Editora FTD/Reprodução
Para a maioria das pessoas, ser feliz e ter uma vida com significado são dois objetivos importantes e também correlacionados. Percepção de felicidade e de sentido na vida às vezes não andam juntas e um estudo publicado no Journal of Positive Psychology ajuda a entender melhor essa questão.
 
A pesquisa entrevistou quase 400 pessoas sobre o quanto se sentiam felizes, o quanto estavam satisfeitos com o curso de suas vidas e também sobre seus hábitos de vida.  A percepção de felicidade estava associada a uma vida sem problemas, prazerosa, com boa saúde. Esses fatores não tinham relação com o senso de sentido na vida.  Convívio com amigos e ter dinheiro para as necessidades e desejos tinham boa relação com a percepção de felicidade, mas faziam pouca diferença no sentido na vida.  Por outro lado, o tempo ao lado do companheiro ou companheira fazia diferença.
 
Outro estudo, realizado em diferentes países, mostrou que nos países ricos as pessoas tendem a ser mais felizes, mas não vêem mais sentido na vida.  Na verdade, as pessoas de países mais pobres enxergam mais sentido na vida.  Isso pode estar associado a uma maior religiosidade e maiores conexões sócias entre os moradores desses países.  Ao invés de dizer que dinheiro não compra felicidade, talvez seja melhor dizer que dinheiro não compra sentido na vida.
 
Muitas das coisas que fazemos no dia a dia não aumentam nossa percepção do quanto nos sentimos felizes, mas podem nos fazer sentir nossas vidas com mais sentido.  Atividades que exigem esforço e sacrifício costumam alimentar nossa percepção de sentido na vida.
 
E então? Vai querer ser só feliz?
 
*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília e professor de pós-graduação em divulgação científica e cultural na Unicamp. 
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.