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Conheça os prazeres proporcionados pelas viagens feitas de carro ou moto

Viajar de carro ou de moto pode não ser a opção mais óbvia e prática, mas os adeptos desse tipo de passeio garantem: a possibilidade de escolher o ritmo e as descobertas do caminho são inigualáveis

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postado em 05/02/2017 08:00 / atualizado em 03/02/2017 18:49

Por Vitor Sales* 
 
Brasília está no coração do país, ou seja, no meio do caminho para qualquer lugar que você desejar ir em terras tupiniquins. Algumas estradas brasileiras foram modernizadas e, hoje, contam com uma sofisticada rede de postos de gasolina, hotéis e pistas novas nos trechos pedagiados. Então, arrume as malas e marque a revisão do carro (ou da moto) para amanhã e aproveite as belezas que margeiam as vias brasileiras. Para ajudá-lo a escolher o destino certo, a Revista do Correio foi atrás de quem entende do assunto.
 

Namoro na estrada


Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Pista vazia, vento no rosto e verde do campo, esse é o cenário perfeito para uma viagem a dois. O casal Alcides Ribeiro, 49 anos, e Fabiane Dias, 39, adora a estrada e não troca o ronco da motocicleta por nada. “Eu prefiro sempre a moto. A gente não conversa muito durante o percurso, porém, esse é um bom momento para aproveitar o silêncio e admirar as paisagens. Recomendo essa experiência para todos”, indica a bancária.

O casal está junto há 11 anos, tempo necessário para ter confiança na condução. “Eu tenho moto desde os meus 19 anos. Lembro até do modelo: era uma XL 125, hoje, nem existe mais. Nesse tempo de casados, viajamos sempre. Às vezes, decidimos de surpresa uma viagem — a gente só vai!”, conta o servidor público aposentado.

A dupla já viajou para lugares como Cabo Frio, Maceió, Porto Seguro, Ilhéus, Salvador e Mato Grosso, mas recomenda aos motociclistas conhecerem bem os trechos de serra. O percurso preferido do casal é entre a cidade do Rio de Janeiro e Petrópolis. O trajeto, rico em Mata Atlântica e história, é conhecido por ser o preferido da aristocracia brasileira no século 19.

Alcides e Fabiane fazem parte do motoclube Os Lobos, que dá suporte para as aventuras. “Cada motoclube tem um perfil. O nosso é formado por casais e, como costuma ser, é preciso ser convidado para participar. Os Lobos têm sede em Formosa e filiais em duas outras cidades”, conta o morador do Grande Colorado.

A moto escolhida pelo casal foi a Big Trail, um modelo específico para percorrer longas distâncias. “Pesquisamos muito antes de comprar e, definitivamente, é a melhor opção. Ela tem uma ótima estabilidade e se dá bem com qualquer chão. Inclusive, acho mais seguro ultrapassar com ela. Carros são grandes e têm pontos cegos perigosos, a moto me dá uma visão privilegiada e permite que o piloto se encaixe em qualquer lugar”, conta Alcides.

A maior preocupação de Fabiane é a segurança. “Equipamento de primeiros socorros, luvas, botas, capacete e jaqueta são essenciais. Quando chove, você sente como se estivesse caindo pedras sobre o seu corpo. Viajar em grupo é outra garantia de que toda ajuda está próxima. Normalmente, percorremos os trajetos em duplas”, afirma.
 
 

Em terra firme


Foi por medo de avião que João Batista Silva, 51 anos, resolveu parar de voar e adotar a estrada como companheira de viagem. “Em 1986, estava viajando de Brasília para Uberaba. Na chegada, o trem de pouso não abriu e nós tivemos que aterrissar de barriga. Uma das asas bateu no chão e a outra foi lançada para cima. Nessa época, eu tinha 19 anos, nunca mais quis voar. Já tentei terapia, mas não funcionou”, relata.

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
João encontrou em sua esposa, Maria Alzemira, 51, a parceira perfeita para aventuras rodoviárias. Desde que se casaram, há 30 anos, percorrem o país de cabo a rabo. Tudo começou com um Fusca 66, mas o simpático carrinho não deu conta da fome de asfalto e, hoje, os dois desfilam em um sedã especialmente equipado para aguentar toda sorte de imprevistos.

“O mais importante é a segurança. Fazemos a revisão sempre. Além do carro regulado, é importante atenção no volante. Sempre damos preferência para viajar durante o dia. Revezar na condução é outro ponto — motorista cansado é perigoso. A gente planeja de antemão os lugares em que vamos dormir”, detalha a servidora pública aposentada. Maria é também responsável por controlar a impulsividade do marido, que se diz “fominha” ao volante e gosta de dirigir à noite.

O casal adora praia e, por muito tempo, limitou-se a conhecer o litoral nordestino. Após muita relutância, desbravaram Santa Catarina. Resultado: paixão à primeira vista. “Este ano, vamos pela 14ª vez visitar a costa catarinense. Gostamos tanto que compramos um apartamento por lá. As paisagens das estradas são lindas, têm muitos rios, cachoeiras e túneis que cortam serras bem verdes”, conta João.

Apesar das belezas naturais encontradas na BR-101, que leva ao Sul do país, é necessário ter cautela. Trechos que passam pelo estado de São Paulo, como o que atravessa o município de Embu das Artes, são perigosos e devem ser percorridos preferencialmente durante o dia. “Nessa região, há muitas favelas e assaltos são frequentes, passar por lá durante a noite não é uma opção sensata”, alerta Maria.
 

Dicas


Rotas secundárias

Autoestradas podem até ser mais rápidas, mas você perde muito com elas. Se possível (dependendo do tempo e do terreno), opte por estradas menos procuradas. Você vai ver muito mais pelo caminho, conhecer os moradores e aventurar-se por trajetos nunca imaginados.

Google Maps

Insira seu destino inicial e final e tenha uma ideia do tempo total de viagem. Ajuste a rota e veja os diferentes caminhos para chegar e quanto tempo cada um levaria. Tenha uma noção da rota básica para seguir, mas não precisa ser nada engessado. É bom deixar espaço para desvios inesperados e decisões espontâneas.

Carro

O tipo de carro você precisa depende do seu destino, do tipo de viagem e de quantas pessoas estarão na road trip. Pense na necessidade , ou não, de ter um veículo com tração nas quatro rodas, por exemplo, ou se seria ideal estar a bordo de um conversível. O importante é reservar com antecedência, optar por quilometragem ilimitada e não esquecer do seguro.

Música

Música e estrada são um par perfeito. Como sobra tempo para ouvir música no caminho, garanta uma boa playlist no smartphone (e não esqueça do cabo USB). Também vale a pena, de vez em quando, checar as rádios locais para ter a chance de ouvir música que geralmente não se ouve em casa.

Coma e durma como os locais

Dê uma chance à comida local. Afinal, poderá ser a única chance de prová-la. O mesmo vale para a acomodação: claro que é sempre tentador ficar naquele novo resort badalado, mas por que não experimentar uma pensão?

Bolsa térmica

Às vezes, fica difícil calcular quando será a próxima parada. A dica é preparar uma bolsa térmica e guardar bebidas e petiscos em caso de a fome apertar.

Acampar

Dependendo do orçamento, talvez acampar seja uma boa pedida. É barato, fácil e uma ótima maneira de conhecer gente nova. Se você estiver em um carro grande ou uma van, dá até para dormir dentro do carro.

Mantenha-se off-line

Sim, o Google Maps é ótimo, mas nunca despreze um bom mapa de papel, outrora imprescindível para os viajantes. Você vai se surpreender: além de ajudar a se localizar, eles se tornam um divertido souvenir do passeio.

Chip de celular

Se seu telefone estiver desbloqueado, compre um chip de celular local para diminuir consideravelmente seus custos e certifique-se que as pessoas consigam contactá-lo facilmente. Há sempre a opção de usar Skype e WhatsApp, mas esses precisam de Wi-Fi ou dados de internet para funcionar.

Postos de gasolina

Os postos de gasolina podem ser verdadeiras bênçãos. Os melhores têm banheiros limpos, comida honesta, café e todo tipo de guloseima para animar o viajante cansado. Alguns permitem o pernoite de motohomes.
 
* Estagiário sob supervisão de Gustavo T. Falleiros.
 
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Sérgio
Sérgio - 05 de Fevereiro às 22:16
Só viajo de carro. Show de bola!