Especial de carnaval

Guia do folião: como aproveitar o carnaval de forma segura e divertida?

Cair na folia é seguir o ritmo da música, curtir os amigos e sentir a animação da festa. Mas para que tudo acabe bem e só restem as boas lembranças, é preciso adotar cuidados de segurança e evitar exageros

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postado em 19/02/2017 08:00 / atualizado em 18/02/2017 19:13

Por Raphaele Caixeta*

Para alguns, a data é a mais esperada do ano. Época de felicidade, de folia e de diversão. Mas também, dias de cuidado redobrado. O carnaval desperta nas pessoas os sentimentos mais variados, desde paixão à aversão, além de uma dose de temor provocada pelas aglomerações. Afinal, a época é propícia a render várias histórias para o ano todo: aquela fantasia que chamou a atenção, a ressaca pós-bloquinho, a animação das crianças e até a paquera sazonal. Mas também tem as experiências não tão agradáveis, que, no máximo, são compartilhadas como forma de alerta. Para garantir que a festa seja um sucesso, as preocupações vão muito além da fantasia e do isoporzinho para manter a bebida gelada.
 
 Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
 
 
Essa é a sugestão da estudante Jéssyca Vargas, 24 anos. Ela relembra que estava com duas amigas, divertindo-se em um bloco tradicional de Brasília, quando recebeu um empurrão de um grupo. Em meio a um início de confusão e em uma tentativa de apaziguar os ânimos, levaram o celular da amiga dela. “Ela começou a gritar que havia sido roubada, então, o resto do grupo a jogou no chão e começou a agredi-la. Enquanto isso, eu corria atrás de outro rapaz para tentar recuperar o aparelho, mas ele me deu uma rasteira e caí”, lamenta. Depois do susto, ela e as amigas procuraram a Polícia Civil para registrar a ocorrência, mas nada foi recuperado. Só restou mesmo uma lamentável história de carnaval.

Para evitar passar por transtornos como esse, a Revista conversou com o Subsecretário de Integração e Operação de Segurança Pública, Leonardo Sant’Anna, para entender como funcionará a segurança durante os dias de folia, e saber quais as melhores opções para se manter seguro.

Esquema de segurança

No ano passado, cerca de 1,2 milhão de foliões estiveram nas ruas de Brasília, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Para este ano, são esperados quase 2 milhões.  Só o Babydoll de Nylon, um dos blocos mais famosos da cidade, pretende atrair para festa uma faixa de 80 mil pessoas. O coronel Leonardo Sant’Anna vê com bons olhos a expansão do carnaval por aqui, mas admite que são necessários maiores esforços para oferecer à população uma diversão segura.


Todos os blocos de rua precisam de autorização da Secretaria para ocupar as ruas, além de serem obrigados a dispor de um mínimo de seguranças particulares e brigadistas, e contar com a presença de policiais para fazer a ronda. Em algumas concentrações, onde são esperados um número maior de foliões, é necessário montar postos policiais para atender possíveis ocorrências.

Enquanto durar o carnaval, funcionará, na Secretaria de Segurança Pública, o Centro Integrado de Comando. Ali estará concentrado, em um só espaço, todos os órgãos de segurança: policiamento, Detran, DER e outros. Segundo a SPP, o local deve servir de apoio para quem busca ajuda ou orientação. Além disso, o cidadão poderá contar com monitoramento de câmeras 24 horas por dia, dispostas nos locais de maior movimentação. Alguns pontos vigiados são: área central, entradas e saídas da rodoviária;  metrô; centro da cidade; estacionamentos do Parque da Cidade; Praça do Buriti e algumas vias públicas. As filmagens podem ser usadas posteriormente como prova para infrações e crimes.

Se acontecer

- Se você for vítima de furto, roubo, assédio ou agressão, procure A Polícia Militar para um primeiro atendimento. Depois, efetive a denúncia na Polícia Civil mais próxima para registrar um boletim de ocorrência.

 

- No caso de roubo ou sumiço de objetos e documentos, você pode tornar o processo mais ágil, registrando ocorrência na delegacia digital pelo endereço: https://www.delegaciadigital.ssp.ba.gov.br

 

- Para pedir ajuda, ligue 190

Como se prevenir
Caio Gomez/CB/D.A Press

- Existem alguns cuidados que podem ser tomados durante os dias de festas, para evitar dores de cabeça e até mesmo que você se torne vítima de algum crime. As orientações não envolvem nenhum plano mirabolante, mas apenas a adoção de algumas medidas simples e prévias.

 

- Una-se a seus amigos. É sempre mais seguro andar em grupo. Estar com muita gente pode inibir a ação de alguém mal-intencionado. Em caso de assédio ou de agressão, o grupo pode intervir e até servir, se necessário, de testemunha posteriormente.

 

- Evite sair com objetos de muito valor ou com uma grande quantia de dinheiro. O ideal é levar apenas o valor necessário e evitar exibi-lo em público. Celulares, óculos e relógios são os objetos mais visados, isso porque são pequenos, de grande valor, fáceis de esconder e de se livrar deles depois. Uma orientação do coronel é tentar usar versões mais baratas desses produtos. Se não for possível, evite, ao máximo, expô-los. Mesmo que você não esteja portando nada de valor, prefira não sair com bolsas. O adereço é de alta atratividade para bandidos e torna você mais vulnerável.

 

- Escolha bem o lugar que vai frequentar. Certifique-se de que haverá policiamento, e de que o evento recebeu autorização da SSP para acontecer.

 

- Sempre avise a algum amigo ou familiar para onde vai. No caso de mudança de planos, comunique a eles a nova localização.

 

- Tenha cuidado com desconhecidos, jamais aceite ir para outro lugar sozinho e, caso um amigo queira, tente convencê-lo do contrário.

 

- Combine com seus amigos um ponto de encontro. Caso alguém se perca do grupo, vocês podem se reunir com mais facilidade em um local de emergência, previamente definido. O mesmo vale para o momento de ir embora: deixe acertado onde será a saída.

 

- Sempre coloque identificação nas crianças antes de levá-las para a festa. O documento deve conter o nome dela, telefone de contato, endereço e nomes completos dos pais. A Polícia Militar, todos os anos, faz campanha de identificação infantil.

 

- Anote todos os dados de seu aparelho de telefone antes de sair para a folia. Informações como o IMEI (número de identificação que todo celular tem e serve para que operadoras e fabricantes acessem as características do aparelho) permitem que você bloqueie o celular — para evitar uso indevido — além de permitir que você o resgate, caso seja recuperado.

 

- Baixe aplicativos de rastreamento GPS no seu celular e permita que outras pessoas consigam rastreá-lo. Assim, você poderá ser encontrado, caso ocorra algum problema, além de conseguir procurar seu aparelho, se for roubado. 

Fui abordado. Como agir?
Caio Gomez/CB/D.A Press

- Você sai para se divertir e, no meio da folia, é abordado. O coronel Leonardo Sant’Anna lembra que o meliante só quer seus pertences materiais. Assim, manter-se calmo, por mais difícil que seja, pode evitar que a situação se torne ainda mais tensa. No caso da estudante Jéssyca e de suas amigas, por exemplo, uma reação levou à agressão. Por isso, não faça gestos bruscos ou agressivos. O assaltante pode interpretar como uma forma de sabotar a ação e pode se tornar violento.

 

- Jamais reaja a um assalto, mesmo que você esteja cercado de pessoas. Isso pode colocar você e os demais em risco. Leonardo Sant’Anna enumera dois tipos de reação: a qualificada e a não qualificada. Policiais têm a qualificação correta para reagir a uma abordagem. Você só deve fazer o mesmo se tiver feito algum tipo de treinamento específico para sobrevivência urbana. Caso não tenha, apenas entregue o que foi pedido e procure ajuda. Qualquer autoridade, seja um brigadista, segurança particular, seja um agente do Detran, poderá auxiliá-lo num primeiro momento. Caso precise ligar para o 190, aborde a pessoa mais próxima, explique a situação e peça para que ela acione o número.

Estou sendo assediada, o que faço?

Breno Fortes/CB/D.A Press
Raissa Caldeira, 27, é arquiteta. Há alguns anos, no carnaval de Brasília, curtia com amigos quando decidiu se afastar para comprar uma bebida. No meio do caminho, um homem tentou beijá-la a força. “Ele me segurou pelos braços e tentou me beijar, mesmo eu recusando e dizendo que ‘não’. Ele ainda ficava repetindo: ‘Você tem que me beijar’”, conta a arquiteta. Raissa estava, por sorte, acompanhada de amigos e do namorado, que viram a cena de longe e conseguiram interceder. “Meu namorado ainda chegou a bater boca com ele, que começou a nos ofender. Acalmei-o e saímos dali”, conta.

Leonardo Sant’Anna comenta que esse é um comportamento comum nessas situações. “Geralmente, o indivíduo faz uma abordagem incômoda, agressiva, e, quando recebe a negativa por parte da vítima, opta pela agressão verbal”, lamenta. A vontade de revidar é grande e o senso de fazer justiça também, mas, segundo o coronel, a melhor forma de lidar com a situação é se afastar do problema. No caso de injúrias e ofensas, saia de perto. É a maneira mais indicada para evitar que a situação tome proporções maiores. Inclusive, existe um termo conhecido na internet: “Não alimente os trolls”, que pode ser traduzido como “Não coloque mais lenha na fogueira”. É exatamente o que deve ser feito. Caso a pessoa não recue, procure alguma autoridade e explique a situação.

Se alguém te tocar, te agarrar ou te fizer sentir coagida (o) de alguma maneira, a orientação é clara: grite. A reação chama a atenção das pessoas à sua volta, deixa claro que você não está conivente com a situação e que precisa de ajuda. Além disso, denuncie. Qualquer um desses comportamentos estão enquadrados na lei e resultam em punição do agressor. Caso alguém dirija a você palavras de cunho sexual, exponha as partes íntimas ou aja de maneira agressiva para conseguir vantagem sexual, denuncie. O papel dos amigos também é importante: se presenciarem uma cena dessas, interfiram e tentem fazer imagens do indivíduo, que podem ser usadas posteriormente para identificação e prova.

Meu amigo sumiu

- A primeira ação é procurar pela pessoa no local combinado anteriormente. Outra forma é tentar rastreá-la pelo aparelho celular, o que deve ter sido acordado antes, para facilitar. Caso não a encontre, entre em contato com familiares e amigos para checar se a pessoa os contactou ou se está com eles. Se, ainda assim, ela não for localizada, a polícia deve ser acionada depois de 24 horas.

 

- Jamais leve as crianças para o meio de multidões sem identificação completa. Combine com seu filho, por menor que ele seja, de se encontrarem em algum lugar caso ele se perca. Orientação também é importante. Tente fazê-lo decorar o número de contato ou endereço de casa. Ensine-o a identificar e a procurar por autoridades caso esteja perdido.

 

- Evite bebidas alcoólicas se estiver com crianças. O álcool pode interferir no grau de atenção que você dará ao seu filho.

Não vá de carro
Caio Gomez/CB/D.A Press

- Evite usar transporte particular para ir aos blocos. Geralmente, os estacionamentos são cheios e afastados. Além disso, o caminho de volta pode ser perigoso.

 

- Se não tiver outra opção, tente ir acompanhado com o máximo de amigos. Voltar em grupo para o veículo é a alternativa mais segura. Procure chegar mais cedo para ter mais opções de vaga e conseguir estacionar em um lugar mais bem localizado.

 

- Caso o bloco seja próximo a alguma quadra residencial, vale a pena estacionar o carro por lá e chamar um táxi ou uber. Isso evita muvucas e é mais seguro. Também é válido pedir uma carona a algum familiar ou amigo para chegar à festa. E se lembre: nunca dirija alcoolizado.

O amigo da vez
Caio Gomez/CB/D.A Press

- A ideia de amigo da vez é muito comum nos grupos que querem beber e precisam de um voluntário para dirigir. Mas o conceito pode ser estendido. É importante contar com um companheiro sóbrio e vigilante durante a festa, já que o álcool pode interferir no nosso senso de julgamento e nos fazer tomar decisões arriscadas. Essa seria a pessoa indicada para conter certos comportamentos e excessos, como deixar que o amigo alcoolizado se afaste com estranhos ou vá para locais perigosos. Quem não bebeu fica mais atento ao que acontece à volta e tem condições de interceder em situações de assédio ou de agressão. A pessoa alcoolizada pode ter problemas até se para lembrar e reconhecer certas situações de violência, como um assalto, por exemplo, que depois exijam reconhecimento. É aí que entra o amigo da vez: é quem vai conseguir recontar a história com mais clareza.

Em caso de coma alcoólico
Caio Gomez/CB/D.A Press

- Algo muito comum no período carnavalesco é exagerar na quantidade de álcool. Uma decisão perigosa que pode levar a graves consequências. Os sinais mais comuns do risco de entrar em coma alcoólico é o alto estado de embriaguez, comportamento agressivo, confusão, agitação, vermelhidão nos olhos, dificuldade em falar, dificuldade motora, vômito e até desmaio.

 

- Caso isso aconteça perto de você, peça socorro, afinal, todo bloco deve disponibilizar uma equipe de brigadistas. Enquanto espera por ajuda, deite a pessoa de lado para evitar que ela seja sufocada pelo próprio vômito, afrouxe as roupas e tire qualquer objeto que aperte o corpo dela, além de mantê-la arejada.

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