Encontro com o Chef

Casal de servidores aposentados serve delícias em pratos executivos

O restaurante Confraria Chico Mineiro é um alento para os que buscam um prato executivo de qualidade. Veja vídeo

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postado em 26/02/2017 16:03 / atualizado em 26/02/2017 17:46

A dica veio de uma amiga. Com o cartão do restaurante na mão, ela me intimou: “Você precisa conhecer o bolinho de feijoada da Confraria Chico Mineiro”. Dias depois, lá estava eu na aprazível quadra da Asa Norte, onde encontrei não apenas um petisco delicioso, mas também comidas feitas com capricho e um casal que esbanja simpatia. Meg Dusa e Geraldo Mendes Araújo comandam a casa desde 2010 e fazem do lugar uma extensão do lar. “É como se, todos os dias, abríssemos as portas de casa para receber os amigos para uma festa”, resume Geraldo.

Antonio Cunha/CB/D.A Press
Meg é aposentada da Caixa Econômica; Geraldo, do Banco Central. Ela é paranaense; ele, mineiro. Ela chegou a Brasília transferida do trabalho, já adulta e com três filhos; ele veio para a capital ainda criança, com os pais. Os dois se conheceram, casaram-se e, depois de décadas de serviço público, decidiram que ainda não era hora de parar de trabalhar. Só que em outras paragens.

A ideia de entrar para o ramo de restaurantes partiu de Meg. Descendente de japoneses, ela tinha uma irmã que estava vivendo na terra do Sol Nascente, mas com planos de voltar ao Brasil. O Chico Mineiro era um boteco que o casal costumava ir para assistir aos jogos do Cruzeiro. Como o então dono estava passando o ponto adiante, ela achou que seria uma boa oportunidade para a irmã recomeçar a vida em terras candangas. “No fim, ela não veio para Brasília e nós acabamos ficando com o restaurante”, diverte-se Meg.

No início, Geraldo confessa que foi resistente à proposta de montar um negócio. Achava que, depois de tanto tempo de trabalho duro, estava na hora de descansar. Mas acabou cedendo ao desejo da mulher. Ainda bem. Cozinheira de mão cheia, Meg arregaçou as mangas e reformou totalmente o cardápio — e a filosofia — do Chico Mineiro, que deixou de ser conhecido como o boteco que transmitia jogos de futebol para ganhar a fama de um lugar que serve boa comida.

 



Durante o dia, a confraria oferece almoço executivo. Por um preço fixo, serve salada e prato principal. O cardápio é montado diariamente, uma decisão que exige muita pesquisa e experimentos. “Oferecemos uma média de cinco opções. Sempre um filé, um frango, um peixe e outro tipo de carne”, detalha Meg. Quando abriu o restaurante, ela tocava praticamente sozinha a cozinha. Hoje, conta com uma equipe de sete pessoas. “Variamos o cardápio para não cair na mesmice. Os nossos clientes são fiéis, alguns vêm quase todos os dias. Não podem enjoar.” E muitos se tornaram amigos. Recentemente, Meg ganhou uma netinha e ficou impressionada com a quantidade de presentes que ela recebeu dos frequentadores da confraria. “Frequentamos a casa de muitos”, revela Geraldo.

À noite, o Chico Mineiro incorpora o velho espírito original de boteco. Só que, agora, o diferencial está na comida. No cardápio fixo, são 35 opções de tira-gostos. E tem de tudo um pouco: de joelho de porco a quibe; de torresmo à pururuca a tempura; de bruschetta a canjiquinha com costelinha. Sem falar no jantar executivo. E tudo preparado na hora, fresquinho. “Não temos nem freezer aqui”, garante Meg. Com planejamento e rodízio do cardápio, ela se orgulha também de ter desperdício zero no restaurante. “Assim, conseguimos manter um cardápio com preços justos e preparados com ingredientes de boa qualidade”, explica.

E o bolinho de feijoada? Na verdade, ele se chama bolinho de mexidão e só é oferecido às sextas e sábados, dias em que a atração principal da casa é a feijoada. Para executar o petisco, Meg faz uma feijoada à parte, com as carnes cortadas bem miudinhas. Ela criou a receita para participar do festival Comida de Boteco do ano passado e, claro, abocanhou o primeiro lugar. Um prêmio que acabou dividido com todos nós.

Bolinho de mexidão

Antonio Cunha/CB/D.A Press

 

Para fazer o mexidão

Ingredientes
1 concha de carnes nobres da feijoada (carnes, paio e calabresa, desfiados e cortados em cubos miúdos  — no restaurante, é feita uma feijoada especial para o bolinho
1 concha do feijão da feijoada, com pouco caldo
1 xícara de arroz cozido e temperado
4 colheres de sopa de vinagrete (tomate, cebola, orégano, azeite e vinagre)
4 colheres de sopa de couve cortada bem fininha
4 colheres de sopa de óleo de girassol
4 colheres de sopa de farinha de mandioca amarela fina

Modo de preparar
Numa panela wok, aqueça o óleo, frite as carnes. Acrescente o arroz, o vinagrete e a couve. Adicione o caldo e o feijão da feijoada. Misture bem e acrescente a farinha de mandioca. Retire do fogo e deixe esfriar.

Para fazer a massa

Ingredientes
2 conchas do caldo da feijoada sem grãos e sem carnes
1 colher de sopa de margarina
Farinha de trigo

Modo de preparar
Numa panela, aqueça o caldo da feijoada, acrescente a margarina e aguarde ferver. Depois, acrescente farinha de trigo, mexendo rapidamente até formar uma bola homogênea e desprender da panela. Deixe esfriar.

Montagem do bolinho

Concluídas as etapas de execução do mexidão e da massinha, com o auxílio de uma luva de vinil (ajuda a não grudar a massa na mão), selecione uma bolinha de mais ou menos 2 dedos de diâmetro, esticando-a na palma da mão. Recheie com o mexidão (como se estivesse enrolando uma coxinha). Feche bem. Depois de frito, ficará crocante por fora e molhadinho por dentro.

Empanamento do bolinho

Ingredientes
1/2 xícara de farinha de trigo
1 ovo
1 xícara de farinha panko (que deixa o bolinho mais sequinho) ou farinha de rosca

Modo de fazer
Passe o bolinho na farinha de trigo, depois mergulhe no ovo batido e, em seguida, na farinha panko, formatando-o. Frite em óleo quente, com quantidade suficiente de óleo para cobrir o bolinho.

 

Serviço

Confraria Chico Mineiro
SLCN 104, Bloco D, Loja 38, Asa Norte
Telefone: (61) 3963-1956
Abre de terça a sexta-feira, das 10h à 0h.
Sábados, domingos e segundas, das 10h às 17h.

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