NEURÔNIOS EM DIA

Empatia na relação médico-paciente deve ir além da gentileza

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 20/03/2017 08:00 / atualizado em 20/03/2017 11:29

Por Ricardo Teixeira*

Kleber Sales/CB/D.A Press

Sir William Osler, pai da medicina moderna, ensinava a seus alunos, ainda no século 19, o conceito de imperturbalidade do médico. Esse termo pode ser entendido como o sangue frio que o médico deve ter para tomar a melhor decisão para o paciente, evitando que as emoções dificultem um diagnóstico e tratamento corretos. Osler ainda chamava a atenção para o fato de que a demonstração de muita emoção pelo médico pode abalar a confiança que o paciente nele deposita. Por outro lado, empatia, gentileza e simpatia são atributos que todo mundo espera de um médico. Como é que esses atributos podem se misturar com a imperturbalidade?

Nesse contexto, empatia é a capacidade do médico em se colocar no lugar do seu paciente, o que não significa ter que chorar e rezar juntos. Empatia não é fácil de ensinar e pode-se argumentar que ela pode, em algumas circunstâncias, até atrapalhar a relação médico-paciente. Esse é um dos argumentos que faz com que os médicos sejam orientados a não tratar o próprio filho ou outras pessoas com forte vínculo na vida pessoal. Já a gentileza é outra coisa, e esta não costuma concorrer com a imparcialidade necessária para tomar decisões.

O paraninfo de minha turma de medicina, professor Soares, dizia uma coisa que carrego ainda hoje: “A maior demonstração de empatia que você pode dar ao seu paciente é buscar compreender ao máximo o problema dele”. Esse comprometimento, no meu entender, é pura empatia e que não ameaça a tal imperturbalidade. Isso não é muito diferente deste pensamento do Arnaldo Jabor: “Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida”.
 
*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília e professor de pós-graduação em divulgação científica e cultural na Unicamp.
Tags: empatia
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.