Fitness e Nutrição

Casais dançam juntos e revelam que as aulas tornam a relação mais rica

Fazer aulas de dança juntos ajuda a fortalecer o relacionamento e, de quebra, exercita o corpo e a mente

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postado em 06/06/2017 18:34 / atualizado em 06/06/2017 18:45

Além de expressão artística, a dança é uma forma de se exercitar fisicamente. A depender da forma como é executada, pode queimar até mais calorias do que um treino na academia. A modalidade surge como uma opção prazerosa para casais que querem se exercitar e compartilhar um hobby.


Uma das vantagens é que, diferentemente de casais que vão juntos à academia, mas praticam atividades individuais, a dança é praticada em dupla — um precisa do auxílio do outro para que o exercício seja concluído.

O fisioterapeuta e professor de dança Vitor Veil afirma ainda que, além da socialização e do aspecto emocional, a atividade traz uma série de vantagens físicas. Entre elas, a melhora da coordenação motora e do reflexo muscular, o desenvolvimento do equilíbrio, o aumento da resistência física, do controle neuromuscular e a consciência corporal e postural.

Os estudantes e namorados Jefferson Paiva Nascimento, 24 anos, e Lohana Gregorim, 23, conheceram-se em uma aula de dança há quatro anos e a atividade se tornou parte da vida do casal desde então. Eles participavam de uma aula de zouk e formaram um par para praticar. “A nossa dança foi diferente, trouxe aquele contato mais íntimo logo de início. Hoje, vemos que foi a forma de nos encontrarmos, porque, só de nos olharmos, sentimos algo diferente”, diz Jefferson, em tom apaixonado.

Ele começou a se interessar pela dança cerca de um ano antes de conhecer a namorada. Já Lohana dança desde os 9 anos, mas abandonou as modalidades individuais há cinco, quando conheceu a dança de salão. “Foi uma nova paixão. Quando dançamos com o outro, criamos novas amizades e relações, melhoramos o humor e a nossa relação com o corpo”, afirma a jovem.

Para a estudante, o salão é o local onde as pessoas podem ser mais felizes e livres. Ela acrescenta que o ambiente democrático, onde todos são bem-vindos, aumenta a sensação de bem-estar. Tímida fora das pistas, afirma que durante a dança se liberta. Com o namorado, gosta de se divertir e se desafiar. Quando enjoam de um ritmo, tem sempre outro para aprenderem juntos. “Tenho plena consciência de que o corpo é apenas um instrumento da alma, usamos para expressar o que sentimos.”

Hoje o casal sai para dançar pelo menos duas vezes por mês e começou a aprender uma nova modalidade, o west coast swing. O ritmo foi criado na década de 1960, na Califórnia. “É uma espécie de dança de salão que está começando a fazer sucesso no Brasil. Apesar de ter as bases e os passos clássicos, é uma dança que explora a parte espontânea do casal, tem muito improviso e respeito ao estilo de cada pessoa”, explica o professor Vitor Veil.

A modalidade é dançada basicamente em cima da música pop, passeando pelo pop rock, blues, R&B e música acústica, incorporando também elementos do zouk e dos ritmos latinos, que estão em alta. A vantagem é que a modalidade é eclética e agrada os casais que não se sentem atraídos pela dança de salão tradicional ou pelos outros ritmos feitos em dupla.

Vitor afirma notar uma diferença grande entre os casais que se relacionam e entre as duplas formadas no estúdio. “Quando a pessoa vai sozinha, ela acaba socializando mais com a turma, dança com todos e se permite experimentar. Quem já vai como casal, normalmente, não quer trocar de par. Apesar de não socializarem tanto com os outros, a dança, com certeza, afeta o relacionamento de forma positiva”, acredita.

Para o professor, aprender um tipo de dança junto permite que o casal se conheça melhor e se explore de uma forma diferente. No caso do west coast swing, no qual o dançarino precisa empregar sua personalidade nos passos, é possível conhecer aspectos novos do parceiro pela forma como ele dança. “É como um jogo de perguntas e respostas. Você vê o passo do outro e responde com o seu próprio passo. É um diálogo e isso permite que o casal encontre formas diferentes de se comunicar e se conectar. Eles dançam um para o outro.”

Por amor


Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
As servidoras públicas Larissa Pelaquim, 27 anos, e Tatiana Rubino, 30, resolveram fazer aulas para o casamento. Elas queriam que a primeira dança do casal, após a oficialização do relacionamento, fosse um momento especial e se prepararam com dedicação.

A iniciativa partiu de Tatiana. Ela fazia questão de compartilhar o momento com a noiva, que estava mais tímida. “Sempre tive muitos amigos que dançam e cheguei a acompanhá-los em aulas. Por saber como a dança é muito emblemática para as pessoas, eu não queria fazer feio”, justifica Larissa.

Tatiana insistiu e conseguiu convencer Larissa a ter o momento da primeira dança no casamento. “Eu não sabia dançar nada, ela tinha muito mais noção e não queria. Insisti bastante e a cartada final foi um amigo dela, que é professor de dança e mora fora. Ele fez um drama dizendo que viria ao Brasil para o casamento e que ela teria que ceder”, lembra Tatiana.

Uma vez tomada a decisão, Larissa e Tatiana começaram a fazer aulas particulares com uma amiga do casal, a professora de dança Larissa Silva Chaperman. A ideia principal era que, além de bonita e bem executada, a apresentação fosse divertida para as duas.

Larissa e Tatiana escolheram a música Everything, de Michael Bublé, e, a partir daí, a professora identificou que o ritmo que casaria com o som seria o bolero. “Como eu as conheço e tínhamos bastante tempo, sugeri que não fizessem uma coreografia fechada, mas, sim, que aprendessem as bases do bolero e, a partir daí, fizéssemos passos que elas curtissem”, conta Chaperman.

A professora optou ainda por não colocar nenhuma das duas como condutora ou conduzida. As duas exerciam as duas funções e se revezavam conforme o passo. “Essa é uma técnica que tenho usado nas minhas aulas. Não importa o gênero, eu ensino os alunos a dançarem das duas formas. É importante que você saiba conduzir e também se deixe ser levado pelo parceiro. A coreografia se torna mais natural e conectada”, explica.

As servidoras fizeram quase dois meses de aula e afirmam que conseguiram dançar com prazer e diversão no dia da cerimônia. As aulas, no entanto, interferiram, de uma forma mais profunda, no relacionamento e Larissa e Tatiana pretendem continuar a explorar novos ritmos.

Para Tatiana, a dança se tornou um hobby prazeroso que ajuda o casal a se desligar da rotina. “De vez em quando, estamos em casa, abrimos um vinho e começamos a dançar. Isso desestressa e nos conecta uma a outra. Deixamos até de comprar uma mesinha de centro para não ocupar o espaço da dança”, brinca.
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