A união entre turismo e gastronomia nos Lençóis Maranhenses

Um passeio turístico e gastronômico pelos Lençóis Maranhenses, lugar exuberante e cheio de agradáveis surpresas

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postado em 13/08/2017 08:00 / atualizado em 11/08/2017 17:58

Como turismo e gastronomia andam de mãos dadas, a coluna desta semana será um misto do que considero dois dos melhores prazeres da vida: conhecer novas paragens e comer bem. Recentemente, estive no paraíso. Sem exageros. Os Lençóis Maranhenses são algo indescritível. Visita imperdível, daquelas para pôr na lista de lugares para ir antes de morrer.

A gastronomia não chega a ser o ponto alto do passeio, mas é possível comer bem. Não vá esperando restaurantes sofisticados. O esquema por lá é pé na areia, peixe ou camarão no prato e cerveja, guaraná Jesus ou suco de frutas típicas, como bacuri, murici e buriti, para refrescar. Farei um resumo do passeio, sempre pincelando com as experiências culinárias.
O.J.Castro Jr/CB/D.A Press

Barreirinhas é a porta de entrada dos Lençóis. A cidade tem pouco mais de 60 mil habitantes e fica a 255km de São Luís. Para chegar lá, são, em média, quatro horas de estrada em boas condições. O Parque Nacional dos Lençóis é gerenciado pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio) e engloba uma área gigantesca, repleta de dunas de areia muito branca, lagos e lagoas de cor azul. Para chegar à reserva, só com guias autorizados. É preciso, ainda, vencer trilhas em veículos com tração 4 x 4.

Saímos de São Luís nas primeiras horas da manhã, fizemos check in e almoçamos na própria pousada, em Barreirinhas. Comidinha caseira e gostosa. Às 14h, o guia nos pegou para vivermos a primeira aventura: assistir ao pôr do sol nas dunas da Lagoa Bonita. O caminho não é fácil. Depois de atravessar o rio em uma balsa e cumprir mais de uma hora de trilha sobre uma jardineira, tivemos que, literalmente, escalar uma duna de aproximadamente 80 metros com a ajuda de uma corda.

Mas o visual valeu cada esforço: uma imensidão branca, pincelada por pontos azuis, torna o lugar único. Depois de cerca de três horas subindo e descendo dunas para se refrescar nas diversas lagoas, o estonteante pôr do sol encerra o dia inesquecível. Voltamos para o carro famintos. Embaixo, em barracas de apoio, mulheres preparavam tapiocas recheadas de coco e leite condensado. A energia que precisávamos para enfrentar a trilha de volta.

No dia seguinte, um passeio mais light. De voadeira, espécie de barco veloz, cruzamos o Rio Preguiças. A paisagem vai mudando à medida que nos aproximamos do mar — sim, chegaremos ao Oceano Atlântico. Das palmeiras de buritis e juçaras (açaí), passamos por mangues, com vegetação rasteira. No caminho, duas breves paradas: a primeira para escalar mais uma duna (bem mais leve que a do dia anterior) e nos deliciar nas águas refrescantes de uma lagoa, e a segunda para subir o Farol do Mandacaru e, mais uma vez, inebriarmo-nos com uma linda vista dos Lençóis. A essa altura, a água do Preguiças já tem sabor salgado, diante da proximidade com o mar.
Joaquim Prado/Arquivo pessoal

O ponto de chegada é a praia do Caburé. De um lado, o rio; do outro, o oceano. Na pequena vila de pescadores, restaurantes/pousadas oferecem peixes que acabaram de ser pescados. Optamos por uma anchova na brasa com farofa e arroz de cuxá — molho da culinária maranhense, feito com vinagreira, gengibre, camarão seco, farinha de mandioca seca e pimenta-de-cheiro. Simples e gostoso, mas nada extraordinário.

À noite, decidimos conhecer o principal point da cidade de Barreirinhas. A Avenida Beira-Rio é repleta de bares e restaurantes para todos os gostos e bolsos. Conhecemos os dois considerados os melhores do lugar: A Canoa e O Bambu. Ambos oferecem cardápio variado para agradar ao paladar de gente de toda a parte do mundo que costuma visitar a cidade nesta época do ano. Decidimos continuar com os frutos do mar. Comida boa, mas, também, nada excepcional.

No terceiro dia de passeios, visitamos uma vila de pescadores que tem feito muito sucesso, principalmente entre os estrangeiros, Atins. Para chegar lá, só de voadeira — fica depois de Caburé — ou por trilha em 4 x 4. Fomos de carro e aí vai um conselho: se puderem, fiquem para dormir ao menos uma noite. O lugar é muito agradável e tem pousadinhas descoladas.

Depois de uma parada na foz do Rio Preguiças para um delicioso banho, seguimos para o que, eu tinha certeza, seria o ponto alto da viagem em termos gastronômicos. É lá, literalmente no meio do nada, que dois restaurantes disputam os clientes. O mais antigo é o da Luzia. Em qualquer busca rápida pelo Google, você vai ler maravilhas sobre o camarão grelhado servido no local. Ela tinha como funcionários o irmão, seu Antônio, e a mulher dele. Depois de um desentendimento familiar, seu Antônio decidiu abrir a própria casa, ao lado da de Luzia, e, com ele, levou o segredo do molho que faz os camarões serem tão famosos.
Joaquim Prado/Arquivo pessoal

O guia nos aconselhou ir ao restaurante do seu Antônio. O grupo se dividiu entre as duas casas, mas acatamos a indicação. Fizemos o pedido dos pratos e seguimos para um banho de mar, seguido de lagoa, nas famosas dunas de Atins. Quando voltamos, estávamos famintos e o camarão não decepcionou. Ao contrário. Gigantes, eles vêm cortados como se fossem lagostins. A casca fica embaixo e ajuda absorver o molho —  segredo de família e ponto de discórdia entre os irmãos. Vêm acompanhados de arroz caseiro, soltinho, farofa e feijão-de-corda. Até agora, sinto água na boca ao me lembrar do sabor do crustáceo. Depois da orgia gastronômica, um descanso na rede para enfrentar a trilha de volta.
Joaquim Prado/Arquivo pessoal

No quarto e último dia de Barreirinhas, optamos por um relaxante passeio de boia pelo Rio Formiga. Foram 2km deixando o rio nos levar, em meio a uma exuberante vegetação. Voltamos para São Luís e, no dia seguinte, não queria nem ouvir falar em desbravar trilhas ou subir dunas. Para me despedir do Maranhão, nada melhor do que uma caranguejada de frente para a Praia do Calhau. Um momento para relaxar e guardar bem viva na memória toda a beleza vivenciada em quatro dias inesquecíveis.

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