Fisioterapia veterinária oferece conforto a pets com problemas crônicos

A fisioterapia veterinária consolida-se como uma opção para combater desconfortos e patologias típicas dos pets

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postado em 13/08/2017 08:00 / atualizado em 11/08/2017 18:06

O antigo conselho “com saúde não se brinca” pode — e deve — ser aplicado também aos pets. Tratamentos já bem populares entre os humanos chegam ao mundo animal com promessa de eficiência.  É o caso da fisioterapia. Indicada para tratar problemas ortopédicos, neurológicos ou articulares, ela pode ser realizada com atividades que vão desde alongamentos e exercícios até terapia com luzes e lasers, dependendo do tipo de desconforto do bicho.

A fisioterapia é um tratamento novo na área da saúde dos pets, mas os resultados já têm aparecido e mostrado a importância desse cuidado, que pode mudar a vida dos animais e de seus tutores. Esse é o caso da Luna, a yorkshire terrier que sofria com luxações constantes na patela, e da nutricionista Gabriella Costa, 28, que tem a fiel mascote a seu lado há três anos. O primeiro incômodo da cadela apareceu em uma brincadeira no parque, quando ela pisou em falso em um buraco. “Como a grama estava alta, tampava os desníveis. Ela acabou caindo em um deles quando brincava de bola. De imediato, começou a levantar a patinha e a mancar”, lembra Gabriella.

A indicação do ortopedista foi que esperasse uma piora para, só aí, operar. Mas as dores de Luna também machucaram a dona, que pesquisou soluções para proporcionar bem-estar à yorkshire. Assim, descobriu o trabalho de fortalecimento da fisioterapia. O problema de Luna é um dos mais comuns no tratamento fisioterápico para animais. Ao lado da hérnia de disco, a luxação patelar está entre as patologias mais atendidas nas clínicas veterinárias, principalmente por conta da melhora significativa dos pets que costumam passar por essa reabilitação.
Minervino Junior/CB/D.A Press
Para Gabriella, a rotina de duas sessões semanais de exercícios clínicos permite uma evolução prazerosa: “A melhora foi de 100%, porque a Luna tinha quadros repetidos, a patela saia do lugar com qualquer corrida. Hoje, essas crises estão cada vez menores. Ela apronta, corre, pula do sofá e não se machuca mais.”

Trabalho árduo


A recuperação foi possível devido a uma série de estudos que uniram os conhecimentos da fisioterapia e da zoologia, mas só pode ser realizada por um médico veterinário, como Lívia Borges, que atua na área há 10 anos. A especialista da clínica FisioLife ressalta: “Qualquer tratamento em animal deve ser feito por um médico veterinário, seja acupuntura, seja homeopatia ou qualquer outro”.

Lívia também explica outros casos em que o método pode ser a solução de incômodo: dores e doenças. “A fisioterapia veterinária é usada tanto para recuperar um animal pós-cirúrgico como para dar qualidade de vida, tentar tratar, recuperar, evitar ou prorrogar uma cirurgia, fortalecer a musculatura e diminuir inflamações, por exemplo”, esclarece. Quem se encaixa na maioria desses casos é Verinha, a shih-tzu de aproximadamente 1 ano, que foi resgatada em um canil do Recanto das Emas com várias deformações genéticas.

O resgate, feito pela professora Izabela Cintra, foi o começo de uma grande transformação na rotina da professora e do marido, Ricardo Alexandre, o mecânico que ajuda a esposa nesse trabalho com os animais há seis anos. Desde setembro do ano passado, o casal cortou as viagens e mudou hábitos cotidianos para dar a Verinha as melhores condições de vida possíveis diante de suas doenças, como o tratamento fisioterapêutico indicado pelo veterinário.

A lista de patologias da pet é longa: hidrocefalia, luxação de patela, luxação de fêmur, ausência de duas vértebras na coluna, sacralização da última vértebra lombar e incontinências urinária e fecal. Mas, se por um lado, Izabela se cansa depois de repetir todas as doenças, por outro, o fôlego para garantir que Verinha sofra o menos possível é enorme: “Já me perguntaram se não era mais fácil fazer uma eutanásia nela. Mas isso nunca passou pela cabeça da gente”, relatou.
Arquivo Pessoal/Izabela Cintra

A cachorrinha está na trigésima sessão de fisioterapia, tratamento que faz uma vez por semana, desde os primeiros dias emque chegou ao lar do casal. Para a professora que fez o resgate, os resultados foram rápidos e significativos: “Quando ela chegou à minha casa, dava três passinhos e parava. Com a fisioterapia foi impressionante. Depois de três sessões, já corria no corredor. Sem a fisioterapia, a gente não teria visto esse progresso todo”, conta Izabela.

Verinha tem atendimentos domiciliares com a médica veterinária Laís Maia, que explica que as complicações da pet podem ter sido resultado de um cruzamento entre os pais. Laís faz uma série de trabalhos com a pet, que descansa enquanto recebe o tratamento fisioterápico: “Ela faz eletroterapia, fototerapia e magnetoterapia e cinesioterapia”. Ela relembra a evolução desde os primeiros dias com Verinha: “O uso contínuo da fisioterapia ajudou muito no tratamento para dor sem precisar tomar remédio. Antes, não conseguia nem dobrar a pata direita. Com os exercícios, não só dobra como anda mais e melhor do que quando foi resgatada”, analisa a veterinária.
 
* Estagiário sob supervisão de Sibele Negromonte 
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