Fitness & nutrição

Crossfight promete conquistar brasilienses com aulas metabólicas

Modalidade criada por um lutador de muay thai e MMA, o crossfight reúne treinamento físico funcional com movimentos de artes marciais

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postado em 20/08/2017 08:00 / atualizado em 17/08/2017 17:28

Carlos Vieira/CB/D.A Press
Febre nas academias, o crossfit conquistou os apaixonados por treinos intensos. Agora, o crossfight promete se tornar o queridinho entre os malhadores de plantão. Trata-se de uma modalidade que integra o treinamento físico funcional com movimentos de artes marciais, como muay thai, boxe, jiu-jítsu, wrestling e MMA. O praticante pode perder até 1.200 calorias quando a aula é bem executada.

O fight foi criado em 2013 pelo goiano, atleta e treinador de muay thai e MMA Leonardo Lívio. “Tive a ideia no momento em que a procura pelas aulas de artes marciais passaram a ser para emagrecer. Então, fiz a junção do funcional com as lutas”, pontua.

Segundo Lívio, as aulas de crossfight são feitas com a carga do peso corporal, cujo objetivo é trabalhar com o máximo de intensidade todos os grupos do corpo — membros superiores e inferiores — sem fazer o uso de levantamento de peso. As aulas são metabólicas, pois elevam os batimentos cardíacos e fazem com que a queima de gordura seja mais ágil.

As aulas de crossfight ocorrem em circuitos. Movimentos de artes marciais, como jab, direto, chutes circulares, frontais, joelhadas, cotoveladas e spraw (simulação de defesa de queda) são associados a flexões, agachamentos, saltos na caixa, abdominais, barras, corrida, medicine ball, elásticos, entre outros. 

Intensa, a atividade auxilia no ganho de condicionamento físico e cardiorrespiratório, aumenta a força, reduz o percentual de gordura, contribui para o ganho de massa muscular magra e de equilíbrio, melhora o alongamento e a flexibilidade, além de aliviar o estresse.

Cuidados

É importante, porém, que os praticantes se submetam a uma boa avaliação médica (cardiológica e ortopédica) e funcional para medir a capacidade cardiopulmonar, além de diagnosticar fatores de risco de lesões ortopédicas, como assimetrias, encurtamentos, fraquezas nas musculaturas ou alterações de padrões específicos de movimento. “A investigação possibilita a prevenção da ocorrência de danos ao corpo”, alerta Marco Balduíno, especialista em medicina do esporte e do exercício do Instituto de Medicina do Movimento de Brasília.

Para Maurício Peixoto, fisiologista e especialista em treinamento funcional pelo Instituto Australiano de Coach em Treinamento, a junção dos movimentos funcionais e de luta melhora o metabolismo dos praticantes e ajuda em fatores hormonais — aumento da testosterona, redução do cortisol e dos níveis de glicose — e psicológicos, como elevação da endorfina, melhora da autoestima, da disciplina, da socialização e da consciência corporal.

Os treinos de crossfight duram, em média, de 45 minutos a uma hora, dependendo do nível de aptidão física do aluno. Antes de iniciarem a prática, é necessária a realização da Análise Técnica de Performance (ATP), que é a aferição das medidas corporais e a verificação do nível de condicionamento físico. “Por meio desse teste, definimos o nível de intensidade de treino de cada aluno”, enfatiza Ana Luiza de Souza, fisiologista e cinesiologista do exercício.

Resultados

O gestor público Gustavo Furtado, 20 anos, é adepto de outras atividades físicas, mas aderiu ao crossfight por causa do gasto calórico, por ajudar na coordenação motora, na concentração e por conta do foco em golpes de lutas. “Sempre pratiquei lutas marciais e esse foi um dos pontos-chaves que me motivou a fazer esse esporte.”

A ATP potencializa os resultados e contribui para o alcance dos objetivos de cada aluno, já que a alta intensidade dos treinos causa um efeito de queima de gordura mesmo com o corpo em repouso. Daí, a importância de descansar, pelo menos um dia, entre cada treino. “No dia de pausa, o aluno pode optar por realizar outra atividade, como exercícios aeróbicos ou uma aula de luta”, acrescenta Ana Luiza de Souza.

Rodrigo Sousa Filho, 23, engenheiro civil, pratica musculação desde 2010, mas, há seis meses iniciou o crossfight. Ele sempre incentiva a prática entre os amigos, já que gosta da modalidade. “Desde que comecei essa atividade, adquiri mais condicionamento físico. As aulas são mais práticas, o que me anima muito.”

De fato, as aulas são desenvolvidas de forma dinâmica e é uma modalidade indicada para todas as idades. Porém, cada pessoa deve ter direcionamentos e cuidados distintos. Thiago Dezingrini, especialista em musculação e treinamento de força da UnB, alerta sobre a observação dos movimentos. “Devemos ficar atentos à execução dos exercícios dentro da técnica perfeita e prezar por segurança e resultados.”

Lana Moraes, 30, advogada, descobriu a atividade há poucos meses e sente um prazer indescritível. A experiência foi um desafio, porque só fazia caminhada em academias ou em centros de treinamento. “Eu me sinto revigorada após as aulas. Lá, extravaso, desconto meu dia ruim nos exercícios.”

Como em qualquer atividade física, a alimentação é ponto fundamental para obtenção de resultados. Segundo a presidente da Associação de Nutrição do Distrito Federal (ANDF), Simone Cunha, é imprescindível adotar bons hábitos alimentares, respeitando as características individuais e dos treinos. Outro fator importante é o monitoramento e a avaliação física, pois o atleta acompanha a evolução e vê a melhora na performance.

A dieta do praticante dessa atividade deve conter alimentos ricos em carboidratos complexos, de boa qualidade, como massas, pães integrais e tubérculos — batatas (doce e baroa), mandioca, entre outros. Proteínas também são essenciais, pois possuem um alto valor biológico, tais como: peixe, carne vermelha, ovos, leguminosas, vitaminas e minerais (frutas vermelhas e folhas escuras). “A boa alimentação previne problemas associados aos treinos, que podem desencorajar a prática”, aponta.
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
* Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte 
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