Doenças neurológicas também afetam os pets

Como os humanos, os animais de estimação também são surpreendidos por problemas neurológicos, que podem ser superados com tratamento e muita atenção

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postado em 17/09/2017 08:00 / atualizado em 14/09/2017 14:39

Os animais também sofrem com doenças neurológicas. As causas variam e podem ter origem em processos infecciosos ou inflamatórios, degenerativos, compressivos ou traumáticos. Os problemas neurológicos podem até paralisar os membros, mas os bichos revelam uma grande capacidade de superação. Tratados, vão recuperando a qualidade de vida.

O diagnóstico é complexo, explica o neurocirurgião e ortopedista veterinário Sandro Alex Stefanes. Se a lesão é craniana, podem haver convulsões e alteração comportamental. Já a medular provoca alterações de mobilidade, que variam da dificuldade de andar à paralisia total, dores, alterações nas funções fisiológicas. Outras atacam nervos periféricos e podem  afetar  até a respiração.

Muitas enfermidades não neurológicas, diz Stefanes,  causam lesões no sistema nervoso. “Umas podem se tornar tão graves quanto a hérnia de disco aguda, que precisa ser operada em questão de horas.” Outro exemplo são as fraturas na coluna. Podem provocar paraplegia ou tetraplegia. “As afecções neurológicas devem ser tidas como relevantes, afinal estão na ‘rede elétrica’ do nosso organismo, que comanda o resto do corpo”, enfatiza.

Para a médica veterinária especialista em saúde pública e doenças infecciosas Carla Janeiro Coiro,  são comuns as doenças imunomediadas, em que o sistema imune ataca o próprio corpo. “Isso pode ocorrer por motivos variados e nem sempre esclarecidos. No caso das doenças neurológicas, podemos citar a meningoencefalite granulomatosa, apesar de a etiologia não ter sido totalmente elucidada.”

Força, Baruk! 

Arquivo Pessoal
 
A auxiliar veterinária Waléria da Silva Caetano, 31 anos, era fã da dupla Sandy e Júnior, na infância. Como boa parte das crianças da época, espalhava pôsteres da dupla pelas paredes do quarto. Em uma série na televisão, Sandy tinha um cachorro da raça bernese e isso alimentou o sonho da menina pelo animal. Como a raça é cara, ela só podia curtir as imagens pela internet . Começou, então, a entrar em grupos específicos sobre o cão no Facebook .

Há dois anos, Waléria descobriu que estavam doando um bernese já adulto, o Baruk, que tem histórico de vida emocionante. Os donos morreram em um acidente e o cachorro passou a viver na casa de um amigo do casal. Mas a esposa do rapaz que o acolheu adoeceu, as despesas eram altas e ele foi doado para uma paulista.

Outra mudança se seguiu. O bernese é de porte grande e a nova dona já tinha  três cães. A casa era pequena para os quatro e, assim, a imagem de Baruk voltou a circular na internet em busca de um lar. O anúncio pedia R$ 1 mil por ele, “para cobrir os gastos”. A fã de Sandy não titubeou em  pagar e contou com a ajuda de amigos para buscar o cão.  “Eles chegaram dizendo: ‘ Waléria, aqui está seu presente’. E foi a maior alegria! Amor à primeira vista”, emociona-se.

Baruk e Waléria se tornaram inseparáveis. Mas o final feliz ainda estava longe. Logo que chegou à nova casa, em Goiânia, ele teve problemas na próstata que o impediam de defecar, sentia dores e dificuldades para levantar. O primeiro laudo apontou displasia na pata. As orientações foram seguidas à risca, mas ele não melhorava. O erro no diagnóstico foi fatal. As medicações pesadas sobrecarregaram os rins e transformaram Baruk em um cão renal crônico. Era o início de uma saga de idas e vindas a consultórios veterinários e pesquisas para descobrir a causa do problema.

Waléria, então, emcontrou informações sobre a terapia de shock wave, um método não invasivo que usa ondas de choque para estimular a regeneração de áreas, adotada por uma médica de Brasília. Contatou a especialista, que lhe indicou um veterinário. O novo diagnóstico mostrou que o problema era hérnia de disco. “O doutor disse que se tivesse demorado mais, Baruk teria incontinência urinária e fecal. O cérebro deixaria de passar informações para esse controle”, lembra .

Para custear a cirurgia e a recuperação, algo em torno de R$ 8 mil, Waléria e a família  fizeram campanha — Força, Baruk! — nas redes sociais. Venderam camisetas, copos e outra peças e conseguiram o valor. Mas o tratamento ainda depende da campanha, que  segue na página  facebook.com/forcabaruk. “Baruk precisará sempre, por conta do problema renal. A gente não vai desistir dele”, justifica Waléria.

A advogada Mayra Campello, 53 anos, cria seis cães e um persa. Quatro são da raça doberman, como a cadela Felícia Brant, 7 anos, que ela trouxe de São Paulo. Ao chegar em casa, Mayra reparou que Felicia não corria nem brincava como uma boa representante da raça.  “Era quieta e brava. Não conseguia brincar como os outros”, relembra.
Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
Quando emprenhou pela primeira vez, Felícia teve 13 filhotes. Um dia ela caiu e não conseguiu se levantar. O diagnóstico revelou duas hérnias na coluna e síndrome de wobbler, uma doença de nascença. A cadela passou por uma cirurgia, mas ficou sem andar por 40 dias. Quando voltou a dar os primeiros passos “foi a maior alegria”, conta a advogada.

Mas logo a tristeza bateu de volta. Felícia teve botulismo e voltou a ficar sem andar. Foi salva, mais uma vez, pelo zelo da dona. “Se fosse outra pessoa, talvez tivessem feito eutanásia. Não teriam aguentado tanta coisa assim”, diz Mayra. A superação de Felícia é resultado de uma rotina amorosa de cuidados. A cadela conta com duas refeições light, pois tem hipotiroidismo e precisa de comida mais leve, e faz natação periodicamente. “Todos os bichos fazem e tem uns que nadam pior que ela”, anima-se Mayra.

Terapias para a qualidade de vida

Terapia celular
Consiste no uso de células-tronco. Pode diminuir os processos inflamatórios e reestruturar o tecido nervoso.

Medicina chinesa
Acupuntura veterinária. A técnica baseia-se no estímulo de pontos específicos no organismo, por meio de agulhas, calor, laser ou fármacos. Em casos de alterações neurológicas, principalmente de paralisia, a acupuntura tem apresentado resultados bastante positivos, aumentando as chances de sobrevivência e qualidade de vida ao animal.

Fonte: Carla Janeiro Coiro, médica veterinária e mestre em doenças tropicais pela Faculdade de Medicina Unesp/Botucatu.

Agradecimentos
Ortotec Vet. facebook.com/ortotec.vet
 
 
 
*Estagiário sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio 
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