[an error occurred while processing this directive] O surgimento das águas com cores - Revista do Correio Braziliense

O surgimento das águas com cores

Vem aí a moda da água preta, mas nutricionistas recomendam cuidado, para não sobrecarregar o corpo

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postado em 17/09/2017 08:00 / atualizado em 14/09/2017 15:51

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Nesta seca de Brasília que parece não ter fim, manter-se hidratado é essencial. Em média, uma pessoa normal perde cerca de 2,6 litros de água por dia, sem fazer nenhum exercício intenso. No calor, na seca, essa quantidade pode aumentar. Se, ainda por cima, ela fizer atividade física, coisa que envolve muito suor, o gasto pode aumentar em até 1 litro.

O alergista Gustavo Fabo explica que a mucosa do pulmão e da via aérea superior funciona melhor quando se está hidratado. Ele ressalta que essa é uma importante medida para prevenção de crises alérgicas respiratórias. “Perdemos água na respiração e na transpiração, então, devemos beber água o dia inteiro e lavar as vias respiratórias com soro fisiológico”, afirma.

Mas nem toda água é igual. Elas têm diferentes pH, ou seja, podem ser mais ácidas ou mais alcalinas. Muitos defendem a ingestão da água alcalina, já que nosso sangue também é mais básico. Para o nutricionista, gastrônomo e professor de nutrição do Iesb Guilherme Theodoro de Oliveira, no entanto, cada pessoa tem uma necessidade diferente e só uma avaliação individual pode identificá-la.

Entre as diferentes águas, há também novidades. Prestes a ser lançada no Brasil, a água preta pretende encantar atletas. Com mais de 70 sais minerais e pH alcalino, ela promete ser insípida (sem gosto) e inodora. Somente não incolor. Da mesma forma que as famosas bebidas isotônicas, a água preta reporia eletrólitos após a perda de muita água, como quando se faz muito exercício. “A vantagem sobre um Gatorade ou alguma bebida do tipo é que ela não tem sódio”, afirma Fábio Mintz, representante da marca Blk. no Brasil.

A legislação brasileira, porém, não reconhece a água preta como água, pois, com tantos minerais, ela ultrapassa o limite estabelecido. Segundo Guilherme, uma pessoa que não tenha feito nenhuma atividade física nem perdido uma grande quantidade de líquido e tome a água preta apenas por tomar só vai desregular o próprio metabolismo. Sobrecarregará o corpo de minerais desnecessários e terá dificuldade para liberá-los.

 

Questão de costume

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Tudo que ingerimos pode nos hidratar de alguma forma. Muitas frutas, inclusive, têm uma porcentagem alta de água. Mas substituir água por outros líquidos pode ser problemático. Refrigerantes, águas saborizadas industrializadas ou mesmo sucos têm outros componentes que sobrecarregam o metabolismo, como açúcar, sódio, conservantes e corantes. Essas substâncias podem precisar ainda de mais água para serem excretadas por meio do xixi.

As águas com sabores, de acordo com a legislação, nem mesmo são águas de verdade. A partir do momento em que são incluídos aromatizantes, sucos ou outros compostos, não podem ser classificadas assim. “Esses aditivos alteram o metabolismo da água no nosso corpo, inclusive sequestrando água das células, caso tenham muito sal”, explica Guilherme Theodoro. Para ele, saudável mesmo é beber a água tradicional.

Mas há também espaço para as águas com gás. Pesquisa realizada na Universidade de Nápoles, na Itália, dividiu pacientes com dispepsia ou constipação frequentes em dois grupos. Cada um deveria consumir exclusivamente água com gás ou água sem gás por 15 dias. Os dois grupos tiveram suas condições melhoradas com a água com gás, e a condição continuou a mesma ingerindo água do filtro.

Com algumas gotas de limão, a água com gás pode ser uma boa substituta para as águas saborizadas e até para refrigerantes. É tudo questão de costume. O importante é manter-se hidratado.
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