Food truck vira rede de lojas com talento de chef do The Black Beef

Com a veia culinária herdada do pai e talento para empreender, Deco Sadigursky cria hambúrguer artesanal e multiplica franquias em tempo recorde

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postado em 24/09/2017 08:00 / atualizado em 25/09/2017 10:49


 
A trajetória gastronômica de Deco Sadigursky é o que se pode chamar de um case de sucesso. Em pouco mais de três anos, ele transformou um food truck de hambúrguer artesanal, em Maceió, em uma rede de lojas espalhadas pelo Brasil e com previsão de chegar ao exterior. Só em Brasília, além da unidade do The Black Beef na Asa Sul, duas outras serão abertas até o fim do ano, no Sudoeste e em Águas Claras.

A paixão de Deco pela arte da culinária é antiga. Cresceu vendo o pai, ótimo cozinheiro, às voltas com as panelas e, desde cedo, arriscava as próprias criações. Os pais, inclusive, são donos de uma empresa de bufê, em Salvador, há quase três décadas. Por influência deles, porém, acabou cursando relações internacionais. Ao perceber que não tinha vocação para a coisa, estudou fisioterapia. Até trabalhou na área por dois anos, na área desportiva, mas, novamente, percebeu que não era a sua praia.

Decidiu, então, tirar um período sabático e, por duas ocasiões, se mudou para os Estados Unidos. Na primeira, morou em Nova Jersey; na segunda, em Nova York. Apesar de ter apenas 34 anos, Deco é cheio de “causos” para contar, como da vez em que ficou hospedado na casa de uma família muito rica de Manhattan. “Uma amiga estava vivendo lá, falou com os donos e eles deixaram eu passar um tempo por lá também. No primeiro dia, já tarde da noite, estava preparando algo para comer, quando chegou o dono da casa e pediu para provar a comida. Gostou tanto que me fez uma proposta: ele me daria 25 dólares por dia para eu deixar o jantar pronto toda noite.”
Minervino Junior/CB/D.A Press
Deco também foi dogwalker — “saía com vários cachorros para passear no Central Park e sempre ganhava uma gorjeta generosa” — e trabalhou em um restaurante mexicano. Como já tinha uma certa habilidade com as panelas, acabou como assistente de cozinha. “Aprendi muito nesse período”, garante. Em 2008, o baiano foi morar em Maceió, onde vivia a namorada, e aproveitou a familiaridade com a culinária mexicana para se tornar personal chef desse tipo de cozinha. Aos poucos, começou a ganhar fama na cidade, conheceu alguns dos chefs mais badalados do local e decidiu cursar a faculdade de gastronomia. Daí, expandiu os horizontes. Passou a dar consultoria para resorts e a criar cardápio para alguns restaurantes.

Em 2013, diante do boom dos food trucks em São Paulo, viu que seria uma boa oportunidade de investimento em Maceió — até então, segundo ele, a cidade só tinha um, de comida japonesa, e outro de drinques. Passou meses estudando e desenvolvendo receitas de hambúrgueres artesanais e, em junho de 2014, abriu o The Black Beef. “Alugamos o estacionamento de uma loja de artigos para bebê em Jatiúca, bairro nobre de Maceió. Quando eles fechavam as portas, por volta das 17h, nós chegávamos com o nosso food truck. Funcionávamos das 18h à meia-noite. Depois, desmontávamos tudo para deixar o estacionamento livre para o dia seguinte”, relembra.

Para a inauguração, o chef planejou vender 50 hambúrgueres durante a noite. “Acabou tudo em pouco mais de uma hora. Na segunda semana, aumentamos para 90 e, em três meses, já estávamos vendendo 250 unidades.” Deco conta, então, outro “causo” divertido. Como o food truck era muito pequeno, ele não tinha um espaço para pôr o caixa e o estoque. “Liguei, então, para um tio, que tem uma clínica em Salvador, e perguntei se ele não tinha uma ambulância velha para me vender. Ele me ofereceu, de graça, uma que estava toda esburacada, com IPVA vencido e cheia de multas”, recorda-se. Como não ia circular com o veículo, topou na hora a oferta. “Fui buscá-la em Salvador. Daí, pensei: como vou levá-la para Maceió? Comprei uma sirene para ambulância e fui com ela ligada de Salvador para Maceió”, diverte-se.

O sucesso do food truck foi tanto que, pouco tempo depois, o chef foi convidado por três investidores do mercado financeiro para uma conversa. Eles propuseram sociedade e expansão dos negócios para lojas físicas. “Daí, descobri que estava trabalhando com um nicho de mercado que nem sabia, o fast casual.” Deco explica a diferença: existe o fast food, que trabalha com descartáveis, sem garçom, com a oferta de alimentos rápidos, baratos e de baixa qualidade. “O fast casual tem as mesmas características, mas trabalha com produtos de boa qualidade.” E como consegue manter os preços baixos? “Trabalhando apenas com fornecedores locais. Isso barateia os custos”, garante.

Com os novos sócios, o The Black Beef começou a estudar a expansão e a possibilidade de transformar o negócio em franquia. O food truck de Maceió se tornou uma loja fixa, coincidentemente, onde tudo começou. “Compramos a loja de bebê e nos estabelecemos lá.” Paralelamente, contrataram uma consultoria e descobriram que o mercado gastronômico com clientes mais exigentes era o de São Paulo, seguido por Brasília. “Como a capital é uma cidade menor, decidimos testar a expansão por aqui.” Assim chegava, havia pouco mais de dois meses, o TBF na Asa Sul. “O retorno foi fantástico, por isso, já começamos a expansão pelo Sudoeste e por Águas Claras. Em breve, também estaremos em Goiânia.”

Em São Paulo, fecharam contrato com um franqueado master, que inaugurou a primeira loja no Shopping Vila Olímpia e abrirá mais duas em poucos meses, uma inclusive na Avenida Paulista. “Em breve, estaremos também em Natal, São Luís, Lisboa e no Porto”, comemora. No cardápio, Deco mantém oito tipos de hambúrguer e, a partir de outubro, lançará uma novidade: o sanduíche do chef. “A cada mês, colocaremos uma receita diferente”. O pão artesanal, receita de Deco, chega fresquinho diariamente à loja, assim como as carnes, que, segundo garante, são de primeira qualidade. Uma história realmente de sucesso.


Red hot cheese peppers

(Burger de costela bovina, maionese de chipotle, muçarela, picles de cebola e farofa de bacon)
Minervino Junior/CB/D.A Press

O hambúrguer
Ingredientes
640g de costela bovina moída
Pimenta
Sal
Picles de cebola roxa (com ou sem pimenta dedo de moça)
3 cebolas roxas
1 pimenta dedo-de-moça (opcional)
350ml de vinagre de maçã
250g de açúcar
30g de gengibre
1/4 colher de sopa de sal
Queijo muçarela

Modo de fazer
1. Corte as cebolas e a pimenta ao meio  (sem semente) e doure em uma grelha ou frigideira. Reserve.
2. Misture todos os outros ingredientes até levantar fervura. Desligue o fogo e coloque as cebolas e a pimenta dentro do líquido. Reserve na geladeira.
3. Aguarde pelo menos um dia.
4. Tempere a carne com sal e pimenta a gosto e modele em forma de hambúrguer. Grelhe e acrescente o líquido previamente preparado, assim como a falsa maionese de chipotle (veja a receita abaixo), a farofa de bacon (bacon frito e triturado) e o queijo muçarela.
 
 

Falsa maionese de chipotle

Ingredientes
Pimenta chipotle (a gosto)
1 potinho de cream cheese
1/4 do maço de salsa
1/4 do maço de cebolinha
1 colher de café de páprica picante
1 colher de sopa de creme de leite

Modo de fazer
1. Misture todos os ingredientes.
2. Serve quatro hambúrgueres
 
 

Serviço

The Black Beef
SCLS 402, Bloco B, Loja 25
Telefone: (61) 3225-7991
Tem espaço para pets
Abre de segunda a quinta, das  11h às 16h, e das 18h às 23h, sextas e sábados, a casa fecha à 1h
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