Paixões e brincadeiras de infância deram início ao Don Romano

À frente do tradicional Don Romano, irmãos se divertem com as lembranças de quando assaram a primeira pizza e vestiram o uniforme de garçom, ainda crianças

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postado em 01/10/2017 08:00 / atualizado em 29/09/2017 14:02

Uma das brincadeiras preferidas dos irmãos Antonio Marcos, Eduardo e Estevão Cazzoli era roubar o caderno de receitas do pai e tentar executar os pratos de forma diferente. “Nunca dava certo e sempre voltávamos para a receita original”, diverte-se o primogênito, Antonio Marcos, conhecido por todos como Toco. Eles, ao lado de outros dois irmãos, foram criados entre a cozinha e o salão do restaurante italiano Don Romano, que abriu as portas há 29 anos em Brasília.

Mas a história começou bem antes disso. Filho de italianos, Antonio Cazzoli, o patriarca, sempre amou as panelas. E, ao se casar com a pernambucana Sônia Pimentel, também uma cozinheira de mão cheia, a paixão pela gastronomia se intensificou. A casa dos dois vivia cheia de amigos, sempre prontos a degustar as delícias preparadas pelo casal. A intimação veio justamente dos convidados: eles precisavam abrir um restaurante.

Na época, a família Cazzoli morava em Tucuruí, no Pará, onde Sônia e Antonio trabalhavam na construção da hidrelétrica. Foi lá, em 1984, que o primeiro Don Romano abriu as portas, no antigo refeitório de uma construtora. Dois anos depois, quando voltaram para Jaú, interior de São Paulo, o restaurante também mudou de cidade.

Mas o endereço mais duradouro viria em 1988. Naquele ano, Sônia recebeu um convite para trabalhar como secretária executiva de uma construtora e todos se mudaram para Brasília. O Don Romano ganhou novo lar: a 203 Norte. Toda a família arregaçou as mangas para que o empreendimento virasse um sucesso.
Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press

“Se fosse nos dias de hoje, o meu pai estaria preso por trabalho infantil”, brinca Eduardo, que aos 12 anos assou a primeira pizza. Estevão, o caçula, lembra que aos 9 anos vestia o uniforme de garçom e servia as mesas com maestria. “Eu me sentia o dono do salão. Morria de ciúmes e trocava sopapos com meus irmãos para defender o meu espaço”, brinca.

Dez anos depois, em 1998, a Don Romano abriu a primeira filial, na 212 Sul, e, em 2000, foi a vez de inaugurar a unidade do Lago Sul — a única ainda aberta até hoje. “As três casas chegaram a funcionar ao mesmo tempo”, recorda-se Toco, que, durante essas quase três décadas, nunca se afastou dos negócios da família.

Os irmãos contam que o cardápio original foi montado por seu Antonio, mas a cozinha era mesmo tocada por dona Sônia. “O meu pai, porém, sempre levava os louros, e a minha mãe ficava danada da vida”, diverte-se Eduardo. Eles lembram que, aos domingos, era tradição nas casas da Asa Sul e da Asa Norte servir um cabrito à italiana. Vinha gente de fora só para comer a iguaria.

“Meu pai ficava no caixa e todos que saíam iam lá cumprimentá-lo: ‘Delicioso como sempre, seu Cazzoli’, repetiam. Só que quem tinha matado, temperado e preparado o cabrito tinha sido minha mãe. Mas ele aceitava os elogios de bom grado”, riem os três.

Hoje, Toco está à frente da administração da casa do Lago Sul e Eduardo e Estevão se revezam no comando da cozinha. Muitos dos empregados são os mesmos desde a inauguração e o cardápio se mantém 80% original, apenas com algumas mudanças pontuais. “Somos uma grande família”, garante Estevão, que fez faculdade de gastronomia em Águas de São Pedro, no interior de São Paulo.

Autodidata, Eduardo tenta também dar o seu toque nas receitas do pai. “Precisamos, claro, fazer uns ajustes. Afinal, o cardápio tinha sido montado na década de 1980. Mas, no início, houve muita resistência por parte dos clientes.” Hoje, os chefs também têm a seu favor o fato de poderem contar com acesso mais fácil a uma grande variedade de ingredientes. “Quem viveu os anos 1980 e 1990 sabe bem do que estou falando, do quanto era difícil ter acesso a produtos de boa qualidade”, diz Toco.

O Fettuccine Alla Cazzoli servido no restaurante, e que os leitores podem conferir na receita acima, é um exemplo disso. Criação de Eduardo, ele leva um ingrediente ainda pouco conhecido: o alho negro. “Ele dá um sabor muito especial à comida. Aqui, utilizamos na receita desse fettuccine, de uma carne e de uma pizza”, explica.

Os filhos também têm buscado algumas inovações. Recentemente, passaram a promover o aniversário solidário, que funciona assim: a casa cria uma receita especialmente para o aniversariante, de acordo com as preferências gastronômicas dele. Para cada prato pedido pelos convidados, um quilo de alimento é doado a uma instituição que abriga crianças carentes.

Mas, para os conservadores, que não abrem mão dos pratos da época do antigo Don Romano, o velho e bom Filé à Parmeggiana continua lá, assim como o Filé do Papai e as tradicionais pizzas e massas feitas na casa. “Em alguns domingos, inclusive, ainda oferecemos o cabrito à italiana”, reforça Estevão. Os elogios, agora, podem ir para os filhos do seu Cazzoli.

Fettuccine Alla Cazzoli

Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
Ingredientes
150g de camarões
200g de fettuccine
20g de alho negro
50g de farinha de trigo
1 litro de creme de leite fresco
80ml de vinho branco seco
Azeite

Modo de fazer
1. Descasque e limpe os camarões. Reserve.
2. Leve o creme de leite ao fogo e, em outro recipiente, misture bem a farinha de trigo e o vinho com um fouet.
3. Quando o creme de leite começar a levantar fervura, acrescente a massa batida e mexa fortemente. Baixe o fogo e deixe cozinhar por aproximadamente 20 minutos, sempre mexendo de vez em quando, até o molho reduzir.
4. Esse molho pode ser guardado na geladeira por até cinco dias, sempre em recipiente fechado.
5. Em uma frigideira com azeite, coloque o alho negro e vá amassando com um garfo. Quando estiver desmanchado, coloque 1 e ½ concha do molho (ou quanto preferir) e vá mexendo.
6. Acrescente o camarão e o deixe cozinhar por cerca de 3 minutos.
7. Coloque o fettuccine, previamente cozido no ponto de sua preferência, e dê uma rápida mexida. Sirva quente.

Serviço

Don Romano Cantina & Pizzaria
SHIS QI 11, Bloco F, Lojas 30 a 46, Lago Sul
Telefone: (61) 3248-0078
Aberto de segunda a domingo, das 11h30 às 23h30, e sexta e sábado, até à 0h
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