Bichos

É importante ficar de olho (sempre) na balança do seu cãozinho

Resistir ao olhar de pidão dos cãezinhos com tendência a engordar não é nada fácil, mas ceder pode contribuir para que passem do peso. Obesidade provoca doenças e pode ser fatal

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postado em 01/10/2017 08:00 / atualizado em 29/09/2017 15:04

Os cuidados com os pets, como banho semanal, roupinhas para proteger do frio, passeios diários e carinho de sobra nunca são demais. O mimo em excesso só se torna um problema quando os tutores passam a querer agradar os cães por meio de petiscos exagerados, um pouquinho mais da quantidade ideal de ração ou até mesmo comidas próprias só para humanos. 

A incidência de obesidade animal está seguindo o ritmo de crescimento e gravidade da humana. E o risco de sobrepeso é maior quando a raça do cãozinho tem predisposição para o problema. Dentre as linhagens mais afetadas estão os labradores, golden retrievers, pugs, beagles, dachshunds (salsichinha), rottweilers, basset hounds e buldogues ingleses. 

A médica veterinária Lorena Bastos, clínica geral e cirurgiã da Salud Pet, explica que, embora todas as raças estejam sujeitas à obesidade, além do estilo de vida do animal, as particularidades hereditárias também têm grande influência.

Os criadores tendem a realizar cruzamentos de animais para perpetuar certas características, muitas vezes sem se ater aos genes negativos que podem passar junto. O uso de animais consanguíneos, mesmos pais ou mães, é comum nessas práticas, diz Lorena. “Com isso, muitos problemas genéticos se mantêm, e a obesidade é um deles.”

A beagle Lolla, de 4 anos, vive um dilema com a balança. Há um ano, em uma visita ao veterinário, a cirurgiã-dentista Ariella Oumori, 26, descobriu que a cadelinha estava bem acima do peso ideal, beirando os 20kg. “Apesar de  amigos afirmarem que ela estava gordinha, nunca esquentei a cabeça. Só depois que o veterinário alertou para o problema, comecei a prestar mais atenção e a tomar  cuidado”, explica.

Ariella nunca havia pensado que Lolla pudesse ter o transtorno. Mas, quando soube dos riscos que a obesidade oferece, passou a ter cautela quanto aos hábitos da cadela. A ração agora é light e na exata quantidade indicada para a raça e a idade. 

Caminhadas divertidas também são frequentes. “Levamos brinquedos de jogar para ela correr e buscar. Assim, gasta mais energia do que num simples passeio.”

Além disso, sempre que possível Ariella deixa Lolla em um hotel para cachorros, onde eles brincam e correm o dia todo e interagem uns com os outros. Tudo para fazer sua pet gastar bastante energia. Mesmo assim, Lolla ainda está com 17kg, acima do peso ideal — algo em torno de 8 a 13kg para a fêmea da raça.
Carlos Vieira/CB/D.A Press

Sempre alerta

Mas Ariella não vai desistir. Sabe que os cuidados são essenciais para prevenir consequências que prejudiquem o bem-estar e a qualidade de vida da cadelinha. “Queremos evitar distúrbios como pressão alta, diabetes, doenças cardiovasculares, articulares, respiratórias e muitas outras, como nos foi dito pelo veterinário.” 

Toda atenção é pouca e Ariella aproveita para alerta as outras famílias: “É importante seguir a orientação sobre a quantidade de ração ideal e não oferecer guloseimas que nós comemos, pois o cachorro come tudo que lhe é ofertado”.

Para o médico veterinário e fundador da loja virtual Petlove, Márcio Waldman, a atenção deve ser redobrada quando o cãozinho começa a engordar. Ele ressalta a relevância das consultas médicas. “As pesagens mensais ou quinzenais do pet são importantes para que haja, caso necessário, uma mudança na alimentação.”

Dentre os hábitos a serem corrigidos, o primeiro passo sempre se resume à troca de ração. “A normal poderá ser substituída pela ração light ou terapêutica quando o peso do bichinho começar a aumentar. Em paralelo, hábitos saudáveis, como exercício físico, ajudam a evitar a obesidade”, orienta Waldman.

Dobrinhas perigosas

Diversas complicações podem advir da obesidade, direta ou indiretamente. Entre as doenças mais comuns estão os problemas articulares, de pele e diabetes, por exemplo. A médica veterinária Lorena Bastos esclarece que quanto maior o peso, mais força é direcionada às articulações, podendo levar à artrite e artrose.

“Dobrinhas na pele favorecem o crescimento de bactérias e fungos, podendo causar inúmeras infecções”, alerta a médica. Coração, rins, fígado e pâncreas também podem ser afetados pelo sobrepeso. Por terem que sustentar seu funcionamento para uma massa maior, esses órgãos podem acabar sobrecarregados, o que compromete sua função.

Outro problema é a regulação de temperatura. “A capa de gordura no subcutâneo impede uma apropriada perda de calor do interior para o meio externo, dificultando o resfriamento do corpo do animal e exigindo mais da troca de calor pela respiração. Isso sobrecarrega pulmões e coração”, explica Lorena. Esse problema é mais grave em raças de focinho curto.

De acordo com Lorena, a maioria desses fatores pode levar a óbito. Muitas vezes o tutor ou o veterinário não associam a doença diagnosticada com a obesidade, o que pode fazer com que o distúrbio não seja tratado como uma alteração grave. A servidora pública Evelaine Rocha, 36, quando se interessou pelos pugs, logo soube da fama de gulosa da raça.

Assim, desde o primeiro momento, fez questão de acompanhar de perto o peso da dupla Mooby, 6 anos, e Romeu, 4. “Desde pequenininhos observo o peso dos dois e percebo que basta qualquer descuido para que ele suba rapidamente.” A dieta é o foco principal para controlar qualquer alteração. A ração é light, com redução de gorduras. Petiscos de humanos? De maneira alguma!

Evelaine aponta outros cuidados importantes. “Faço questão que eles mantenham uma rotina de atividade física que inclui dois ou três passeios em horários menos quentes, para respeitar a respiração, pois são cães com certa dificuldade para respirar.”

Pesando 8,2kg e 7,9kg, Mooby e Romeu ainda estão dentro do peso ideal, que varia entre 6 e 9kg. Porém, qualquer vacilo pode provocar sobrepeso. “O veterinário disse que, para o tamanho deles, os dois estão na média. Mas esse é o limite, não pode aumentar mais.”

Mooby e Romeu estão sempre em volta da mesa e pedindo petisco. Mas a servidora pública resiste às carinhas de pidão. “Quem ama cuida. Ressalto que é essencial não deixar os pets fazerem a nossa cabeça. Eles são como crianças e não sabem o mal que determinadas coisas podem lhes causar. Cabe aos tutores determinar isso.”
Arquivo Pessoal

Alerta contra o sobrepeso

  • Se engordarem demais, os cães podem ter problemas de pressão alta, diabetes, doenças cardiovasculares, nas articulações, e muitas outras. Veja os principais cuidados para prevenir riscos:
  • Dar apenas a quantidade de ração recomendada para o tamanho e idade.
  • Controlar os petiscos; agrado, só na hora certa.
  • Pesar o pet com tendência à obesidade todo mês ou a cada quinzena, para adequar a alimentação.
  • Levá-los para passear e praticar exercícios para que gastem energia.



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