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Self Storage é quase um pedacinho da casa dos brasilienses

Novo conceito de guardar coisas oferece solução temporária para quem não quer se desfazer de objetos e até de móveis

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postado em 15/10/2017 08:00 / atualizado em 16/10/2017 14:14

Carlos Vieira/CB/D.A Press
Brasília mostra abertura para diversificados tipos de mercado e um deles é o de espaços para guardar coisas das quais as pessoas não querem ou não podem se desfazer, mas não têm, temporariamente, onde colocar. Embora o serviço exista na Europa e nos Estados Unidos há mais de 50 anos,  apenas recentemente empresas começaram a investir por aqui no self storage — termo inglês para designar a nova modalidade de guardar móveis e outros objetos, em boxes bem organizados e protegidos.

A modalidade de serviço cativa brasilienses como Felipe Henrique Campos, 31 anos, pelo conceito de organização e facilidade de acesso aos bens guardados. Empresário e amante do automobilismo, ele faz uso do serviço há mais de seis meses, para resolver o problema da falta de espaço em casa. Em um boxe com pouco mais de 5 metros quadrados, ele e a mulher guardam a decoração de Natal, peças de carro e objetos de estimação.

No self storage, Felipe abriga um jogo de rodas importado de carro de corrida, com segurança. Lá, o monitoramento é feito 24 horas. Além da proteção por senhas de acesso, há uma entrada exclusiva para os clientes. Os corredores são sinalizados com nomes de ruas, para evitar que as pessoas se percam pelo caminho. E as chaves ficam com os próprios usuários, que podem ir ao local quando bem entenderem.

Felipe aproveita as condições para acomodar suas preciosidades. “Guardei lá meu equipamento de alinhamento de automóveis a laser. É um objeto muito delicado e frágil para ficar em qualquer lugar. Enquanto não temos corridas, eu o deixo quietinho no espaço que aluguei.” Outro acessório de estimação é um par de bancos de couro, de corrida, que usou durante dois anos, até vender o antigo carro. Ele o guarda para a possibilidade de voltar a usá-lo um dia.

Diferencial

Bruno Lobo, 31 anos, sócio da Selfstock, na Cidade do Automóvel, revela que o empreendimento levou cerca de três anos para estrear, da ideia à inauguração, em 2016. “Ficamos um bom tempo desenvolvendo o projeto. Viajamos aos Estados Unidos para ver como funciona o mercado, os tipos de materiais usados, as medidas, os estilos, para trazer a Brasília um conceito tradicional e original.” A variedade de tamanho dos espaços oferecidos, segundo ele, é um diferencial que facilita a vida das pessoas.

O empresário dá o exemplo do aposentado Paulo de Alencar, 56 anos, que se desfez de quase tudo quando se mudou para os Estados Unidos, mas não quis ficar sem as suas varas de pescar de estimação. Há pouco mais de um ano, aluga um locker (armário) de dois metros cúbicos na Selfstock. Por ser bem arejado e limpo, o local foi escolhido por Paulo para acomodar com cuidado o equipamento de seu hobby.

No Home Stock, localizado na Asa Norte, a diretora comercial Cintia Gonçalves de Oliveira Chaves, 48 anos, conta que os clientes chegam até a empresa por meio da internet. São pessoas físicas e empresas privadas e públicas, de pequeno, médio e grande portes, que armazenam objetos de todos os tipos — de móveis a documentos, livros, motos, carros, instrumentos musicais, etc. Ela apenas loca o espaço. “A empresa é um self, o cliente é que faz o serviço, transporta e carrega seus bens para dentro do boxe”, explica.

Essa liberdade influiu na escolha da fotógrafa Lorena Almeida, 33 anos, na hora de definir onde ficaria temporariamente, enquanto reformava a sala que usava. Ela alugou um boxe de quase seis metros quadrados para trabalhar nesse período, e se surpreendeu com os bons resultados. Se o estúdio em reforma não estivesse em um espaço próprio, diz Lorena, o boxe se tornaria o seu local fixo de trabalho.

Após conquistar a aposentadoria, Heli Alves Ferreira Filho, 59 anos, resolveu realizar um sonho antigo e descobriu que o serviço o ajudaria. Em busca de melhor qualidade de vida, ele vai com a família passar uma temporada em Portugal.

Com a viagem programada, Heli anunciou o apartamento para alugar e procurou um local onde pudesse armazenar todos os móveis e objetos que não levaria na mudança. “Descobri um self storage no Facebook e optei por locar o espaço enquanto estivermos fora. Temos algumas peças únicas, que têm um significado especial para a nossa família, marcam cada época de nossas vidas”, conta.

O motivo sentimental também levou o analista de suporte Adalberto Oliveira, 47 anos, a jamais se desfazer das coleções de livros de sua infância e DVDs. Os objetos fizeram parte do seu crescimento e formação pessoal, revela. Sem espaço e preocupado em manter muito bem protegidas essas memórias especiais, a solução foi recorrer ao self storage.

Bens pessoais

  • 85% dos usuários de self storage no Brasil são pessoas físicas, enquanto
  • 15% apenas são empresas

Fonte: Engebanc Real Estate

Livre escolha

  • O usuário pode armazenar pertences pessoais, utensílios domésticos, carros, móveis e outros objetos.
  • Os espaços — boxes ou lockers, conforme as características e o tamanho — medem a partir de um metro quadrado.
  • O serviço pode ser contratado por períodos que variam de um mês a anos.
  • O acesso é livre. O usuário pode guardar ou retirar os pertences na hora que quiser.
  • O espaço é protegido por câmeras e seguranças, 24 horas.
  • O cliente paga um seguro, de acordo com sua necessidade, para prevenir roubos, perdas ou acidentes.
  • Há empresas que oferecem sala de reunião confortável, com ar-condicionado e wi-fi, para uso dos clientes.
Carlos Vieira/CB/D.A Press

*Estagiária sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio 
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