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Por que pessoas inteligentes também fazem coisas tolas?

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postado em 15/10/2017 08:00 / atualizado em 13/10/2017 18:20

Todo mundo sabe contar um caso de uma pessoa inteligente que dá seus tropeços inexplicáveis. Ficamos pensando: puxa mas é tão inteligente, como pode?

A ferramenta mais usada para se medir a inteligência de uma pessoa é a medida de seu QI, que inclui testes visuoespaciais, conhecimento matemático e de vocabulário, entre outros testes. Mas o QI não diz tudo. 

É claro que vale a pena ser inteligente e sabemos que isso tem um forte componente genético. Pessoas inteligentes têm mais sucesso acadêmico e no trabalho, além de terem menos chances de se meterem em encrenca. Apesar dessas vantagens, a inteligência não garante o sucesso em outras dimensões, como o bem estar e longevidade.  

O pensamento crítico é algo diferente. Este sim está associado às medidas de bem estar e longevidade. Ele é um conjunto de habilidades cognitivas que nos ajuda a pensar racionalmente e de forma orientada.

Uma pessoa com alto grau de pensamento crítico precisa de evidências que apóiem suas crenças. Podem ser flexíveis, mas precisam de evidências para seguir um rumo ou outro e reconhece contradições nas argumentações.  

Estudos feitos em diferentes centros de pesquisa mostram que as pessoas com pensamento crítico experimentam menos eventos negativos na vida. As escalas que medem essa habilidade costumam incluir testes de raciocínio verbal, análise de argumentos, testagem de hipóteses, probabilidade e incerteza, resolução de problemas e tomada de decisões. Também é incluído nessa avaliação um questionário de eventos negativos que abrange a vida acadêmica (e.g., esquecer o dia da prova), saúde (e.g., contrair uma doença sexualmente transmissível por não ter usado camisinha), legal (e.g., ser preso por dirigir alcoolizado), interpessoal (e.g., traição), financeira (e.g., dívidas fora do controle), etc. O aprendizado de um pensamento crítico existe e isso pode ser exercitado desde a infância.

E então é melhor ter um pensamento crítico ou ser inteligente? Pesquisadores já testaram esse duelo e o desfecho foi o de que ter ambos é o melhor, mas quando se pensa em eventos negativos na vida, o pensamento crítico ganha.


* Dr. Ricardo Teixeira é médico neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília  
 
 
Valdo Virgo/CB/D.A Press
 
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Paulo
Paulo - 23 de Outubro às 09:00
Faltou mencionar ainda a inteligência emocional, a inteligência espiritual (Dana Zohar), e a capacidade do indivíduo contextualizar as informações.