Outubro Rosa: mulheres doam o cabelo em ação promovida pelo Correio

Mais de 10 voluntárias estiveram no Desiderata Hair Institute para um dia de beleza e, sobretudo, solidariedade. Os fios doados serão transformados em perucas para mulheres em tratamento contra o câncer de mama. A campanha tem o apoio do Hospital do Câncer Anchieta

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postado em 24/10/2017 16:30 / atualizado em 24/10/2017 17:28


 
A última semana do mês rosa começou especial para os funcionários do Desiderata Hair Institute, que, em parceria com o Correio e com o Hospital do Câncer Anchieta realizou, nesta terça-feira (24/10), um mutirão para doação de cabelos. As selecionadas que passaram pelo salão tiveram a oportunidade de renovar o corte e reutilizar o que seria descartado — as mechas cortadas, com cerca de 15cm, serão doadas para a Rede Feminina de Combate ao Câncer, que, em alguns dias, encaminhará perucas prontinhas ao Hospital de Base.
 
 
No salão, o clima era de animação. A sensação, para muitas mulheres, era de dever cumprido. Mais de 10 mulheres passaram pelas tesouras, secadores e espelhos iluminados. No sofá da sala de espera, não havia mais espaço para ninguém e, muito menos, para desânimo. Todas saíam de cabelos cortados, certificado na mão e esperança renovada. Para o cabeleireiro e proprietário do salão, Marcelo Di Mari, a iniciativa é a garantia de que outras pessoas serão ajudadas e terão a autoestima revitalizada. “É uma causa nobre e estamos superdispostos a ajudar. Sempre fazemos ações semelhantes e, agora, ver outras pessoas e locais se mobilizando é muito bom”, disse. O Desiderata Hair abriu especialmente para receber o Correio e as doadoras. 

A empregada doméstica Almerinda dos Santos, 53 anos, influenciada pela amiga e chefe, não perdeu a oportunidade de praticar o ato de solidariedade. Logo cedo, já esperava para ser atendida. Chegou com os cabelos abaixo do ombro e saiu com um corte chanel e um sorriso no rosto. “Estava com vontade de doar há algum tempo. Então, parei de cortar o cabelo e comecei a cuidar. É um dia de beleza que, na verdade, ajuda mais o outro do que a mim. É muito gratificante”, afirmou. A iniciativa deu espaço a todos os tipos e cores de cabelo, até mesmo os que já haviam passado por algum processo químico. Durante o corte, os cabelos eram molhados e as mechas presas a um elástico.
 
 
 
“Nós, que lidamos diretamente com pacientes oncológicos, sabemos como é complicado o processo do tratamento, desde o diagnóstico, a insegurança do desconhecido e as consequências, como a queda dos cabelos”, conta o diretor executivo do Hospital do Câncer Anchieta, Murilo Buso. Segundo ele, a questão doação é uma forma de evidenciar o altruísmo e a compaixão de desconhecidos para com pacientes que lutam contra o câncer. “Vivemos em uma sociedade cada vez mais distante. O objetivo da ação é aproximar e estimular outras pessoas a fazerem o mesmo.”
 
As amigas Carolina Marques, 33, e Nair da Rosa, 60, também marcaram presença na iniciativa. Nair conta que já é doadora e engajada na causa. Assim, ações como essas são quase rotina. “A Carol recebeu um convite no trabalho. Ela me chamou e viemos doar”, disse. Já Carolina não conseguia esconder os sorrisos. “É bom saber que estamos proporcionando felicidade para alguém”, afirmou.
 
Para todos, o ato de solidariedade proporcionou uma alegria inimaginável. Para a gerente de marketing do Correio, Cristiane Maruyama, o evento foi uma oportunidade de mobilizar e inspirar outras pessoas a praticarem ações como essa, que podem ocorrer mesmo fora do mês de outubro. “É uma solidariedade fácil. Queremos compartilhar experiências e ajudar outras pessoas. É um convite”, enfatiza.

60 mil mulheres


De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama atinge, em média, 60 mil mulheres todos os anos. E, a cada ano, mulheres mais jovens. Porém, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores as chances de cura. A entidade informa que, quando descoberto no início, há 95% de probabilidade de recuperação total.
 
Além da luta para vencer a doença, o tratamento que provoca a queda dos cabelos contribui para afetar o lado psicológico das mulheres — fato que, de acordo com especialistas, interfere diretamente no processo de cura da doença. Em Brasília, a Rede Feminina de Combate ao Câncer produz perucas para doar a pacientes em tratamento contra a doença.
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