Bichos

Veterinários explicam sobre as formas de dar medicações aos pets

Espertos, animais se parecem quando chega o momento de driblar a medicação e enganar os donos com as velhas táticas de fingir que tomou e, depois, cuspir. Mas há saídas

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postado em 29/10/2017 08:00 / atualizado em 26/10/2017 15:22

Quando o animal adoece, é inevitável que os tutores fiquem tomados pela preocupação. Afinal, cães e gatos são mesmo considerados membros fiéis da família. Para tratar do problema, muitas vezes, a passada pelo médico veterinário costuma ser obrigatória. E, quando termina em tratamento à base de remédios, é complicação na certa: fazer o bichinho tomar o comprimido ou a dose do medicamento prescrito vira uma tarefa árdua — na maioria das vezes, condenada ao fracasso.

Nada escapa ao faro certeiro dos espertos doentes na hora de detectar um minúsculo comprimido. Nem cuidados como esconder o remédio dentro de um pedaço de comida bem apetitosa ou dissolvê-lo em água costumam funcionar. A reação é a mesma entre cães e gatos: eles cospem tudo, escondem no canto da boca, comem o petisco com o cuidado de preservar o comprimido, que, de repente, cai inteirinho no chão, e por aí vai. As manhas são imprevisíveis e nunca falham: o remédio sempre escapole.

Uma das saídas encontradas por veterinários é preparar a medicação em farmácias de manipulação especializadas na adequação do sabor e do tamanho das cápsulas para cada tipo de animal. A medida facilita a vida dos donos, que enfrentam mais dificuldades com os gatos. O tamanho do comprimido ou cápsula deve ser proporcional à cavidade bucal, e a dos cães é bem maior.
Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press

Além disso, existem diferenças no paladar. Os cães gostam dos remédios com sabor de picanha, frango, bacon. Já os gatos preferem salmão, frango e azeitona, enquanto os equinos aceitam bem o que vem com gosto de maçã, banana e outras frutas. “Em equinos, não é recomendada a administração de fármacos em comprimidos ou cápsulas. Para eles, é indicada a manipulação na forma de pasta, sachê, pó ou xarope”, esclarece a médica veterinária Hetielle Harumi Hashimoto, especialista em oncologia clínica e cirurgias reconstrutivas e oncológicas complexas.

Hetielle ressalta que amassar, dissolver em água ou misturar os remédios em alimentos não são formas ideais de administrar a medicação, pois alteram a absorção e, consequentemente, prejudicam a eficácia do tratamento. “Alguns comprimidos contêm revestimento entérico, que impede o fármaco de se dissolver no estômago e faz com que os princípios ativos sejam liberados no intestino. Assim, evitam irritações no estômago”, explica.

Especialista em clínica e cirurgia de pequenos animais, a médica veterinária Natássia Miranda reconhece que é mesmo mais complicado dar remédio aos gatos do que aos cães. Mas, assegura, nada que a prática não resolva. Ela dá a dica de passar azeite ou manteiga no comprimido, para o bichano não engasgar. E também destaca a importância dos medicamentos com revestimento entérico, “para que não exista risco de ficarem presos no esôfago, causando uma inflamação local, que pode provocar um transtorno bem maior”.

Mesmo assim, o animal pode esconder os comprimidos no canto da boca para descartá-lo pela casa depois. Para ter certeza de que o bicho ingeriu o remédio, de acordo com Natássia, é preciso colocar o comprimido logo na entrada da garganta dele, fechar a boca e assoprar o nariz. Depois, se o animal lamber o nariz, significa que engoliu. Se não, ele vai cuspir. “Feito esse procedimento, dê um pouco de água para ter garantia de que chegou ao estômago”, orienta a médica.

Manipulação

O casal de biólogos Bianca Arcaro Topázio, 27 anos, e Danilo Andrade Meirelles Bomfim, 31, cuida da poodle toy Lua, 15 anos. “Lua é uma filha para mim”, emociona-se Bianca, ao contar que ganhou a cachorrinha quando completou 12 anos, em Salvador, onde morava. Quando veio para Brasília, a trabalho, a bióloga trouxe a sua companheira inseparável.
Arquivo pessoal

Já idosa e com problemas de insuficiência cardíaca e doença renal crônica, Lua passou, ainda na Bahia, a depender de muitos remédios, muitos deles prescritos para humanos. Para facilitar a administração e driblar a esperteza da cachorrinha, que separava os comprimidos na boca para depois jogar fora, a saída foi a manipulação. “Mando fazer em cápsulas, na Fórmula Animal. Foi um alívio encontrar uma franquia em Brasília”, conta Bianca.

Responsáveis pela franquia da Fórmula Animal no DF, a empresária Ana Cláudia da Silva Pádua e o educador físico Márcio Lima Saldanha da Gama Pádua conhecem bem essa dificuldade. Há três anos, Pupi, o shih-tzu de Ana Cláudia, foi diagnosticado com um câncer muito agressivo, na região da cabeça, um pouco acima dos olhos. A expectativa era de que o cãozinho de 11 anos de idade sobrevivesse era pequena.

Pupi foi submetido a uma cirurgia para retirada do tumor e a uma plástica para reduzir as marcas. Nesse período, Ana Cláudia conheceu os procedimentos de manipulação e se encantou com as técnicas. Decidiu, então, investir na franquia. Deixou o emprego de 12 anos como secretária-executiva e abriu a farmácia, com Márcio, em dezembro.

Tudo, segundo Ana Cláudia, graças a Pupi. “As medicações eram regradas e dávamos corretamente. Mas o Pupi é muito esperto, percebia que tinha comprimidos nas comidas que colocávamos, para disfarçar. Ele dava um jeito e jogava fora”, conta. A solução veio com os remédios manipulados em formatos atraentes, como biscoitos e outros petiscos. “A hora da medicação não é mais a hora do estresse.”
 
 
* Estagiário sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio
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