Bichos

Educar também é importante para cuidar dos pets

Maus hábitos dos cães surgem, geralmente, de atitudes inadequadas dos donos, dizem especialistas. Correção só é eficaz com respeito e treino adequado

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postado em 05/11/2017 08:00 / atualizado em 03/11/2017 19:06

Hábitos como fazer xixi pela casa, morder os móveis, pular nas visitas, se exaltar durante os passeios, subir no sofá ou cavar buracos destruidores são típicos de cães que sofrem de problemas comportamentais. No momento em que aprontam, muita gente não se controla e apela para a punição física. Porém, especialistas afirmam que essa atitude não resolve o problema e pode até mesmo causar distúrbios futuros.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense revela que a principal causa de abandono e eutanásia de pets é relacionada a problemas comportamentais. Dentre os mais citados estão a destrutibilidade e a agressividade. O médico veterinário da Lex e Lulu Pet House, Alexandre Lima, explica que, por mais difícil que seja admitir, a maioria dos problemas começa com comportamentos inadequados dos tutores em relação ao novo membro da família.

“Muitas vezes, sem querer, somos muito permissivos quando temos um filhote em casa. A tendência é permitir que eles façam de tudo, porque são fofos. Mas, no futuro, isso pode se tornar uma dor de cabeça constante”, diz Alexandre. Ter um cão saudável e feliz colabora para o bem-estar de toda a família. O pet passa a entender os hábitos e as condutas positivas, enquanto o responsável por ele não precisa se preocupar com a integridade da casa e até mesmo com a boa disposição física e mental do bicho.
Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press

Pipoca, uma spitz alemã de apenas 4 meses, não passa de um filhote. Mas, há dois meses, quando chegou ao novo lar, a família teve dificuldade de orientá-la, de maneira correta, sobre o local onde deveria fazer suas necessidades. “Era um sufoco. Não sabia se estava fazendo errado, nada adiantava. Foi assim que decidimos procurar um adestramento”, conta Maísa Rodrigues, 30 anos.

Depois de semanas buscando um profissional que se encaixasse no perfil que desejava, a personal trainer finalmente encontrou o serviço perfeito. “Procurava alguém que pudesse ajudar a educá-la sem utilizar agressões ou força e que, acima de tudo, tivesse carinho com a Pipoca.” Maísa se surpreendeu com o resultado. Nas primeiras aulas, o filhote se mostrou extremamente esperto e inteligente. Aprendeu a fazer xixi no lugar certo e a obedecer a comandos simples. Os latidos, comuns à raça, foram controlados depois de alguns treinos.

Sem estresse

“Tudo foi ensinado na base do amor, fico muito feliz com isso. Ela é como uma filha para mim, é satisfatório vê-la alegre e obedecendo, porque sabe que vai nos agradar e também ser agradada, já que ganha recompensas”, diz Maísa. Com sua fofura extrema, Pipoca é a atração das redes sociais. “Sempre faço fotos e vídeos mostrando seus truques. Todo mundo adora”, comenta a dona, orgulhosa.

Para ela, optar pelo adestramento é a melhor saída. Muitos acreditam que seja desnecessário, mas a realidade é que se trata de um investimento importante para o bem-estar do animal e, também, da família. O adestrador de Pipoca, Vilmar de Oliveira, atua no mercado canino há 28 anos e utiliza a técnica revolucionária de adestramento conhecida como “reforço positivo”. Não se trata apenas de domesticar o pet, mas sim de descobrir por qual problema ele está passando, para resolver de maneira saudável.

O método se baseia no Protocolo de Lima, criado pela Association of Professional Dog Trainers (ADPT), e que proíbe qualquer tipo de agressão — nada de choques, enforcamentos ou golpes. O objetivo é reforçar os comportamentos desejados, ignorar os indesejáveis e, sempre que possível, se antecipar a eles de forma positiva. “O protocolo é livre de estresse para os pets. Assim, eles conseguem diferenciar da forma correta, sem medos ou traumas, o comportamento ideal”, explica Vilmar.

Outro ponto positivo da técnica é evitar que, no futuro, qualquer desvio de conduta, como agressões, seja desenvolvido como resposta negativa ao procedimento utilizado. Segundo o adestrador, independentemente da idade, todos os cães podem ser trabalhados para solucionar dificuldades comportamentais. “Cada um tem seu tempo, mas todos podem aprender. Alguns levam três ou quatro semanas, enquanto outros podem demorar um ano. Isso varia de acordo com cada um.” Quanto mais novo o pet, maiores as chances de prevenir comportamentos indesejados e mantê-lo feliz e mentalmente saudável.
Minervino Junior/CB/D.A Press

O clicker é o grande segredo do reforço positivo para adestramento. Com quase 100% de sucesso, dá resultados em pouco tempo. Nada mais é do que um dispositivo sonoro no formato de uma caixinha. O nome vem do barulho que surge quando ele é pressionado com o dedo. Depois de alguns treinos, os cães aprendem a reagir ao som reproduzido pelo aparelho como um “marcador de comportamento”. Simples e sem qualquer atitude cruel.

Memória curta

“Quando as pessoas pensam em adestramento, acham que se trata de comandos bobos, mas, na verdade, é como uma terapia que trabalha o comportamento do pet”, explica o médico veterinário Alexandre Lima. Trata-se, segundo ele, de um treinamento estável e eficaz. Os cachorros têm memória muito curta e é provável que não associem as atitudes com a punição. Uma punição que causa dor ou medo pode ser compreendida como agressão, e não como correção. Desta forma, o risco de ter um cão traumatizado, ao contrário de treinado, aumenta consideravelmente.

O pequeno Bono, um spitz alemão, tinha apenas 3 meses, quando sua dona, Rosângela Dória, 47, optou pelo adestramento. Ela pesquisou e descobriu que o spitz tem fama de ansioso e cheio de energia. “Sempre que passava por um da mesma raça, perguntava às pessoas como eles eram e todos afirmavam: adestrar é a melhor saída.” Fazer xixi pela casa ou chorar uma vez ou outra era normal quando ele chegou ao novo lar.

Apesar do comportamento ser comum a qualquer filhote, a bancária buscou um bom profissional para cuidar de seu pet. A ideia era se antecipar a qualquer problema ou hábito que viesse a surgir no futuro. “Queríamos que ele fosse um cachorro feliz, sem qualquer estresse ou mal-estar”, afirma. Depois de 30 aulas, o cãozinho peludo e simpático já tinha aprendido de tudo — de comandos simples, como sentar ou pular, a se livrar da tentação de roer móveis.

“Óbvio que já aconteceu, porque nenhum pet é perfeito e ele virou adulto há pouco tempo. Mas a gente perdoa. O importante é não causar grandes estragos”, brinca. Prestes a completar 2 anos, Bono é a alegria da família. As filhas de Rosângela, Luísa e Angelina, mimam e curtem cada minuto ao lado do animalzinho. As duas acompanharam o adestramento para aprender os comandos. “Para mim, foi ótimo acompanhar os treinos e ver como tudo foi ensinado com carinho. Abomino qualquer tipo de violência e acho essencial evitarmos a todo custo”, comemora Rosângela.

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