Fitness & Nutrição

Aplicativo ajuda quem precisa se exercitar e não consegue adequar o tempo

Mas especialistas avisam: aparelho não substitui o professor de educação física

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postado em 05/11/2017 08:00

O mundo atual exige cada vez mais tempo, esforço e dedicação das pessoas, tanto no trabalho formal quanto em outras ocupações. Com isso, priorizar um horário de atividades físicas e de lazer para investir na necessária qualidade de vida também virou um desafio. Para facilitar o cotidiano de quem ainda não conseguiu esse encaixe, uma startup de Brasília desenvolveu um aplicativo que permite a prática de exercícios em qualquer lugar. Basta ter à mão um celular e um elástico.

Criado pela educadora física Fernanda Teles, 27 anos, durante o mestrado em processamento de sinais biológicos, o E-lastic monitora a intensidade dos exercícios em tempo real e armazena os resultados. Ele pode ser usado, também, como suporte em tratamentos fisioterápicos, conta o empresário João Macêdo Silva Junior, 23, um dos sócios da E-sporte, que investiu no aplicativo, junto com Fernanda, no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da UnB.
Minervino Junior/CB/D.A Press

“É um conceito de academia de elásticos”, diz Fernanda. A memória armazenada e os gráficos montados a partir desses dados permitem que o usuário avalie o próprio desempenho. A invenção se consolidou em três pilares: esporte, saúde e tecnologia. O kit vem com seis elásticos, uma alça de mão, tornozeleiras, algumas presilhas e o equipamento eletrônico que capta e envia as informações.

O E-lastic pode ser levado para qualquer canto e permite desenvolver tanto os exercícios de resistência física quanto os de fortalecimento dos músculos superiores e inferiores. Envia as informações via bluetooth para o celular. Mede a força dos exercícios de um determinado dia e, no outro, a pessoa pode verificar se foi mais intenso do que os anteriores.

De acordo com João Macêdo, o aparelho não substitui o profissional especializado ou o educador físico. “A ideia é que ele auxilie na execução do exercício, visando melhorar o desempenho e também evitar lesões”, explica. Embora o E-lastic se adapte em qualquer hora, lugar e situação, especialistas aconselham, ao fazer uso dessa ou de outras ferramentas, que se busque a orientação de profissionais.


Dosagem certa

O professor de educação física Fábio Padilha esclarece que existem tipos de exercícios que geram diferentes adaptações no organismo e é muito importante, por isso, que cada pessoa conheça a sua condição física para definir um objetivo e os resultados que deseja obter. Segundo ele, a utilização de aplicativos deve ser, pelo menos nos primeiros meses, acompanhada por profissionais. “Tudo para que se tenha o resultado aguardado, e não complicações, como lesões, por exemplo.”

Fábio adianta que, periodicamente, é necessário fazer ajustes na intensidade, no número de repetições e na carga da atividade. “Nós, profissionais da educação física, vemos exercícios físicos como remédios: se tomados na dosagem errada, causam lesões e não geram o efeito desejado.” Ele alerta que qualquer atividade física mal realizada pode acarretar danos no corpo, como lesões nos joelhos e nas articulações, ou dores musculares em demasia.

A tendência é que os aplicativos contribuam cada vez mais com as diversas demandas da sociedade. Para controle da condição física, já existe uma infinidade  — para perder peso, ganhar massa muscular, aumentar a resistência física ou a condição respiratória, combater a flacidez e, até mesmo, para melhorar o funcionamento do coração. “Isso motiva os praticantes a verificar de forma eficiente os resultados e melhora a confiança na evolução da aptidão física. Tudo isso pelo celular”, mostra Fábio.

Fernanda lembra que o aparelho ajudou até na preparação de atletas  para as Paralimpíadas. Como a ciclista paralímpica Jady Malavazzi, que fez seu último treino nos Estados Unidos para os jogos do Rio-2016. “Jady não tinha estrutura ideal de academia, e recorreu ao E-lastic para dar continuidade ao trabalho de força e prevenção de lesões.”

Equilíbrio

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
“O E-lastic tem nos ajudado bastante na identificação de desequilíbrio muscular em alunos com assimetrias posturais”, confirma o empresário Thiago Silva Rodrigues, 25 anos, que conheceu o aplicativo há três meses. Dono da Muuvfit Brasília, que utiliza a eletroestimulação como ferramenta de atividades físicas, ele tem recorrido à novidade para fazer o controle de carga, o fortalecimento muscular e a evolução de cada aluno.

A inovação vem dando suporte também a tratamentos fisioterápicos. Caso da médica pediatra Maria Carla Pires Capuno Nery, 54, que há quatro anos sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ela ficou 64 dias internada e precisou se submeter a uma cirurgia delicada, a craniectomia. As complicações foram além — com vários trombos, teve que amputar a perna direita. Mas ela lutou contra os obstáculos.

“Isso tudo não seria possível sem a ajuda da minha família”, emociona-se Maria Carla, que hoje enfrenta uma agenda cheia. Além das aulas de inglês, faz hidroterapia e fisioterapia por conta da amputação, e não dispensa o salão de beleza uma vez por semana. A fisioterapeuta Maria Clara Cabral, 34, usa o  E-lastic e comemora os resultados. 

O esforço do paciente com os elásticos pode ser acompanhado pelos gráficos do aplicativo, que trazem mais exatidão e certeza sobre a evolução do tratamento, acredita Maria Clara. “No trabalho desenvolvido com Maria Carla, conseguimos mensurar a evolução do coto”, acrescenta.
 

Agradecimentos
E-lastic
www.esportese.com/E-lastic
Muuvfit
www.muuvfit.com
Vitalità Fisioterapia e Hidroterapia
www.vitalitafisio.com.br 
 
 
* Estagiário sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio
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