Bichos

Como ajudar os pets em situação de risco

Muitos animais são abandonados nas ruas, enquanto outros sofrem maus-tratos dos donos. Veja as maneiras de ajudá-los

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postado em 12/11/2017 07:00

Muitas pessoas chegam a sentir uma dor no peito ao ver um bichinho abandonado zanzando pela rua, vulnerável a todo tipo de riscos. Querem ajudar, mas não sabem como. Às vezes, nem têm espaço em suas casas para abrigar o animal, mas, mesmo assim, querem resgatá-lo e encontrar alguém em condições de dar o que ele precisa: um lar.

Em situações como essa, o ideal é procurar um adotante, orienta a médica veterinária Patrícia Arrais Rodrigues da Silva. E o importante, explica, é buscar a posse responsável. “É muito comum as pessoas adotarem por impulso e depois abandonarem o bicho novamente.”

Para evitar que isso aconteça, quem resgata o animal pode recorrer ao apoio de pessoas que fazem parte da rede de proteção aos animais. Há uma série de organizações não-governamentais, protetores independentes e médicos veterinários envolvidos nesse processo, como Patrícia.

Especialista em oftalmologia veterinária, a médica participa do projeto Meu Vira-lata, que atende animais adotados por tutores de baixo poder aquisitivo e realiza cirurgias de castração. Para ela, é preciso entender e diferenciar abandono de maus-tratos.

Quem resgata um animal abandonado precisa assumir a responsabilidade por ele e lhe oferecer um lar temporário até que possa ser encaminhado para adoção. “Não pode tornar-se um mero recolhedor de animais. Dizer que resgatou é fácil, assumir o papel de responsável é o mais difícil”, diz Patrícia.

No caso de maus-tratos, o animal está sob a tutela de alguém que o submete a condições precárias de vida, violências físicas e psicológicas. Há ocorrências até de envenenamento. Essas situações devem ser denunciadas à delegacia de polícia mais próxima ou à Delegacia do Meio Ambiente (DEMA).
 

Velhice

Especializada em fisioterapia e reabilitação, a médica veterinária Lívia Simões Olivieri Borges diz que é comum o abandono de animais quando estão doentes ou velhos, para evitar trabalho e despesas. O risco aumenta nas férias. “Quando passam um grande período fora de casa, muitos optam pelo abandono, para não gastar com hospedagem.”

Outra situação de abandono, segundo a médica, costuma acontecer com os filhotes. “Muitas pessoas deixam que as fêmeas não castradas cruzem e depois abandonam os filhotes. Muitas vezes, quando ainda mamam”, critica Lívia, que cria três animais retirados da rua.

Não é raro deixarem animais em sua porta. Ela resgata e cuida. “Não tenho coragem de deixá-los na rua.” Lívia explica que, após o resgate, é preciso levar o animal a um consultório veterinário para as vacinas e os exames. É importante garantir que ele esteja livre de doenças contagiosas, recomenda.

Quem ama os animais faz o que pode para ajudar. É o caso da auxiliar de serviços gerais Daiana Vilena De Jesus, 35 anos. Na quadra onde mora, em Santa Maria, ela ajuda a cuidar de Picolé. “Quando posso, dou ração e água pra ele.” O cãozinho é querido na comunidade, mas vive na rua.  
Arquivo pessoal
Outros moradores ajudam. Dão água, comida, remédios, quando necessário. A luta, no entanto, é procurar um lar onde ele possa ter amor e dignidade. “Sempre tem um ou outro que maltrata o bichinho. Nunca presenciei, mas, uma vez, roubaram a casinha que fizeram para ele”, conta Daiana, emocionada.

Redes sociais

Há alguns dias, ao brincar com Picolé, ela notou que o cãozinho estava com o pênis ferido e decidiu levá-lo à clínica onde trabalha. O veterinário diagnosticou um Tumor Venéreo Transmissível (TVT), que é tratado com quimioterapia. A medicação é cara e Daiana, então, recorreu à internet.

Com campanhas nas redes sociais, ela conseguiu arrecadar o dinheiro do remédio e ainda arranjou um lar temporário para Picolé durante o tratamento. “Infelizmente, minhas condições não permitem ficar com ele”, lamenta.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
A administradora Allin Simas Gonçalves Pena, 34 anos, também não hesita na hora de socorrer um animal. Ela trabalha na Feira dos Importados, no SIA, e, há alguns meses, encontrou dois filhotes abandonados em um carrinho de compras, perto da entrada da feira.

Um dos cãezinhos acabou sendo adotado por uma colega de trabalho. O outro, que ganhou o nome de Botafogo, continuou lá pelas redondezas da feira. Preocupada, Allin se encarregou de garantir alimentação e água para ele. Até que um dia o encontrou chorando, ensanguentado e molhado. Havia brigado com outro cachorro.

Comovida, Allin levou Botafogo para um hospital veterinário. Conseguiu ajuda para pagar o tratamento e recorreu às redes sociais para encontrar um lar temporário para ele. Ainda não conseguiu, mas não perde as esperanças. “É um cãozinho muito educado, comportado e obediente. Merece um final feliz, não é?”
 

Vontade de agir

Reconhecida em seu estado, Santa Catarina, por seu blog Bendito cão, Vivi Machado se dedica a aconselhar, dar dicas e informar sobre bem-estar e proteção dos cães. Apaixonada pelos animais, ela hoje tem cinco “patudos”, como gosta de defini-los.

O blog nasceu do desejo de ajudar as pessoas a proteger e cuidar dos cães. “Com o tempo, comecei também a dar palestras para adolescentes em colégios”, conta. Nos encontros com os jovens, notou que algumas perguntas eram mais frequentes.

“Percebi que havia vontade de agir, mas faltava saber como.” Vivi decidiu, então, lançar o e-book 8 Maneiras de ajudar cães abandonados”, um passo a passo com dicas simples e objetivas, para quem se dispõe a um ato de amor pelos animais.

Segundo ela, mais de 20 milhões de cães vivem pelas ruas, hoje, no país. E o e-book tem ajudado. De todas as partes do país, chegam e-mails de agradecimentos e comentários sobre as formas que ela indica no livro para ajudar os cães. “É uma troca de vivências fantástica”, comemora.


Bendito cão

Oito maneiras de ajudar um cãozinho:

1 - Compartilhar publicações de ONGs e protetores independentes nas redes sociais próprias.

2 - Apadrinhar um resgatado.

3 - Ser um voluntário.

4 - Fazer doações para os resgatados.

5 - Doações para ONGs e protetores independentes.

6 - Fazer campanhas, vender produtos e reverter os valores para os resgatados.

7 - Informar-se sobre a importância da castração.

8 - Informar-se sobre a importância da adoção de animais.
 
Fonte: www.benditocao.com.br. Para saber mais, baixe o e-book no site.

Onde buscar ajuda

ProAnima
Associação sem fins lucrativos, defende a adoção responsável de animais e o estímulo às opções éticas de estilo de vida e de consumo.Conta com veterinários parceiros e partilha medicamentos, vasilhas e ração.Oferece espaço gratuito no site para anunciar animais para adoção. Interessados devem enviar e-mail para site@proanima.org.br, com informações sobre idade, temperamento, aparência, estado geral de saúde, vacinação, castração, e fotos do animal.http://proanima.org.br/main/index.php/2017/01/30/tambem-queremos-um-lar/

Onde denunciar maus-tratos
Delegacia do Meio Ambiente (Dema): 3234-5481
Polícia Civil: 197, 98626-1197 (WhatsApp)
 
 
 
Agradecimentos
ProAnima:www.proanima.org.br
Bendito cão: www.benditocao.com.br 
Tags: pets bichos
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