Estilo

O caso de amor pelas pochetes

Odiado por muitos, o acessório ícone dos anos 1980 volta a fazer sucesso entre os descolados

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postado em 12/11/2017 07:00 / atualizado em 10/11/2017 11:38

Torcer o nariz quando o assunto são as polêmicas pochetes não é mais uma opção. A peça, famosa entre os anos 1980 e 1990 em razão da funcionalidade, esteve esquecida — e banida — do guarda-roupa por muito tempo. Mas o mundo da moda sempre pode surpreender: grifes como Vogue, Emporio Armani e Marc Jacobs, por exemplo, renderam-se ao acessório, que promete ser o toque especial deste verão. O que parecia ser apenas uma obsessão de estilistas acabou ganhando a adesão de celebridades e pessoas que dão show de estilo e personalidade.

Desde pequena, Izabela Vieira, 23 anos, achava engraçado quando via pessoas usando o acessório. Mas, há seis meses, depois de notar que as pochetes poderiam ser modernas sem perder a essência retrô, ela resolveu dar uma chance. “Estilo é algo que se sustenta, basta querer! Todos podem ser adeptos da pochete e dos novos (antigos) acessórios diferenciados, mas você precisa saber quando usar”, afirma. A publicitária admite que já foi julgada por usar, além da bolsinha, outros acessórios com o toque vintage, mas não abre mão da peça que, para ela, combina versatilidade e praticidade, dando um up em um visual mais básico.

“A pochete foi muito odiada por ser algo de gente mais velha e careta nos anos 1980. A moda veio mudando esses conceitos, trazendo o acessório em vários modelos, com tecidos diferentes e até aplicações, quebrando esse paradigma de algo antigo para um estilo moderno”, explica a personal stylist Juliana Parisi. Para ela, a volta da peça se deve à tão buscada praticidade no dia a dia. “Ficar com as mãos livres é algo essencial para a geração que está sempre conectada com o celular, por isso a pochete pode ser um acessório moderno e confortável para os looks atuais.”

A dica é optar pelo acessório em situações casuais e livres em relação ao estilo, como shows ou passeios. É importante evitar usá-lo em ambientes formais ou rigorosos com relação à vestimenta. Izabela segue essas regrinhas e garante que dá certo: “Tenho vários modelos, mas não uso nenhum deles para trabalhar. Uso uma no fim de semana e uma outra para dar aquela ajuda quando quero sair com pouca coisa, sem bolsa”, diz.


Sem preconceitos 

Minervino Junior/CB/D.A Press
 
No dia a dia do auxiliar administrativo Eri Santos, 23 anos, não existe momento certo para usar a queridinha pochete. Quem escuta a naturalidade da sua fala sabe que ali não há chance e abertura para qualquer preconceito com o acessório. “Meus amigos me apresentaram a pochete este ano. Achei incrível, único e bonito. Desde então, nunca deixo de usar.” Seja na balada, no trabalho, na faculdade, seja em outros passeios, lá está Eri com a pochete preta. Segundo ele, deboches não ganham espaço quando se gosta tanto de algo. “Eu me sinto completo quando estou com ela. É diferente, e eu adoro porque chama muita atenção”, revela.

O objeto ainda é feito para ser usado na cintura, mas seu design ganhou pluralidade, deixando aquela aura de acessório de “tiozão” ou “tiazona” para trás. Eri varia a posição da peça, carregando-a nos ombros ou na cintura, como antigamente. Quanto a isso, não há recomendações. O segredo para que o acessório não se torne algo brega é escolher um modelo delicado e moderno, evitando os grandes e de couro, por exemplo. “Monte um look que combine com seu estilo e deixe o acessório como complemento”, ressalta a personal stylist.

Para Carla Moraes, 21, crescer com o estigma de que a pochete era algo abominável atrapalhou tanto pessoas que hoje reprovam o acessório quanto ela, que, até recentemente, não se via usando uma. Com a vida corrida, ela conta que não teve outra opção: as bolsas, sempre tão pesadas, deram espaço a pequenas e leves pochetes. Elas, além de deixarem a estudante com um estilo todo especial, trouxeram praticidade aos seus dias. “Notei que as celebridades estavam usando e, quando comecei a pesquisar no Instagram, eu me inspirei em vários looks”, afirma.

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
A companheira vermelha e preta, com estampas étnicas, acompanha Carla por todos os lados. Vestidos, jaquetas ou jeans, nada impede o uso da peça. “Até hoje, meus amigos insistem em fazer piadas, mas, quando eu comprei, algumas pessoas até me pediram emprestado e perguntaram onde havia encontrado. Aos poucos, o pessoal muda de opinião”, acredita. 

Cheia de charme!

Personal Stylist e estilista, Rosy Cordeiro dá algumas dicas para arrasar no look quando o assunto é pochete:

Se você gosta de informação fashion no look, use a pochete como o principal acessório, optando por brincos ou colares menores e discretos.
Nunca se esqueça que a pochete é um acessório informal! Então, nada de adotá-la, em vez de uma carteira de mão ou de uma clutch, em eventos formais ou que pedem um adorno mais sofisticado.
Se você tem quadris largos, opte por tamanhos menores e jogue uma terceira peça ao look, no truque “esconde, mostra”.
Para pessoas baixinhas, os tamanhos pequenos e médios usados para marcar a cintura dão um toque todo especial. Já para as mais altas, o acessório pode ser usado 
até mesmo na transversal.

O acessório é perfeito para:
Marcar a cintura em vestidos lady like ou em tubinhos
Em looks de verão, como shortinhos e top, a pochete pode ser usada, por exemplo, substituindo o cinto
Dar um toque especial a um combo jeans
Em looks monocromáticos, a peça pode ser a protagonista e dar aquela levantada no visual


Acessório repaginado

A tendência das pochetes ganha notoriedade em todas as frentes. Na internet, blogueiras publicam sobre o tema. Nas redes sociais, celebridades postam fotos com os acessórios e estimulam pessoas que só precisavam de um impulso para se render à moda. Atrizes como Thaila Ayala, Sarah Jessica Parker e modelos como Linda Tol, Alicia Rountree e Gigi Hadid já desfilam pelas ruas com os acessórios, que de antigos não têm nada — aparecem com novas caras, cores, estampas e personalidade.  

Michael Levy, 23 anos, se considera um “pochete lover” desde outubro do ano passado, quando suspendeu o uso da mochila pelo acessório, que, além de autenticidade, carrega muita facilidade. “Algumas pessoas só usam quando combina. Já eu, uso o tempo todo. Até nas bodas de ouro dos meus avós eu estava de pochete! Foi inevitável a família falar da juventude dos meus pais e fazer comparações”, lembra. Ele conta que, antes da pochete, usava uma doleira por baixo da bermuda. Em certas ocasiões, ela ficava tão cheia que o publicitário a carregava no ombro.

“Comecei a usar antes de todos os meus amigos. Então, houve um certo estranhamento no início. A mídia é importante nesses momentos para tornar o uso algo comum”, acredita. Para ele, o estilo é moldado de acordo com as necessidades de cada um e não deve ser julgado. Para a personal stylist Juliana Parisi, tudo é questão de equilibrar o visual. “Se a pochete for colorida ou estampada, aposte em um look mais simples, que não dispute com o objeto. Outra forma de equilibrar é usar uma peça mais simples, com cores neutras. Assim, você pode ousar nas cores das roupas”, recomenda. 


Tags: estilo moda
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