Fitness & Nutrição

As polêmicas da dieta cetogênica

Com resultados muito bons para uns, mas ruins e perigosos para outros, dieta cetogênica entra na moda carregando um aviso: não se arrisque! Orientação profissional deve ser o primeiro passo

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postado em 26/11/2017 07:00 / atualizado em 27/11/2017 14:45

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press;

 
Milhares de pesquisas on-line, inúmeras citações entre os famosos e diversas polêmicas. Assim se popularizou a dieta cetogênica, responsável tanto por resultados até duas vezes mais rápidos do que os de outras dietas quanto por experiências de pessoas que sentiram fraqueza e dores no estômago ao começar esse controle alimentar. Vilã para alguns e heroína para outros, a cetogênica nos dá uma certeza: é preciso conhecê-la.

Curiosamente, essa dieta não foi pensada, a princípio, para quem desejasse perder peso, como explica o nutricionista Jefferson Bitencourt. “Ela foi desenvolvida pela nutrição clínica para tratar epilepsia, porque se percebeu que, a partir da dieta cetogênica, havia uma melhora de balanço de neurotransmissores e, com isso, os ataques epiléticos se reduziam bastante.”

Arte: Alan Rios
Mas, quando se trata de estar bem com a balança, a dieta se torna um pouco mais simples, pois quem segue precisa conhecer poucas regras. A principal: diminuir bem os carboidratos. 

Com esse corte, o corpo humano age em um estado diferente do habitual, como esclarece o médico especialista em alimentação Juliano Pimentel: “A redução de carboidratos coloca seu corpo em um estado metabólico chamado cetose, em que a gordura fornece a maior parte da energia para o corpo”.

Na prática, a dieta pode ser mais simples. Quem começa a cetogênica reduz no cardápio alimentos como mandioca, batata, tubérculos de modo geral, cereais, arroz, macarrão, trigo, grande parte das frutas, farináceos e, principalmente, o açúcar. Com tantos cortes e mudanças na educação alimentar, os resultados aparecem, como aconteceu com Nathália Meinen, de 23 anos.

Diagnosticada com bulimia e compulsão alimentar, a professora de inglês chegou a visitar 10 nutricionistas ao longo da vida, e foi na última consulta a uma clínica que encontrou um meio de melhorar a saúde. “Eu cheguei a 85kg, com altura de 1,67m. Na última consulta, me passaram a dieta cetogênica, de 800 calorias por dia, e emagreci 13kg. Mas o maior resultado que tive foi que, além de ter me ajudado na saúde física, me ajudou absurdamente na minha saúde mental.”
 

Apoio terapêutico

Os resultados que Nathália conseguiu recentemente eram impensáveis por ela tempos atrás, pois a compulsão agia como um bicho-papão, responsável por sua desnutrição, colesterol alto, triglicerídeos altos e início de diabetes. Hoje, com acompanhamento psicoterapêutico e nutricional, cada uma das suas patologias foi perdendo força. “Antes da dieta, eu tinha quatro ou cinco crises de compulsão alimentar por semana, em que comia quase R$ 100 de chocolate em um dia. Depois que comecei, as crises foram uma ou duas por mês, o que é um resultado ótimo”, compara.

Perder 3kg em uma semana não é tarefa fácil, mas Priscilla Dantas, 32, anotou todos os passos da dieta cetogênica e conseguiu. A corretora de seguros ouviu amigas conversando sobre o poder da redução de carboidratos e seguiu as indicações que leu na internet, mas seu corpo não aceitou bem essa mudança alimentar.
Luis Nova/Esp. CB/D.A Press;
“Na primeira semana foi ótimo: eu comia peito de frango feito somente na água, ovo, bife de patinho, queijo polenguinho e, às vezes, gelatina, em todas as refeições. Mas na segunda semana da dieta senti dor no estômago, intestino preso e fraqueza. Só consegui fazer três semanas.”

Para Jefferson Bitencourt, começar a dieta sem acompanhamento profissional pode transformar a tentativa de ser saudável em uma piora na saúde. “Sem a supervisão de um nutricionista, ocorre o risco de perder peso rapidamente e perder saúde junto. É  o processo que a gente fala não ser de emagrecimento, mas de apodrecimento”, diferencia o nutricionista.

Busca de cura

A popularidade da dieta cresceu devido à relação com tratamentos alternativos, como ocorreu com o jornalista Marcelo Rezende, que morreu em setembro deste ano, vítima de um câncer no pâncreas e no fígado. Marcelo havia optado por abandonar a quimioterapia e adotar tratamentos não convencionais. As indicações da cetogênica acontecem porque, no caso do câncer, o açúcar — cortado na dieta — contribui para o desenvolvimento da doença. Na epilepsia, o estado de cetose melhora o balanço de neurotransmissores.

 
* Estagiário sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio
 
Fonte: "Assim se popularizou a dieta cetogênica, responsável por resultados até duas vezes mais rápidos do que outras dietas." https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12679447



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