Bichos

Especialistas alertam para os perigos da solidão dos pets

Cães não devem passar muito tempo sozinhos nem isolados de outros animais. Além de medrosos, eles podem se tornar agressivos

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postado em 10/12/2017 08:00 / atualizado em 08/12/2017 12:25

Para afastar a solidão, muitas pessoas optam por adotar ou comprar um animal de estimação. A presença de um cachorro, principalmente, sempre anima o ambiente e ajuda quem mora sozinho a ter um motivo a mais para se alegrar ao voltar para casa. No entanto, especialistas em comportamento animal alertam para os perigos da solidão excessiva de cães e da falta de convivência dos pets com outros bichos.

Os momentos mais importantes e fundamentais na socialização dos cães, de acordo com o especialista em comportamento animal Renato Buani, ocorrem nos três primeiros meses de vida. É durante esse período de convivência com a mãe e os irmãos que o filhote desenvolve os sentidos instintivos e aprende a controlá-los.

O cão é um animal social desde os seus primeiros dias, observa Renato. “Tanto é assim que, se por algum motivo o bicho é isolado da família ao nascer, ele tem dificuldade para sobreviver.” Este é um dos motivos que o leva a recomendar que os animais só sejam entregues aos seus novos tutores após três meses de vida.

É importante, também, segundo Renato, que durante esse período os cãezinhos já estejam tomando as vacinas obrigatórias. Quando são entregues antes de completar 90 dias e sem o ciclo de vacinação iniciado, eles precisam ficar relativamente isolados, para evitar contaminações.

Com o isolamento, a socialização com outros animais é prejudicada e isso pode causar alguns problemas comportamentais no cão. Marina Marinho, adestradora da Cão Cidadão, esclarece que, ao interagir com outros cães, o animal troca informações, cheiros e desenvolve a capacidade de se sentir seguro em qualquer situação.

A socialização com os humanos também é essencial. Os cachorros enxergam os humanos como cães que fazem parte da sua matilha. Por isso, quando ele não tem contato com outros pets, os humanos suprem o papel e auxiliam no processo, para que ele se torne um animal tranquilo e aberto às novas experiências e contatos sociais.

Insegurança

Um dos problemas mais comuns em animais com dificuldades na socialização é que eles se tornam medrosos, diz Renato. “Ele fica sem o contexto social e o diferente se torna temeroso, pois ele tem pouco contato com o mundo externo. Tudo que é desconhecido é percebido com insegurança e uma possível ameaça.”

Nesses casos, é importante que os donos não tenham posturas tão assustadas quanto a dos cães, quando surgem situações de possíveis conflitos com outros animais. “Pegar no colo, puxar a coleira ou passar longe e afastar o cão quando ele demonstra interesse pela interação não é saudável e apenas reforça o medo”, orienta o especialista.

O medo também pode evoluir para comportamentos agressivos, quando o cachorro sentir que precisa se defender de alguma maneira. “Muitas vezes, quando não é socializado, o cão acaba por se defender atacando”, esclarece Marina. “Quanto menos estímulos são apresentados, mais medo ele pode desenvolver futuramente. Quando é socializado, o cão antecipa o autoconhecimento. Quanto mais cedo socializarmos o bichinho, mais ele vai se conhecer e desenvolver segurança.”

Animais que vivem isolados podem ainda desenvolver ansiedade de separação, episódios de ansiedade, destruição de móveis e mordedura excessiva. Uma vez que os problemas se tornam mais sérios, o indicado é que o tutor busque auxílio de adestradores e especialistas.

Interação

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
Mas existem medidas que podem auxiliar no desenvolvimento da socialização. Uma delas é o método escolhido pela professora Marília Ferreira Alencar, 29 anos, dona do pug Brad Pitt, de dois anos. Único pet de Marília, ele vive em um apartamento e é considerado a criança da casa.

Para tentar diminuir a solidão de Brad, que algumas vezes fica sozinho em casa, Marília passeia com ele todos os dias. Sempre busca horários em que ele possa encontrar amigos cachorros durante o trajeto. Segundo os especialistas, encontros diários com outros pets para que possam acontecer brincadeiras e interações são uma das formas de  permitir que o cão aprenda a se comportar em situações diferentes, mesmo sendo o único animal da casa.

Marília também costuma levar Brad a uma chácara onde ele encontra mais cachorros e pode correr à vontade. “Ele fica super agitado e gosta muito de brincar. Apesar de ser sozinho em casa, é bem sociável e fico até com dó quando descemos e ele quer brincar, mas os outros cães não dão muita bola para ele.”

A professora afirma que considera ter outro filhote, para diminuir a solidão de Brad, mas que ainda tem ressalvas, por causa do espaço e do trabalho que um novo cãozinho dá. “O Brad já está bem educado, então isso passa a ser só uma possibilidade.”

Brad tem uma página no Facebook, a Pug Brasília. Lá, Marília e outros tutores conversam, tiram dúvidas e trocam dicas. E marcam encontros de socialização entre pets da raça.

Para conviver bem

  • Estimule o contato com outros cães, trazendo animais conhecidos para dentro de casa ou participando de encontros. Para os animais que já apresentam medo ou agressividade, o ideal é que o cão ao qual ele será apresentado inicialmente seja bem tranquilo e aberto ao convívio pacífico.
  • Quando o pet for conhecer um cachorro, deixe o encontro ainda mais prazeroso. Leve e ofereça petiscos de que ele goste e o recompense quando ocorrer uma interação positiva.
  • Use jogos que entretenham o animal durante as horas que ele passa sozinho em casa. Podem ser brinquedos com comidas congeladas escondidas nas cavidades ou petiscos espalhados pelo ambiente do animal, simulando uma espécie de caça ao tesouro.
  • Faça passeios diários e brincadeiras que gastem a energia do animal. 

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