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Crianças esperam ansiosas pela visita do Papai Noel neste Natal

Hoje, Lucas, Eloá, João Pedro, Arthur Henrique, João Victor, Elis, Enzo e Marcela têm um compromisso inadiável. À noite, eles receberão a visita de um velhinho barrigudo, de barba branca, roupa vermelha e muita bondade no coração. Assim como outras milhares de crianças do mundo, a crença deles mantém viva a magia do Natal

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postado em 24/12/2017 07:00 / atualizado em 22/12/2017 16:42

Ao redor do mundo, Santa Claus, Papai Noel, Veijito Pascuero e Pére Noel são só alguns de seus inúmeros apelidos. Sua história muda a cada país e encanta adultos e crianças na tão esperada véspera de Natal. Apesar das diferentes crenças, algo permanece no imaginário de todos: a figura do velhinho barrigudo, de pele rosada e cabelos grisalhos. Sua bondade, contada nas histórias, é inspiração e instiga momentos de reflexão.

Mas quem é esse senhor para quem as crianças escrevem uma cartinha, contando como têm se comportado e pedindo um presente de Natal? Estudiosos afirmam que a figura do Bom Velhinho foi inspirada no bispo Nicolau, nascido na Turquia — e transformado em santo após várias pessoas atribuírem milagres a ele — há muito tempo. A história conta que o homem, de bom coração, ajudava pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximos às chaminés de suas casas. Foi na Alemanha que São Nicolau recebeu a associação ao Natal e, a partir daí, ela se espalhou em pouco tempo pelo mundo todo.

Ainda que a lenda do Papai Noel seja coisa antiga, as renas e os sacos com presentes foram uma invenção trazida dos Estados Unidos. Em 1823, um escritor inglês escreveu o poema Uma visita de São Nicolau, imaginando que o Bom Velhinho cruzava os céus em um trenó puxado por nove renas. No Brasil, elas receberam os nomes de Rodolfo, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago.

Também devemos aos norte-americanos a atual imagem do Noel. Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o símbolo do Natal com o figurino criado pelo cartunista Thomas Nast, em que Papai Noel usava as cores do refrigerante, que seriam as mesmas da data festiva.

Para muitas crianças, Papai Noel vive no Polo Norte e tem a ajuda de seus duendes para fabricar e distribuir os brinquedos. Na véspera de Natal, visita as casas e deixa os presentes, tão esperados, na janela do quintal, embaixo da árvore ou dentro das meias. Mais do que uma lenda, a tradição se perpetua pela crença e universo de fantasias vivenciados por tantas famílias e passados de geração a geração.

Quem não teve a oportunidade de acreditar quando criança não abre mão de que o filho viva o momento especial. E quem já acreditou aproveita a oportunidade para se encantar e brincar mais uma vez. Como as histórias que contaremos a seguir.

Cada bola, um sentimento

Carlos Vieira/CB/D.A Press
Quando Lucas Leite, 10 anos, abre a porta de casa, não restam dúvidas de que o menino ama o Natal. Pela sala, casinhas e porta-retratos celebram a data e, em seu coração, a ansiedade e a expectativa marcam a espera da chegada do Bom Velhinho. Mais do que época de ganhar presente, ele garante que o significado do Papai Noel é estar com a família e espalhar o amor. Dúvidas? Elas não existem em sua cabecinha quando o assunto é a existência do bondoso velhinho.

“O Papai Noel está construindo os brinquedos no Polo Norte, ora”, responde ele prontamente quando perguntado sobre o paradeiro da figura. “Este ano, pedi uma chuteira e sei que os duendes o estão ajudando a fabricar. Não faço carta, mas falo com os mensageiros dele que ficam no shopping”, explica. A mãe do garoto, Débora Ferreira, 33, afirma que, apesar de os amigos contestarem a existência do Papai Noel, o menino não deixa de acreditar nele e na magia proporcionada pela imagem.

“Sempre falo que, se ele acredita, é porque existe”, diz. A servidora pública conta que, desde cedo, ela e a família incentivaram o pequeno a crer no Bom Velhinho. “Acho que isso  faz com que a infância seja mágica e esperamos que a dele seja memorável.” No fim de novembro, já é hora de preparar a casa para a chegada da data. Todos garantem que o momento é de alegria e de muita recordação.

Para este ano, Débora e o marido, Hamilton Junior, 37, fizeram uma brincadeira especial: para cada bola colocada na árvore, a família falou de um sentimento que espera para o ano que em breve se inicia. “São momentos muito bons para a gente. Trazemos a memória do Natal e fortalecemos o sentido dele. Lembro que, quando era pequena, o Papai Noel era uma figura que ajudava a criar a criança. Aqui em casa, ele é usado de forma lúdica, como uma figura de esperança”, ressalta.

Há seis anos, não houve um Natal em que um copo de leite e um prato com biscoitos não fossem colocados à espera do Papai Noel. A família conta que a ideia partiu do próprio Lucas, que um dia, voltando da escola, achou que o Bom Velhinho deveria se alimentar para conseguir entregar com perfeição todos os presentes. “Acho maravilhoso para a criatividade e o desenvolvimento dele. Pensamos o que o Noel vai trazer, onde ele mora, quando ele vem... Ele sabe o que quer, mas não tem certeza se é isso que vai poder ganhar. Então, tem toda aquela expectativa.” 

A importância de acreditar

De acordo com especialistas, a crença no Papai Noel é saudável, pois ajuda os pequenos a entenderem que a fantasia é o primeiro passo para transformar um desejo em realidade. 

Um psicólogo da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, conduziu um interessante estudo sobre o tema. No livro The Philosophical Baby: What Children’s Minds Tell Us About Love, Truth and the Meaning of Life (ainda sem tradução para o português), o especialista mostra os resultados de testes realizados com 152 crianças de 3 e 4 anos. Em um primeiro momento, os participantes foram questionados sobre as fantasias que criavam e acreditavam. Em seguida, fizeram alguns testes para saber como entendiam o mundo real.

O especialista concluiu que as crianças que brincavam e acreditavam mais em fantasias se saíam melhor na hora de entender a expectativa dos outros e distinguir a realidade da ilusão. Segundo ele, as crianças criam imagens nas suas cabeças, pensam em soluções e se tornam mais criativas. Esse tipo de pensamento as levariam, ainda, a entender como o mundo funciona, gerando novas ideias.

Psicóloga especialista em terapia familiar sistêmica e mãe de dois filhos, Lia Clerot diz que acreditar na fantasia faz parte do processo natural da nossa evolução: as crianças, diferentemente dos adultos, ainda não conseguem separar o mundo real e o da ficção. Assim, quando confirmam que algo realmente “existe”, as coisas parecem lógicas em suas cabeças. “Acreditar no mítico e na fantasia estimula o desenvolvimento da criatividade. A imersão no lúdico também reforça laços afetivos e emocionais, pois esse jogo de brincar e imaginar sempre envolve outras pessoas, sejam elas os pais, irmãos, sejam outros membros da família e amigos.”

Lia acredita que a figura do Papai Noel ajuda a criança a se ver dentro do contexto de alegria, celebração, fartura e família. Outro ponto positivo da crença, destacado por ela, é que histórias como a do Bom Velhinho carregam lições importantes para o caráter.

Quem concorda com isso é a pedagoga especialista em psicopedagogia Katia da Silva. “É extremamente importante despertar o prazer das crianças pelos contos de fadas e vivenciar com elas esse universo. É preciso respeitar a idade e preservar a alegria de acreditar em algo que não está ao nosso alcance, mas que pode mudar circunstâncias para melhor.” 

A especialista garante que a fantasia desenvolve na criança a esperança, o otimismo, a fé no que é bom e pode trazer alento nas horas de medo e de dor, fazendo-as acreditar que o bem sempre vence o mal.

Para ler

  • Outra vez os três porquinhos, Companhia das Letrinhas (R$ 37,90)
  • O pedacinho de carvão, Companhia das Letrinhas (R$ 39,90)
  • O Natal do carteiro, Companhia das Letrinhas (R$ 49,90)
  • O Peru de Natal e outros contos de Mário de Andrade, Editora do Brasil (R$ 44,80)
  • Mingau e o pinheiro torto, Editora do Brasil (R$ 40,20)

As férias do Bom Velhinho

Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
“O Papai Noel é gentil e quer ver o mundo alegre. Ele gosta de dar presente para as pessoas e ver o sorriso no rosto delas. Quando quero falar com ele, chego pertinho da árvore de Natal e sei que ele me escuta”, relata Eloá Melia, 7 anos, emocionada. A data, que sempre foi especial na família por reunir parentes e amigos, tornou-se ainda mais importante com a chegada da menina. 

Quando pequena, a bancária e mãe de Eloá, Suellen Melia, 36, não foi incentivada a acreditar no Bom Velhinho. Ela afirma que a falta da crença a estimulou a fazer com que a filha acreditasse não só na figura do Papai Noel, como na Fada do Dente e no Coelhinho da Páscoa.

A entrevista para a Revista do Correio só foi possível, segundo a mãe, depois que Eloá conversou com o Papai Noel e ele garantiu que não ficaria bravo se ela falasse um pouco sobre ele. Tudo isso porque, no ano passado, em uma viagem que fez com o pai a Caldas Novas, a menina conheceu um senhor que trabalhava como Noel em um shopping da cidade. 

“Ele contou a ela que estava de férias e que isso precisava ser o segredo deles. Se não, ele não conseguiria descansar. O senhor chegou a mostrar fotos dele vestido e tudo mais”, revela a mãe. A partir daí, não há espaço para quem diga que a figura não existe.

Suellen brinca que, quando alguém questiona Eloá, ela é quem deixa a pessoa insegura sobre a existência do velhinho. “Não sabia que aquele encontro tinha sido tão importante para ela, até ver como ela se lembra disso até hoje.” 

E não faltam incentivos para que a pequena continue acreditando — já teve vídeo editável com o Papai Noel falando que daria à menina o que ela pediu e até um papo com ele por telefone. Para a mãe, tudo é positivo.

“Ela anseia pelo Natal. Na escola, quando perguntam o que ela mais gosta de fazer, ela responde que é o amigo-oculto com a família. Dá pra acreditar?”, diverte-se Suellen. No momento de decorar a casa, não tem para ninguém: todos os anos, a pequena coloca a estrela no topo da árvore e ajuda com cada detalhe dos enfeites.

Eloá já tem em mente que o bom comportamento e o presente do Natal caminham juntos. “Nunca condicionamos essa questão, mas ela sempre fala que é preciso merecer”, diz a mãe. Todos os anos, a família escolhe algum enfeite para produzir em conjunto. Para 2017, todos confeccionaram uma linda guirlanda de CDs, que foi colocada na entrada principal da casa. 

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