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Desde mimos para TPM até cervejas: conheça diferentes clubes de assinaturas

Criatividade e diversidade de produtos mantêm acesa a fidelidade de consumidores aos clubes de assinantes, que não param de crescer

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postado em 07/01/2018 07:00 / atualizado em 05/01/2018 17:10

Chegar em casa depois de um dia cansativo e encontrar uma caixa cheia de itens que você gosta, embrulhados com delicadeza e cuidado e muitas vezes acompanhados de um bilhete atencioso é uma experiência apreciada por cada vez mais pessoas. Os clubes de assinatura, serviços em que o cliente paga um valor mensal e recebe uma espécie de caixa surpresa pelo correio, se tornaram moda. E, mesmo passada a febre, continuam muito procurados.
 
O que tem chamado atenção, no entanto, são os clubes mais inusitados, que fogem do lugar-comum e prometem experiências únicas aos assinantes. Conheça alguns desses clubes e seus assinantes brasilienses.

Um carinho contra a TPM!

Que mulher nunca viveu a terrível experiência de estar nos piores dias da tensão pré-menstrual, desejando um doce ou um salgadinho com todas as forças e ao mesmo tempo não querendo ou não conseguindo sair de casa para providenciar as guloseimas? Foi pensando nisso que a empresária Gabriela Toledo, 23 anos, teve a ideia de criar o Xô, TPM, um clube de assinatura que envia caixas cheias de mimos para ajudar as mulheres nesses momentos.

Muito ligada às redes sociais, Gabriela estudava e queria se ocupar com algo além do estágio. “As caixinhas estavam muito na moda, mas a maioria era de coisas saudáveis, fitness. E eu me questionava sobre as pessoas que gostavam de comer bobagens, coisa que eu sempre gostei, principalmente na época da TPM”, conta, rindo.
Antonio Cunha/CB/D.A. Press.
A partir de então, a ideia tomou forma e o namorado de Gabriela se tornou sócio na empreitada. Funcionando há um ano, o clube de assinatura passou a vender também caixas avulsas, que se tornaram a maior fonte de lucro do Xô, TPM. “Tenho clientes que compram quase todo mês, mas preferem não fazer a assinatura, porque quando estão mais apertadas acabam abrindo mão da caixa”, diz Gabriela.
 
Além disso, muitas pessoas compram para dar de presente para a namorada. “E aí a surpresa é maior ainda”, afirma a empresária. Ela oferece três categorias de caixa: Express, Basic e Premium. Todas contêm pelo menos um absorvente, um salgadinho e um chocolate. “Não podemos ter nenhuma caixa sem chocolate”, afirma.
 
A grande diferença entre as categorias mais simples é a quantidade. Enquanto uma tem apenas uma qualidade de salgado ou doce, a segunda costuma conter dois ou mais itens. Já a opção Premium é mais elaborada. Além dos itens comuns a todas, leva refrigerante e artigos relacionados ao bem-estar, como velas perfumadas.
 

Sem remédio

Nenhuma das caixas oferece analgésicos ou qualquer outro tipo de medicamento. A criadora da marca explica que acha perigoso enviar remédios sem prescrição e opta por incluir chás de camomila ou erva-doce como alternativa.
 
A Xô, TPM é de São Paulo e o maior número de encomendas vem da capital paulista. Brasília ocupa o quarto lugar nas vendas das caixinhas — entre 15 a 20 por mês. Além da caixa tradicional, ela compartilha com as clientes playlists no Spotify toda semana e garante que, mais do que produtos, busca entregar aos assinantes um estilo de vida.
 
Cliente do clube de assinatura desde a criação, a técnica em licitação Raíla Andressa da Silva Lorga, 23 anos, afirma que só não é assinante porque o orçamento ainda não permite. Mas todo mês, revela, o primeiro dinheiro que sobra é destinado à caixinha Premium. Para ela, o serviço sai mais caro do que ir ao mercado e comprar os itens separadamente, mas não se trata apenas dos produtos, e sim, da experiência.
 
“Você está em casa ou no trabalho e chega um mimo para você. Não sabemos exatamente o que vai vir, então, temos o prazer de abrir e descobrir. Fico muito animada quando a caixa chega, ansiosa para abrir logo. O sentimento de que alguém pensou em você na hora de criar aquilo é muito bacana”, conta Raíla.
 
Uma das vantagens, para ela, é a surpresa. Apesar de saber que sempre terá um chocolate para aplacar a vontade de comer doces, ela não sabe que tipo ou marca receberá. “Eu adoro essa parte de conhecer coisas novas, muitas vezes é algo que você nunca viu ou nunca pensou em comprar. Aí fica surpreendido com a qualidade e feliz por descobrir um novo chocolate”, brinca.
 
A caixa preferida de Raíla foi uma edição especial para o Dia dos Namorados, chamada in love. O pacote veio com itens românticos e eróticos para apimentar a noite do casal. Ela pretende, assim que possível, se tornar assinante oficial.
 
Fã de clubes de assinatura, Raíla participa de outro, e todo mês recebe produtos diversos para crianças de até três anos, idade de sua filha Alice Isabela da Silva Lorga. “Vale muito a pena, porque a assinatura sai mais em conta do que comprar tudo separado e muitas vezes a caixa tem até brinquedos, é muito legal. Se sobrasse dinheiro eu teria clube de assinatura de tudo, mas priorizo o da minha filha.”

Para começar a ler cedo 

Conectada, Clara Bastos, 7 anos, descobriu o Leiturinha em um aplicativo de celular destinado ao público infantil e apresentou a novidade aos pais, a produtora de eventos Kelly Bastos, 38 anos, e o engenheiro de sistemas Alexsander Bastos, 46. “Quando ela comentou, há cerca de um ano, estava no processo de alfabetização e achamos importante estimular o interesse pela leitura desde cedo. Gostamos da ideia do clube de assinatura e fazemos parte desde então”, lembra Alexsander.
Arquivo pessoal
 
A maior vantagem para o casal é a comodidade de receber os livros em casa mensalmente, além da tranquilidade de saber que o conteúdo é 100% dedicado ao público infantil. “Fico mais despreocupada de saber que existem profissionais por trás da escolha dos livros, indicando o que é mais adequado para cada idade”, afirma Kelly.
 
Além disso, a rotina agitada da família, que acaba de receber um novo membro, Erik Bastos, de três meses, não permite que eles saiam para comprar livros para Clara com tanta frequência. “Nos momentos que temos em família, preferimos sempre priorizar o nosso lazer. O processo de ir a uma livraria para comprar os livros nos tira um tempo precioso. Como os livros chegam em casa, ganhamos mais tempo e lemos juntos”, conta Alexsander.
 
Além dos livros, os kits do Leiturinha sempre envolvem jogos, bichinhos de pelúcia, fantoches, livros para colorir e outros materiais que estimulam a leitura. O clube trabalha com três planos diferentes. No Uni, a caixa traz um livro e uma carta pedagógica com dicas de atividades, além de surpresas. O Duni acrescenta mais um livro e acesso a uma biblioteca digital com mais de mil volumes. O Kit Presente, vendido por unidade, também oferece dois livros e os mesmos benefícios do Uni. O conteúdo é selecionado por uma equipe de especialistas em desenvolvimento infantil a partir da faixa etária da criança.
 
O CEO da Leiturinha, Rodolfo Reis, conta que a ideia surgiu a partir de uma conversa com os outros dois criadores do clube, Guilherme Martins e Luiz Castilho, sobre a importância de pais e filhos compartilharem o hábito da leitura, criando um vínculo de carinho e aprendizado. “A ideia de criar o primeiro clube do livro infantil do Brasil se transformou no nosso projeto de vida, auxiliando os pais na difícil tarefa de escolher livros adequados para crianças e no fortalecimento desse vínculo tão importante”, afirma.
 
A família de Clara Bastos está entre as 85 mil que assinam o Leiturinha, criado na mineira cidade de Poços de Caldas, em 2014. O clube tem muitos clientes brasilienses e chega a distribuir mais de 170 mil livros por mês. Para Rodolfo, a principal missão do Leiturinha é permitir a essas famílias uma experiência “mágica, educativa e divertida”.
 
Kelly e Alexsander assinam ainda um clube de vinhos, que traz receitas e revistas relacionadas a bebida enviada e afirmam que a comodidade e a exclusividade são os principais atrativos. “Outro diferencial são os elementos que vêm ao redor do foco principal, seja dos livros da Clara ou dos nossos vinhos. São coisas a mais que deixam a experiência mais rica”, diz o engenheiro de sistemas.
 

Cerveja em casa, por que não? 

No começo do ano, Dennys Rodrigues Oliveira, 39 anos, começou a produzir cerveja em casa. Para alimentar o hobby, conheceu uma loja on-line que vendia insumos a todo o Brasil. Além dos ingredientes e ferramentas necessárias para a fermentação da bebida, a Lamas Brew Shop também trazia dicas e receitas, fazendo do engenheiro um usuário frequente.
Carlos Vieira/CB/D.A Press
Na mesma época, em janeiro, a loja criou um clube de assinatura exclusivo para mestres cervejeiros. A ideia era atender pessoas que já criassem a própria cerveja, incrementando ainda mais o processo. Depois de receber um e-mail destinado aos clientes mais ativos, Dennys se tornou assinante do Lamas Brew Club. A cada dois meses, recebe um kit com receitas e ingredientes nas medidas exatas para a criação de diferentes cervejas.
 
O engenheiro se animou ao receber a primeira remessa. “Além da comodidade de ter todos os ingredientes chegando na minha casa, tenho contato com receitas e técnicas novas. Eles nos enviam insumos exclusivos, coisas que não achamos para comprar em qualquer lugar”, elogia.
 
Outra vantagem do serviço, na opinião de Dennys, é a possibilidade de sair da zona de conforto. Em um dos envios, a receita escolhida era de uma cerveja levemente salgada. “É inusitado. Quando eu produzia escolhendo a cerveja por conta própria, nunca escolheria algo assim, tão diferente. Assim, tenho contato com um universo ainda mais amplo de um tema que me atrai.”
 
Um dos criadores da Lamas Brew Shop e do Lamas Brew Club, David Figueira afirma que esse sempre foi um dos objetivos do clube de assinaturas. “Queremos é isso, fazer com que receitas diferentes cheguem a um número maior de apaixonados por cerveja.”
 
Com a base de operações em Campinas, o clube busca reunir os mestres cervejeiros que querem dar um upgrade na parte técnica da fabricação. “Nós buscamos sempre enviar receitas com nível de dificuldade acima da média. Não é um serviço destinado aos iniciantes, mas sim aos que já têm os equipamentos e um certo conhecimento”, explica David.
 
Inicialmente, o clube foi pensado para cerca de 100 membros, mas fez tanto sucesso que hoje existem em torno de 700 assinantes espalhados pelo Brasil. A frequência bimestral foi escolhida pelo tempo que cada cerveja pode levar para ficar pronta. Todos os kits levam a mesma receita. O que diferencia uma assinatura da outra é o volume produzido — cada cliente pode escolher entre kits de 5, 10 ou 20 litros.
 
Dennys escolheu o kit de 10 litros e garante que os sabores têm sido aprovados por ele, além dos amigos e família. “Eu produzo sozinho, é uma diversão para mim. Sempre dou garrafas de presente para quem vem me visitar. Os amigos conhecedores de cerveja sempre têm uma observação ou outra, mas eu gosto de beber minha cerveja. Diria que ela é bebível”, brinca.

Erotismo sob medida

Casados há cerca de dois anos, o programador e desenvolvedor de sistemas para internet Maicon Ribeiro Esteves, 33 anos, e a designer Daiane Malgarin, 27, viram uma notícia sobre um clube de assinatura erótico norte-americano e se interessaram pelo serviço. Decidiram pesquisar, mas não encontraram por aqui nada semelhante.
 
O que no início foi uma decepção, por não achar o serviço que lhes interessava, se tornou uma oportunidade, porque Maicon e Daiane decidiram criar seu próprio negócio. Assim, em 2014, surgiu o Adeus Rotina, clube de assinatura de produtos eróticos que atende todo o Brasil e entrega cerca de 500 caixas por mês.
Adeus Rotina/Divulgação
 
Depois de pesquisar sex shops e conversar com sexólogos, o casal começou a vender caixas avulsas. O grande sucesso de vendas foi um incentivo para continuarem a investir no mercado de assinaturas. “Desde o começo a ideia não era entregar só os produtos, mas sim uma experiência para o casal. Assim, decidimos que cada mês teria um tema especial e produtos condizentes com ele”, explica Maicon.
 
Ao perceberem que alguns temas eram intensos demais para casais em início de relacionamento ou pouca intimidade, surgiu a ideia de criar planos diferentes. O Light é o indicado para o casal que está se conhecendo. O Clássico possui produtos um pouco mais ousados. E o Premium envolve uma experiência mais elaborada e temas mais picantes. 
 
Com o crescimento do Adeus, Rotina surgiram demandas diferentes. Os empresários criaram o boxe para casais héteros e casais homossexuais, com diferenciação entre os destinados aos casais femininos e masculinos, de acordo com a especificidade dos produtos.
 
Daiane é a responsável pela criação dos temas. Cada caixa costuma ter pelo menos um acessório e um produto cosmético, como cremes e loções. A quantidade e a variedade dos produtos dependem do plano escolhido. Entre os temas que fazem mais sucesso estão as caixas sadô, inspiradas nos filmes da série 50 Tons de Cinza. “Sempre têm uma repercussão muito grande.
 
Repetimos todo ano e sempre é um sucesso, as pessoas ficam esperando por ela”, revela Daiane.
 
O Adeus Rotina também tem uma revista digital e um questionário on-line que funciona como uma espécie de tinder (aplicativo de encontros) de fantasias para o casal. Cada um responde separadamente e o programa mostra quais foram as respostas que combinaram, permitindo assim que os parceiros criem coragem de conversar sobre seus desejos.
 
Maicon e Daiane contam que a experiência do Adeus Rotina vai além do sexo. A ideia é ajudar os casais a se conectarem. Sexólogos e psicólogos dão dicas de relacionamento e o site tem uma variedade de temas relacionados à vida a dois. “Nosso propósito é ajudar um casal que se ama a se relacionar da melhor forma possível, envolvendo todos os aspectos da relação, não só o sexo”, completa Maicon.

Onde encontrar

Xô TPM
www.xotpm.com/

Leiturinha
www.leiturinha.com.br

Lamas Brew Club
www.loja.lamasbrewshop.com.br/lamas-brew-club

Adeus Rotina
www.adeusrotina.com.br

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