Secretaria optou por transformar escolas em ambientes inspiradores

Para a secretária estadual de Educação, Raquel Teixeira, a estratégia tem provocado uma revolução no aprendizado nas escolas de Goiás

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postado em 17/12/2017 14:38 / atualizado em 17/12/2017 15:18

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
A lição diária nas escolas do estado de Goiás tem como base a superação. Mais do que números, diz a secretária estadual de Educação, Raquel Teixeira, a prioridade é criar um ambiente inspirador, que estimule o diálogo e o respeito. Tal estratégia tem provocado uma revolução no aprendizado. A determinação, acrescenta a secretária, é não fugir dos problemas. Muito pelo contrário. É encará-los e encontrar as soluções rapidamente. Essa determinação fez com que Goiás disparasse nos rankings que medem a qualidade do ensino público no país.

Nem mesmo temas pesados, como o aumento da criminalidade entre os jovens, que os fazem a abandonar as salas de aula, têm inibido o trabalho da Secretaria de Educação. "Não tem jeito. O mundo moderno é violento e a escola não está imune a isso", afirma Raquel, que dribla esse problema com investimento maciço em programas com modelos educacionais mais arrojados que contam, ao mesmo tempo, com ações inovadoras e atividades socioemocionais.

A meta da Secretaria de Educação é motivar alunos e professores em sala de aula. Para isso, foram criados programas para que os alunos pensem ‘fora da caixa’ e os estimulem a estudar com exercícios direcionados não só para passar em exames, mas, acima de tudo, que os façam vencer na vida. Neste sentido, Goiás fez o deve de casa, correu atrás do prejuízo e, a partir deum projeto inovador, desenvolveu vários programas interligados e monitorados por um sistema de gestão on-line.

Em primeiro lugar, a secretária de Educação diz que se preocupou em combater os elevados índices de evasão escolar. "Todas as pesquisas do mundo mostram que os resultados acontecem quando se estabelece a primeira meta: ter aluno e professor na escola todo dia", afirma. Em um mundo regido pela efeméride da informação, em que todos estão conectados à internet, professores lutam para manter os alunos em sala de aula concentrados e estimulados. Na opinião de Raquel, este é o primeiro desafio da educação no Brasil, a regra número um.

O segundo passo, conta a secretária, foi produzir material pedagógico estruturado. "Essa é a grande novidade de Goiás, o grande avanço", destaca. Ela ressalta que todos nascem com um potencial muito parecido. "Dependendo das chances que surgem, as crianças e jovens se tornam adultos diferentes. Então, o sistema educacional tem de criar janelas de oportunidades de equidade, de justiça social", pontua.

Ainda segundo ela, o estado avançou nessa vertente, "mas a excelência, a qualidade daquilo que se aprende na escola, o direito que os alunos têm de aprender — aquilo que é devido na idade certa — está longe de ser alcançado. E a equidade passa mais ainda pela complexidade do país", aponta a secretária, que coordena 560 mil alunos, 42 mil funcionários, em 10.140 escolas, espalhadas em 246 municípios.

Desafio diário

Raquel Teixeira explica que Goiás é um estado essencialmente agrícola. "Nossas escolas rurais são consideradas urbanas porque os alunos fazem um percurso de 130 a 150 quilômetros de ônibus para chegar à sala de aula", explica. Ela reconhece que essa é uma complexidade que não ainda conseguiu resolver. "Estamos longe do desejável", afirma a secretária, que diz ter também como desafio trabalhar com a cultura e o esporte no estado, recém-incorporados à pasta da Educação.

Outro ponto sensível é a questão da educação básica. Raquel afirma que prefere apostar no apoio aos municípios. Desde o início deste ano, o estado repassa recursos para as prefeituras. Ela frisa que essa é uma experiência nova para o estado e acrescenta que tem mecanismos muito rigorosos de acompanhamento. "Todo o recurso é destinado à construção de salas de aula e creches, além do apoio às escolas", garante.

Não é só. Raquel ressalta que abraçou a causa da educação infantil nos municípios. "Poderia dizer que não é minha responsabilidade. Mas tenho a ambição de achar que sou mais do que a gestora da rede estadual de educação. Então, fizemos convênios por adesão dos municípios. Criamos um grupo de educação infantil na secretaria. Abrimos um fundo de educação infantil para os repasses, nos moldes do Sistema Único de Saúde (SUS)”, acrescenta.

A secretária afirma que o estado de Goiás contava com 39 municípios com zero oferta de creches, sendo a 22ª pior de educação infantil do país. "Por adesão, estamos repassando recursos, apoiando na formação de professores, ligando todos os sistemas de gestão on-line para que possamos apoiá-los eletronicamente”, conta."A cada US$ 1 investido na educação infantil, temos US$ 7,6 de retorno nos seguintes termos: maior escolaridade das crianças (elas permanecem mais tempo na escola) resulta em melhores condições futuras de trabalho, emprego e renda. Essas crianças tendem a ter casa própria, menos envolvimento com drogas, com marginalidade", esclarece.

Arquivo Pessoal

Depoimento

A goiana Anna Carolina  Toledo, 19 anos, é a prova de que estudar na rede pública de ensino é sinal de índice de aproveitamento nota mil no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No fim de 2016, ela prestou sete vestibulares e passou em todos, obtendo 1º lugar em Engenharia de Alimentos (Pontifícia Universidade Católica, PUC), 1º lugar em Matemática (Universidade Federal de Goiás, UFG), 1º lugar em Matemática (Universidade Estadual de Goiás, UEG) e 1º lugar em Engenharia Florestal (UEG). Também passou em Medicina na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), não ranqueado, pois passou em primeira chamada e sua opção prioritária foi Matemática), em Engenharia Civil (UEG) e em Direito (FMB).

A jovem se orgulha em dizer que fez o ensino fundamental e o ensino médio na rede pública. Atualmente, ela mora em Senador Canedo, cidade ao lado de Goiânia e estuda Matemática na Universidade Federal de Goiás. Será professora. "Apesar de ter conquistado diversas alternativas para escolha de cursos de graduação, acredito que é um privilégio ter logo encontrado aquela que me trará realização independentemente de status. Foi um choque para a maioria eu não ter escolhido fazer alguma Engenharia, pois eu tinha nota suficiente para escolher qualquer curso na UFG", conta

Na avaliação de Anna Carolina, é muito importante optar pela profissão que realmente desperta a paixão. "Meus critérios para escolher uma graduação foram ter habilidade na área, gostar do assunto e ser capaz de me ver fazendo aquilo pelo resto da minha vida"
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