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Com indefectíveis camisa preta, calça jeans e tênis, o CEO da Apple, Steve Jobs, subiu pontualmente, às 10h (horário local) da quarta-feira, ao palco do Yerba Buena Center for the Arts, na Califórnia, para apresentar um produto que, de acordo com notícias veiculadas nas últimas semanas, revolucionaria o mercado de tecnologia. O iPad — computador portátil com acesso à internet — foi revelado com todas as pompas e jogadas de marketing que caracterizam os eventos da marca. “O iPad nasce com 75 milhões de pessoas sabendo usá-lo”, bradou o empresário, referindo-se ao número de usuários de iPhone e iPod Touch. O Correio ouviu quatro especialistas em informática, “applemaníacos” confessos, para compartilhar as primeiras impressões do aparelho que terá lançamento mundial em dois meses. A única certeza? De forma geral, o iPad agradou, mas não é unanimidade.
Produto ousado“Gostei bastante da iniciativa e da ousadia da Apple. Ficou claro que Steve Jobs esperou para ver se a moda do e-reader (dispositivo para livros digitais) pegaria. Como deu certo, a empresa resolveu apostar nessa plataforma. Toda a base de configuração é adequada e não acho que a câmera faça falta. Realmente, não senti falta de qualquer outro recurso. Esse produto, no entanto, precisa ser analisado de maneira especial. As pessoas não podem querer compará-lo com o iPod Touch, o iPhone ou laptops. O iPad é um dispositivo de consumo de conteúdo bem mais pessoal e íntimo que os disponíveis no mercado, como o (e-reader) Kindle, por exemplo. Com certeza, a Amazon está ligada nos acontecimentos e uma nova linha do Kindle deve chegar ao mercado, em breve, com novos recursos e preços mais baratos. Acho muito sadia essa briga por fatias da indústria de tecnologia, porque os consumidores saem ganhando. O iPad é o terceiro grande produto da Apple, com impacto tão forte quanto o causado por iPhone e MacBook. Outro aspecto positivo é que o iPad vai movimentar ainda mais o mercado de marcas, que cresce desde o surgimento das lojas de aplicativos.”
Gabriel Jacob, analista de tendências da Fischer Fala e editor do blog Adivertido.comMais recursos“Pelo exagero na produção dos eventos da Apple, sempre fica difícil fazer uma análise mais fria do produto. Na minha opinião, mais importante que o lançamento do iPad é a oferta de mais uma plataforma para o consumo de conteúdos. Claro, o aparelho oferece recursos que outros e-readers no mercado ainda não têm. Para quem está em casa ou viajando, é excelente para ver fotos, assistir a filmes ou ler livros. Quanto ao fato de o aparelho não ter câmera, essa foi uma ausência muito sentida por algumas pessoas. Não por mim. Veja o caso do iPod Touch, que também não tem esse recurso e continua fazendo muito sucesso. A tendência é que as próximas versões do tablet venham com opções que ficaram de fora desta vez. A comparação do iPad com outros gadgets tem de ser feita com critérios. No caso do Kindle, a Amazon deve perder clientes, mas isso fará com que a marca promova melhorias no e-reader. Eu estou ansioso para experimentar e penso que será muito útil. Não vejo motivos para condenar o iPad. As pessoas gostam de reclamar por bobagens.”
Ian Black, publicitário e consultor em redes digitaisCírculo completo“Acompanho a Apple há bastante tempo e posso afirmar que esse lançamento foi uma ação estratégica para fechar um trio de produtos, formado também por iPod Touch e iPhone. Steve Jobs quis completar o círculo de lojas virtuais também. Agora, além do iTunes (música) e App Store (aplicativos), a Apple traz o iBook, que ocupará a lacuna da marca no mercado editorial. Um aspecto que vale a pena destacar é a presença de um processador da Apple. Assim, a empresa irá aumentar sensivelmente o faturamento. Apesar das vantagens, senti falta da câmera, porque seria muito útil para usar um software da própria marca que é o iChat. Também faltaram portas simples, como as saídas HDMI e DVI, para conectar o gadget a televisores. A ausência desses detalhes chateia bastante porque passa a impressão de que a Apple segura trunfos para lançamentos futuros. Acredito que o iPad só não trará mais problemas às vendas do Kindle porque, em termos de mercado editorial, a Amazon consegue chegar mais rapidamente a outros países.”
Newton Mota, redator do site MacMagazineBons preços“É um equipamento muito interessante, que mantém a interface multitouch, elevando essa tecnologia a outro patamar. É importante ressaltar que o iPad chega ao mercado com cerca de 140 mil softwares disponíveis por causa da compatibilidade com o iPhone. O que me chamou a atenção foi o preço sugerido. A maior parte das especulações dava conta que o gadget seria vendido por valores entre US$ 600 e US$ 1 mil. Fiquei bastante impressionado com os preços a partir de US$ 489. As principais virtudes do iPad são o peso e a interface. No entanto, nem todos os aspectos do lançamento de quarta-feira foram positivos. É frustrante saber que o iPad transferiu alguns problemas do iPhone, como o erro com flash. O iPad também tem recursos multitarefas limitados e a falta de uma entrada USB limita bastante as opções dos usuários. Como consumidor, eu esperaria as próximas gerações do produto, porque a pessoa acaba pagando o preço da novidade. Depois, as novas versões chegam com mais recursos e preços mais baratos.”
Daniel Santos, editor especial da Macworld Brasil
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Esta matéria tem: (2) comentários
Autor: Felipe Camilo
Está ai um produto que não vai ver o meu dinheiro. | Denuncie |
Autor: Arnaldo Vieira Neto
Se esses "ESPECIALISTAS" se preocupassem não somente em criticar um produto que nem ao menos ainda entrou no mercado, mas entrar na página da Apple nos EUA, veriam que existem vários adaptadores, inclusive para USB e cartão de memória SD. Lamentável os profetas do acontecido... | Denuncie |