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Especialistas advertem que o Brasil está atrasado no trabalho com veículos elétricos A tecnologia promete ser a solução mais limpa para rodar pelas ruas do país. O principal obstáculo é a necessidade de grande investimento em pesquisa

Igor Silveira

Publicação: 10/03/2010 08:22 Atualização: 10/03/2010 08:39

As demonstrações de insatisfação da natureza com o aquecimento global são constantes. A disputa econômica por combustíveis como o petróleo é motivo de guerra entre países. Eventos grandiosos, como os Jogos Olímpicos, incentivam o desenvolvimento de uma infraestrutura ecologicamente correta. Percebe-se que as indicações sobre a importância de veículos movidos a energia limpa vêm de todos os lados. A indústria automobilística tem investido pesado na criação de modelos de carros de passeio e de transporte público que usem a eletricidade como combustível. O Brasil, no entanto, ainda engatinha no segmento. Em comparação com outros países que trabalham com modelos elétricos, o mercado nacional é considerado atrasado por especialistas.

Desde os primeiros protótipos de carros elétricos — o francês La Jamais Contente, de 1889 (que se tornou também o primeiro carro na história a ultrapassar a marca dos 100km/h), e o alemão Porsche, de 1900 —, o assunto permeia as discussões sobre tendências da indústria automobilística. Recentemente, as vantagens ambientais, energéticas e sociais se tornaram latentes. Isso sem contar os benefícios econômicos. Projeções de fabricantes apontam que, em 2020, as vendas mundiais de veículos movidos a energia limpa vão representar de 2% a 20% do total do mercado. Mesmo assim, o Brasil conta com apenas duas fábricas de ônibus híbridos (1), por exemplo. Quando o assunto é veículo leve, o país faz apenas testes, como os realizados no projeto da Itaipu Binacional, em parceria com a Fiat, a KWO e a Eletrobrás.

O principal entrave da indústria de veículos elétricos é o custo do investimento. Faltam incentivos fiscais, por exemplo, alegam os especialistas. O preço da bateria, em torno de 60% do total do valor do automóvel elétrico, é um obstáculo que engenheiros responsáveis pela tecnologia tentam superar. O peso, o volume e a capacidade também não são as ideais. Apesar disso, os cientistas têm conseguido bons resultados com as baterias de íon de lítio. Quando as empresas de transporte disponibilizarem esse produto, as vantagens econômicas para clientes brasileiros serão enormes. O custo operacional de um carro elétrico é sete vezes mais baixo do que o de um veículo movido a gasolina.

“Cerca de 87% da energia do Brasil é limpa, dividida entre hidráulica, nuclear, eólica e do bagaço da cana. A questão do custo da bateria poderia ser solucionada, como já pensam algumas fabricantes, com o aluguel dessas fontes de energia, da mesma maneira que alugamos os serviços das empresas de telefonia celular”, explica Marcelo Schowb, especialista em veículos elétricos e engenheiro responsável pela área de energia do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). “O uso de ônibus elétricos no país resolveria uma série de questões: poderíamos deixar de importar óleo diesel, reduziríamos a poluição sonora e do ar, (hoje contaminada) por causa da quantidade de enxofre no combustível, além de ter um aproveitamento melhor do espaço interno do veículo”, completa.

Discussão
A tecnologia disponível, atualmente, permite aos veículos elétricos uma autonomia média que varia entre 120km e 150km. Portanto, esses meios de transporte não serviriam para grandes distâncias, mas funcionariam muito bem em perímetros urbanos, onde haveria pontos para recarregar a bateria. Duas montadoras têm exemplos bem-sucedidos de carros de passeio, utilizados em países como os Estados Unidos e o Japão: o Nissan Leaf e a Mitsubishi iMiev. Diante de tantas vantagens, por que a indústria automobilística brasileira não investe em veículos de passeio e transportes de massa elétricos?

De acordo com o diretor de tecnologia da Associação Brasileira de Veículo Elétrico (ABVE), Antonio Vicente Silva, no caso de veículos leves, a culpa é basicamente das montadoras. Com a seção de engenharia, geralmente, fixada no exterior, os projetos demoram a chegar no Brasil depois de serem desenvolvidos e testados. Quando se trata dos veículos pesados, o problema está no custo para os que exploram os serviços de transporte público. Primeiro, o preço cobrado pela energia elétrica nos horários de maior movimento de passageiros é mais alto. Depois, há uma taxação elevada sobre a energia fornecida para esse tipo de atividade.

“As pessoas demoram para acordar para problemas assim. As empresas que exploram o serviço de transporte público temem que haja uma margem de lucro menor com a troca da frota movida a diesel. O próprio ônibus elétrico é mais caro, pelo tamanho da escala de produção. Dessa maneira, o cliente sai perdendo, porque o usuário deixa de ter uma passagem mais barata e um veículo mais confortável e menos poluente. Na minha opinião, seria interessante que, pelo menos no início da implementação dos veículos elétricos, o governo oferecesse algum tipo de subsídio, como é feito em outros países, ou uma diminuição nas taxas do setor”, defende Silva.

1 - Eletricidade e combustível

Segundo especialistas em veículos elétricos e profissionais que trabalham com a proteção do meio ambiente, os carros híbridos são uma solução temporária. Embora os carros e ônibus que rodam com eletricidade e gasolina, por exemplo, já poluam menos que os carros convencionais movidos apenas por um combustível, os exclusivamente elétricos serão ainda mais “limpos”. Além disso, o desempenho no consumo de combustível também será melhor, preveem os especialistas.

COMPARAÇÃO ECONÔMICA NO BRASIL
(custo operacional com combustível)

Gasolina
(R$ 2,75/l e 10 km/l): R$ 0,275/km (1:1).
Álcool
(R$ 2,00/l e 7,5 km/l): R$ 0,266/km (1:0,97).
Diesel
(R$ 2,10/l e 12 km/l): R$ 0,175/km (1:0,64).
Gás natural
(R$ 1,45/m³ e 12 km/m³): R$ 0,121/km (1:0,44).
Eletricidade
(15 kWh/120 km – 8 km/kWh e R$ 0,30/kWh):
R$ 0,0375/km (*) (1:0,14) cerca de sete vezes mais baixo que com gasolina.
(*) pode ser menor com carregamento elétrico em horários fora de ponta ou com tarifas especiais de madrugada.

PERSPECTIVAS DE IMPLANTAÇÃO DE NOVOS MODELOS E SISTEMAS DE TRANSPORTE ELÉTRICO NAS CIDADES BRASILEIRAS


Vantagens ambientais (redução de emissão de gases de impacto global, regional e local, material particulado, vibrações e ruídos);
Vantagens econômicas (redução de custos operacionais de manutenção e operação, apesar da eventual elevação de custos de investimento em material de transporte, logística e, em certos casos, em infraestrutura; possibilidades de desenvolvimento de tecnologia nacional);
Vantagens energéticas (aumento da eficiência energética da cadeia; melhor aproveitamento dos recursos energéticos);
Vantagens sociais (aumento da qualidade de vida na cidade - usuários e habitantes).

Esta matéria tem: (5) comentários

Autor: Carlos Motta
Olá Igor e leitores! Gostaria de dizer que estamos firmes no propósito de lançar o Pompéo Elétrico em 2010! Consolidamos diversos parceiros importantes para o projeto e fabricação, e são 500 cadastros "Quero meu Pompéo" em poucos meses, sem nenhuma divulgação! www.triciclopompeo.com.br | Denuncie |

Autor: Antoniel Oliveira
Nossa legislação também atrapalha. Desisti de usar uma bicicleta elétrica para pequenos trajetos quando descobri que teria de tirar uma carteira especial, mesmo já sendo motorista habilitado. Esse veículo só atinge 40km/h! Ela seria ideal prá ir da Asa Sul à Esplanada. | Denuncie |

Autor: Samuel Junior
Claro que o Brasil está atrasado, afinal, não querem perder o "filão" do etanol, quem insistir em uma tecnologia ultrapassada como é o carro a álcool ou biodiesel. Com carro elétrico, vai exportar o que? Só o carro? Tem que exportar tb o combustível, é assim que pens ao governo. | Denuncie |

Autor: Cesar Rocha
O Brasil passou a ser o País do Passado. Isso de há muito tempo... Sempre que vejo alguma notícia sobre carros elétricos, sinto saudades do velho Gurgel, que morreu de desgosto pela falta de apoio a sua empresa. | Denuncie |

Autor: Alfredo Pintarelli
O Brasil demora para cair a ficha enquanto que o mundo já aposta fortemente em pesquisa e lançamento de veículos elétricos. Por outro lado, o atraso, como aconteceu com a fibra optica, pode baratear a novidade. O que, obviamente, não justifica não investirmos fortemente em pesquisa. | Denuncie |

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