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Projeto de crianças e adolescentes aborda problema das mudanças climáticas

Thais de Luna

Publicação: 21/10/2011 11:00 Atualização: 21/10/2011 17:16

Um evento que ocorre simultaneamente em 500 cidades brasileiras tem revelado crianças e jovens que descobriram maneiras de ajudar a sociedade e transformar realidades com o uso da tecnologia. Seja na criação de protótipos de dispositivos que podem ajudar em resgates no futuro, seja no uso da internet como ferramenta para influenciar os mais novos a se interessar pela temida área de ciências exatas, há estudantes fazendo a diferença. Alguns, inclusive, pensam em adotar o universo tecnológico como norte para sua futura profissão. Muitos deles mostram seu talento na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que ocorre até domingo.

Tiago Moura, 14 anos, estudante do 9º ano do Centro de Ensino Candanguinho, pretende fazer faculdade de engenharia mecatrônica. O menino, nas aulas extracurriculares de robótica, criou um robô que pode ser usado para salvar vítimas de um incêndio. O protótipo usa sensores de luz para ser guiado por um ambiente e resgatar o indivíduo, que é localizado por ultrassom. “As ondas ultrassonoras são emitidas pelo robô, que, assim, consegue identificar barreiras localizadas na sua frente”, explica Tiago. A criação do estudante e outras de seus colegas estão sendo apresentadas nos estandes na Esplanada dos Ministérios.

Essa exposição de projetos pode estimular crianças e adolescentes a se interessarem por áreas do conhecimento que até então pouco davam importância, esperam os organizadores. De acordo com o Secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio de Oliveira, o evento, que ocorre desde segunda-feira, tem como intuito justamente a difusão científica e tecnológica no país, além de ser um instrumento de formação, educação e reforço do aprendizado de crianças em idade escolar.

O universitário Marco Antônio de Oliveira, 20 anos — que, coincidentemente, é homônimo do secretário —, começou a estudar ciências da computação por influência do pai, que também se graduou na área. É exatamente esse encanto pela tecnologia que ele espera transmitir para as crianças e adolescentes que visitam a feira e conhecem o projeto da Wikiteca, site desenvolvido por alunos do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb). “Nosso objetivo com o site é mostrar a estudantes do ensino fundamental e médio aspectos interessantes e úteis da área de exatas”, conta Oliveira. Na Wikiteca, há desafios para os jovens resolverem, curiosidades envolvendo conteúdos de ciências e matemática, conteúdos que os estudantes aprendem na sala de aula e experimentos que as pessoas podem fazer em casa.

O portal é alimentado pelos universitários e tem agradado quem vai conhecer o estande do Iesb. “As crianças que visitam o local ficam encantadas com o projeto”, garante o estudante de ciências da computação. Bruno Xavier, 25 anos, que faz engenharia elétrica na mesma instituição de ensino, também participa do projeto. Ele é quem desenvolveu um dos dispositivos presentes no site e no estande, o gerador elétrico, que usa energia mecânica e magnetismo para desenvolver eletricidade. “Essa é uma forma diferente e divertida de os jovens aprenderem”, destaca.

Preocupação universal

O tema do evento deste ano é “Mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção de riscos”. A escolha por esse assunto ocorreu dada sua relevância global, pois integra a agenda de todo o planeta. “A SNCT é o momento em que a gente aproxima o mundo da ciência e da tecnologia das situações vividas pela maioria das pessoas. Queremos mostrar que os temas mais relevantes dessas áreas podem dizer respeito às preocupações da população”, ressalta o secretário.

Para aprender mais sobre o tema e sobre a interferência da população sobre o meio ambiente, alunos do Centro Educacional Adventista Milton Afonso dispõem de uma série de jogos de computador em que precisam preservar o lugar que administram. Lara Luiza Sousa, 13 anos, estudante do 8º ano, falou sobre os jogos. “Em um deles, precisamos mudar o mundo. Temos que observar os níveis de oxigênio e gás carbônico, controlar a poluição, enfim, tomar cuidado para preservar a qualidade ambiental do planeta. Em outro, você é o prefeito de uma cidade, eleito devido a seus projetos ambientais. Tem que cuidar dos rios e lagos e usar energia solar ou material reciclável nas construções. Nele, também usamos créditos de carbono”, descreve. Em outro, é necessário cuidar da própria casa, para mantê-la limpa, organizada e emitir o mínimo de poluição possível.

O colega de Lara José Henrique Vilella Neto, 13 anos, conta que, em outro game que usa na escola, é necessário construir a cidade do zero. “Tem que moldar o terreno, fazer prédios, essas coisas. Mas precisa tomar cuidado para não deixar a cidade ficar poluída, senão podem ocorrer protestos e a cidade começa a falir”, diverte-se.

Segundo a professora de ciências Adriana Viana Oliveira, a escola trabalha com esses jogos no laboratório de informática com alunos de todas as séries. “Eles adoram e aprendem sobre meio ambiente de forma divertida”, comenta.

No país todo

A 8ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) começou em 17 de outubro e prossegue até domingo, simultaneamente, em cerca de 500 cidades do país. Quase 9,5 mil atividades foram marcadas no evento, entre exposições, oficinas, palestras e exibição de vídeos. Apenas no canteiro central da Esplanada dos Ministérios há 64 estandes, mas também há eventos ligados à SNCT no Centro Cultural do Banco do Brasil, em algumas regiões administrativas e na Universidade de Brasília.

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