tecnologia

Estudo norte-americano estuda "saúde" de baterias por ressonância magnética

Thais de Luna

Publicação: 20/02/2012 08:46 Atualização:

Aparelhos de ressonância magnética são comumente usados na área médica para fazer imagens dos órgãos do corpo humano, sem, obviamente, precisar abri-lo e, consequentemente, danificá-lo. Esse retrato do organismo é elaborado com o uso do campo magnético e, por esse motivo, recomenda-se que pacientes não usem objetos metálicos durante o exame. Um grupo de pesquisadores de universidades norte-americanas decidiu fazer com que seus “pacientes”, as baterias de lítio-íon — presentes em aparelhos de celular, notebooks e tablets —, também passassem por uma ressonância magnética, a fim de analisarem seu funcionamento interno. A ideia, inicialmente, parece absurda, já que esses objetos são majoritariamente compostos por metais. Mesmo assim, o procedimento mostrou-se bem sucedido, permitindo que cientistas observassem o que ocorre dentro da bateria com ela fechada, sem danificá-la. Todo esse processo permite que se melhore o desempenho e a segurança do dispositivo que armazena energia química e a transforma em elétrica, ao fornecer um diagnóstico de como anda a “saúde” dele.

O metal bloqueia os campos de radiofrequência, motivo pelo qual ainda não havia a ideia de aplicar a técnica, tão difundida na medicina, no setor tecnológico. “Nós conseguimos, no entanto, usar esse ponto negativo a nosso favor. Com foco na superfície dos condutores, fomos capazes de ver os depósitos de lítio nos eletrodos das baterias depois que elas foram recarregadas”, afirma o autor da pesquisa Alexej Jerschow, professor do Departamento de Química da Universidade de Nova York , que coordena um laboratório de pesquisas na área de ressonância magnética, em entrevista ao Correio. “O acúmulo do material pode levar, em casos extremos, a falhas da bateria, como perda da capacidade de manter a carga e superaquecimento”, adverte, citando as informações descritas na pesquisa que foi publicada recentemente na revista científica Nature Materials.

Segundo o grupo de pesquisadores, o melhor é que se estudem os diferentes materiais que compõem uma bateria quando ela está inteira e pode funcionar normalmente. “Esse método de análise é o único não invasivo que nos permite fazer isso”, comenta Jerschow, que também trabalhou com cientistas da Universidade de Cambridge e da Universidade de Stony Brook. Ele admite que ficou surpreso ao obter imagens de ressonância magnética na presença de metal. “É curioso porque, na maioria das situações, isso é algo que tentamos evitar: os metais geram distorções na imagem, além de geralmente não ser possível obter bons sinais das regiões com esses componentes”, explica. “No nosso caso, porém, fomos bem-sucedidos em caracterizar a superfície dos eletrodos da bateria, técnica que será extremamente útil para projetar novos componentes para esses objetos”, comemora.

A matéria completa você lê na edição impressa desta segunda-feira (20/2) do Correio Braziliense

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