Tecnologia

Estados Unidos testa o primeiro jato não tripulado chamado X-47B

Roberta Machado
postado em 10/09/2012 09:41
O X-47B durante um dos testes: o principal uso do avião é no aperfeiçoamento de sistemas de pouso em porta-aviões

A automatização das máquinas tem grande aplicação em fábricas, postos de atendimento e escritórios, mas há um lugar em que os dispositivos autônomos são mais do que bem-vindos: o campo de batalha. É cada vez menos comum a visão do soldado de arma na mão à moda antiga. Hoje, tanques e jatos vão à luta sozinhos, sem piloto. Os Estados Unidos já enviaram mais de 10 mil aeronaves de reconhecimento não tripuladas ao Afeganistão, ao Iêmen e a outras áreas de risco. Os veículos obedecem a ordens de acordo com as ordens dadas a quilômetros de distância.

A tecnologia, no entanto, vai além: uma nova geração de aviões está sendo preparada para voar completamente desacompanhada. São jatos que decolam, desviam de obstáculos, pousam e até mesmo participam de manobras de abastecimento por conta própria. Esses feitos são possíveis graças ao Programa de Sistema de Combate Aéreo Não Tripulado e Demonstração (UCAS-D, na sigla em inglês), da Marinha dos Estados Unidos.

[SAIBAMAIS] Em 2007, o programa encomendou, à mesma empresa que ajudou no desenvolvimento do sistema de navegação do Curiosity (o jipe-robô que explora o solo de Marte), uma máquina capaz de voar sem controle direto ou remoto. Os frutos do investimento de R$ 15 milhões começam a ser colhidos neste ano. As duas aeronaves modelo X-47B já realizaram 23 voos de teste, durante os quais mostraram funcionar perfeitamente a 4,5 mil metros de altitude e a uma velocidade que ultrapassa os 300km/h. O modelo realizou, inclusive, o primeiro pouso de toque-arremetida autônomo da história (em que o avião toca o chão e imediatamente volta para o ar). Agora, o jato está passando por melhoras de software para realizar, ano que vem, uma ação que é o maior pesadelo de qualquer piloto: decolar e pousar em um porta-aviões. Por enquanto, a máquina foi testada numa plataforma falsa em um rio.



Depois disso, em 2014, o jato será colocado diante de outro grande desafio. Até lá, espera-se que ele esteja pronto para participar de um abastecimento de combustível em pleno ar com outra aeronave, sem a ajuda de qualquer piloto. Os dois feitos são inéditos para um avião não tripulado. ;Um porta-aviões no meio do mar é um dos ambientes mais duros para a aviação;, ressalta o capitão Jaime Engdahl, responsável pelo programa UCAS-D na Marinha dos EUA. ;O reabastecimento aéreo autônomo pode aumentar significativamente a duração e o alcance dos voos não tripulados com base em porta-aviões.;
Enquanto a aeronave autônoma faz manobras no ar, um profissional em uma sala de controle acompanha os movimentos do veículo e fica a postos para tomar o controle em caso de emergência. Mas, em situações normais, bastam alguns cliques no mouse para dizer ao avião o que fazer ; os comandos são adaptações do manual de operações em linguagem digital. ;A comunicação entre o X-47B e o controle ocorre numa ligação de dados digitais. Comandos visuais e orais usados pelas aeronaves tripuladas existentes foram digitalizados para que ele realize as mesmas tarefas;, explica Tighe Parmenter, gerente do projeto UCAS na Nortrop Grumman, a empresa contratada pela Marinha para criar o jato.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação