Análise: Batman Arkham Knight conclui a saga do herói com maestria

Último capítulo da franquia melhora todos aspectos dos jogos anteriores e toma corajosos riscos narrativos

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postado em 13/07/2015 16:20 / atualizado em 13/07/2015 16:26

Max Valarezo

Warner Bros. Interactive Entertainment/Divulgação
 
 
Quando Batman: Arkham Asylum foi lançado em 2009, o mundo dos games foi pego de surpresa. Com um sistema de mundo aberto amplo, métodos de combate inovadores e momentos de investigação, o Homem Morcego finalmente recebeu um jogo à altura da importância do personagem. Seis anos e três capítulos depois, chega às lojas Batman: Arkham Kinght, anunciado como a conclusão da saga criada pelos estúdios da Rocksteady. E a história alcança um final que beira o primoroso.

Tudo que era visto e amado pelos fãs nos três jogos anteriores (Arkham Asylum, Arkham City e Arkham Origins), retorna e é melhorado de forma significativa. A começar pelo mapa, cinco vezes maior do que o visto em Arkham City. Gotham está mais ampla, rica e detalhada do que nunca. A atmosfera fica ainda mais completa com a noite que se prolonga, com o tempo sombrio e os divertidos diálogos que podem ser ouvidos entre bandidos nas ruas.

O sistema de combate free flow, que mudou a forma de criar batalhas em games, está mais fluido e cativante do que nunca, graças a novas possibilidades de combos e de interação com o cenário.

As missões secundárias são tão envolventes que é muito fácil se ver distraído em relação à história principal (ou mesmo menos interessado em segui-la de imediato), apenas para poder continuar a caça a trofeús, charadas, capangas do Pinguim e do Duas-Caras ou então para resolver uma série de assassinatos no melhor estilo detetive high tech, possibilitado pela tecnologia do Batman. Todos os desafios são muito variados e proporcionam um excelente trabalho em fazer o jogador explorar as ruas da enorme Gotham. 
 
Warner Bros. Interactive Entertainment/Divulgação
Novidades
 
E é satisfatório ver como a desenvolvedora não quis deixar tudo fácil demais, já que certas tarefas só podem ser localizadas se o jogador prestar muita atenção nos arredores. Um bom exemplo é quando deve-se caçar o vilão Morcego Humano: para localizá-lo, nada de um ponto marcado no mapa para ser seguido. Enquanto ele voa pela cidade, é necessário prestar atenção aos guinchos altos emitidos por ele nos céus.
 
Mas o jogo não seria tão bom se apenas ampliasse o que já existia. E então entram as principais novidades. A principal delas, extremamente divulgada pela Rocksteady, é o Batmóvel - disponível para ser utilizado pela primeira vez na série. E, engana-se quem pensa que ele serve apenas como uma forma de transporte por Gotham, o veículo é capaz de se transformar numa espécie de tanque super poderoso e ágil. 

Usar a máquina pode não parecer a ideia mais empolgante para quem quer apenas voar pelos céus da cidade e bater em criminosos. Mas, os desenvolvedores conseguiram encaixar o Batmóvel no game de forma interessante. Não apenas com perseguições e batalhas contra drones, mas também em quebra-cabeças que só podem ser resolvidos com a ajuda do carrão.

Outro atrativo muito benvindo é a possibilidade de controlar, em momentos muito específicos, alguns personagens secundários como Mulher Gato, Robin e Asa Noturna. É possível, não apenas alternar entre eles e o Homem Morcego, mas também fazer combos em dupla que tornam as batalhas mais mirabolantes e envolventes.
 
Warner Bros. Interactive Entertainment/Divulgação
Roteiro de coragem

Em Batman: Arkham Knight, a grande ameaça é o Espantalho, que pretende contaminar Gotham City inteira com um alucinógeno gás do medo. Devido ao perigo, a cidade é evacuada - o que a deixa praticamente deserta - a não ser por Batman, a polícia e os bandidos que ficaram para trás nas ruas.

A trama poderia parecer muito básica e sem brilho se ela se resumisse apenas a esse plano do Espantalho. Afinal, histórias similares já foram vistas antes: não apenas por ser a mesma ameaça feita pelo mesmo vilão no filme Batman Begins (2005), mas também pelas diversas histórias em que a cidade se viu preocupada com o Coringa e o gás do riso dele. A Rocksteady, porém, enriqueceu o enredo de forma eficiente com a criação de um novo inimigo: o Cavaleiro de Arkham, uma figura misteriosa que conhece todos os métodos do Batman e é capaz de enfrentá-lo quase de igual para igual.

Por quase todo o jogo, fica a intriga para saber qual a verdadeira identidade do Cavaleiro de Arkham. Cada interação entre o Homem Morcego e o novo vilão só aumenta a curiosidade do jogador e serve de descanso para a linha de história do Espantalho, extremamente clichê em diversos momentos.
 
Outro acerto narrativo de Batman: Arkham Knight é a maior presença dos ajudantes clássicos, como o comissário Gordon, Oráculo, Robin e Asa Noturna. Todos eles tiveram participações mais tímidas nos games anteriores, mas aqui aparecem como peças fundamentais para levar a história adiante e, melhor ainda, para dar mais complexidade ao protagonista. Na interação dele com os colegas, vê-se uma faceta tradicional do Batman explorada nos quadrinhos, mas ainda pouco vista nos games: a do herói que precisa tomar decisões que parecem muito egoístas (e, às vezes, moralmente questionáveis) como forma de sacrifício pelo bem maior da cidade e das pessoas que ele jurou proteger.
 
Warner Bros. Interactive Entertainment/Divulgação
 
As reviravoltas já vistas nos títulos anteriores também estão presentes aqui, mas em maior número. São diversas cenas que tentam pegar o jogador de surpresa (algumas com mais sucesso, outras com menos) e dão origem a momentos dramáticos que demonstram como a Rocksteady não teve medo de tomar certos riscos narrativos.

A história se desenrola muito bem na edição nacional graças ao ótimo trabalho de dublagem feito no game, que contou com Ettore Zuim - responsável por dar voz a Batman nas versões dubladas da trilogia dirigida por Christopher Nolan no cinema. O único problema são alguns momentos pontuais em que a tradução deixa a desejar. Mas nada que tire a imersão do jogador.

Desfecho
 
Para todos os efeitos, Batman: Arkham Knight é a conclusão que a série merece. A franquia é, sem sombra de dúvidas, a melhor adaptação de super-heróis para os videogames, graças à eficiência em por o jogador na pele do Batman em todas as facetas do personagem: o brutamontes mestre do combate, o justiceiro dos aparelhos tecnológicos, o detetive perspicaz e incansável. Tudo isso em meio a um mundo aberto convidativo, com mecânicas melhoradas, desafios intrigantes e história bem elaborada, mesmo que previsível em diversos pontos. 
 
Warner Bros. Interactive Entertainment/Divulgação
 
Se os aspectos mecânicos do jogo já são suficientes para tornar este título extremamente recomendável, Batman: Arkham Knight tem ainda o mérito de conseguir transmitir os conflitos internos clássicos do personagem da forma mais eficiente já vista nos videogames até hoje. Aqui, Batman não é mais apenas o detetive lutador visto nos títulos anteriores. Ele é também o protagonista atormentado pelo próprio lado sombrio, pelas próprias limitações e pelo impacto que causa na vida de quem se une a ele. Pode soar dramático, mas fica claro que o tom de grandiosidade era o objetivo da Rocksteady ao elaborar o capítulo final da franquia que criou. E nenhum final é mais justo para a série que mudou a forma de criar games de heróis.

Nota
Jogabilidade: 2,5
Sons: 2,5
Entretenimento: 2,0
Gráficos: 2,5
Total: 9,5

Informações técnicas
- Publicação: Warner Bros. Interactive Entertainment
- Desenvolvimento: Rocksteady Studios
- Plataformas: Xbox One, PlayStation 4, PC, Mac, Linux
- Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos
- Jogadores:
- Preço: R$ 199,90 (consoles) R$ 120 (computadores)

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