Esportes eletrônicos, uma paixão mundial que rende milhões aos jogadores

Campeonatos de e-sports ganham cada vez mais admiradores e dão recompensas milionárias. Neste ano, mais de R$ 62 milhões serão pagos aos cyberatletas, a maior premiação da história desse tipo de evento

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postado em 13/08/2015 19:17 / atualizado em 13/08/2015 19:39

 

Riot/Divulgação

Jogadores profissionais, torcida eufórica, estádios lotados, prêmios milionários e narradores em tempo real. Apesar de se assemelhar, e muito, com uma partida de futebol, a febre mundial é outra e está cada vez mais comum no Brasil: os campeonatos de esportes eletrônicos. Associados a jogos on-line como DotA (Defense of the Ancients) e League of Legends (LoL), torneios nacionais e internacionais de e-sports reúnem milhares de pessoas e contam com premiações milionárias. O Dota 2 International 2015, por exemplo, será responsável pelo maior valor já pago a cyberatletas, cerca de R$ 62,7 milhões.

O último desses campeonatos ocorreu no sábado, no Allianz Parque, em São Paulo, e reuniu um público de mais de 12 mil pessoas. A disputa foi entre a Pain Gaming (veja entrevista com o capitão do time) e a INTZ. A primeira ganhou por 3 x 0, levou R$ 60 mil e vai disputar uma vaga no campeonato mundial do game, na Europa, com os melhores times da América Latina e da Rússia.

Jogador profissional de League of Legends, Daniel Dias conta que, para um jogo ser reconhecido como e-sports, é necessário que ele tenha uma versão que possa ser jogada competitivamente, com equipes e premiações. “Sem dúvidas, DotA e LoL são os mais jogados em multiplayer on-line. Acredito que o grande diferencial desses jogos está nas premiações, na popularidade, na possibilidade de jogar entre amigos e no grande portfólio de personagens, o que acaba atraindo muitos jogadores por se identificarem com os estilos em si”, comenta.

Conhecido pelo nickname Dans1, Daniel faz parte da formação original da equipe KaBum! E-sports, desde 2013, quando passou a jogar como profissional. O rapaz conta que, durante os campeonatos, treina de seis a oito horas por dia. “Ao fim de um torneio, geralmente tiramos uma semana de folga para voltar para casa e descansar, retornando, em seguida, para o preparo da competição seguinte”, relata.

 

Riot/Divulgação
 

O jogador revela que, atualmente, consegue se manter com o que ganha pela KaBum! “Desde quando comecei a jogar, sempre me esforcei bastante, e isso fez com que me destacasse e fosse contratado. A dedicação faz a diferença em qualquer atividade ou profissão que você escolher. O talento também conta, mas, sem treino e espírito de equipe, ele pode não auxiliar a longo prazo.”

Técnico em uma empresa de tecnologia, Jefferson Prado, 20 anos, joga LoL há dois anos e conta que está longe de ser considerado profissional. “Tem gente que pratica desde que estava no open beta (fase de teste). Chegar ao nível profissional é muito complicado, não dá para qualquer um.” Jefferson relata que já jogou algumas partidas de DotA, mas achou o MOBA da Riot Games mais interessante e desafiador. “A galera costuma criar minicampeonatos locais. Nas equipes on-line, você já vê que é bem difícil. A ideia de ganhar dinheiro é ótima, mas deve ser complicado”, afirma.

Mercado promissor
Pesquisa feita pela companhia Super Data revela que o mercado de jogos on-line mudou drasticamente nos últimos anos. A categoria deve gerar US$ 11 bilhões até o fim de 2015, representando 21% do mercado de jogos digitais. Para Daniel, além das premiações milionárias, a estrutura dos campeonatos e a preparação das equipes têm chamado a atenção do público. “Como qualquer outro esporte, diversos patrocinadores e empresas estão se envolvendo cada vez mais, incentivando e investindo no eletrônico”, diz.

O gamer ressalta que o Brasil é o quarto maior consumidor de games do mundo. Graças a isso, tem potencial de sobra. “Já estamos realizando competições de grande nível, atraindo multidões de fãs em estádios e milhares de pessoas pela internet em transmissões. Acredito que, com o apoio da mídia e do mercado consumidor, em breve transmitiremos jogos pela televisão, o que trará muito mais espaço para o esporte eletrônico.”

 

Riot/Divulgação
 

Marcelo Tavares, CEO da Brasil Game Show (BGS), maior feira de jogos eletrônicos da América Latina, acredita que o sucesso do segmento de e-sports em países como China e EUA pode chegar ao Brasil. “Na BGS, por exemplo, esse é um dos segmentos que vêm recebendo grande destaque. Podemos observar isso com os números da Brasil Game Cup (BGC), que teve sua primeira edição em 2014, reuniu oito times, alguns internacionais, e contou com aproximadamente 800 mil pessoas assistindo às competições via internet, além do público presente na feira, de mais de 250 mil pessoas”. Marcelo está otimista com relação ao BGC deste ano. “Esperamos que o evento tenha um crescimento de 20%.”

O CEO também espera que jogos de console ganhem espaço nas competições de e-sports. “Hoje em dia, o que predomina são os games para PC. Acredito que se tornarão mais populares os para mobile, um importante mercado em nosso país. A partir do momento em que as competições de e-sports envolverem um número maior de plataformas e diferentes gêneros, a tendência é, sim, de que o segmento obtenha muito mais espaço do que tem atualmente”, afirma.

Estratégia
MOBA (Multiplayer On-line Battle Arena) é uma subcategoria de jogos de estratégia em tempo real. Na maioria dos games, o jogador controla um herói em batalha contra dezenas de outros personagens com o objetivo de destruir as torres e o núcleo de poder da equipe adversária.

Vencedores
Em 2013, a equipe de Daniel ganhou a WCG Brasil e conseguiu vaga para o torneio na China, em que participaram da fase de grupos. Em 2014, ganharam o Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL), que garantiu a vaga para o International Wild Card, em Seattle (EUA). “Nós também vencemos o IWC e conseguimos a vaga inédita para o mundial, com uma das etapas em Cingapura. Encerramos nossa participação na fase de grupos, mas deixamos nossa marca, vencendo um dos favoritos do campeonato — o time Alliance”, conta o jogador.


>> entrevista Thúlio Carlos

Arquivo pessoal
No último sábado, o Estádio Allianz Parque, em São Paulo, recebeu a final do Circuito Brasileiro de League of Legends (CBLoL). Cerca de 12 mil pessoas assistiram à equipe Pain Gaming vencer a INTZ por 3 x 0 e conquistar o bicampeonato nacional. Em entrevista, o capitão da Pain Gaming, Thúlio “Sirt” Carlos, 22 anos, falou um pouco sobre a conquista e os preparativos para disputar uma das vagas no campeonato mundial.

Qual é a sensação de ser capitão de uma equipe bicampeã do campeonato nacional de League of Legends?
A sensação é única! Se ganhar um campeonato brasileiro já é um feito histórico, imagina dois. É uma coisa inexplicável, não só por ser capitão, mas por ver que todos os jogadores estavam dedicados para que a vitória acontecesse.

Como a equipe se preparou para o campeonato? Vocês mantinham alguma rotina de treino?
Desde o inicio das play-offs (semifinais), estávamos treinando intensamente, com o mínimo de descanso possível, pois sabíamos que esse era o nosso campeonato. Não podíamos deixar essa oportunidade passar.

A INTZ, rival de vocês na final, treinou para o campeonato nos EUA. Isso acabou influenciando a Pain de alguma maneira?
Sinceramente, nos influenciou positivamente. Saber que eles treinariam contra os melhores times dos EUA e a gente ia ficar aqui fez com que nosso foco fosse ainda maior para intensificar nossos treinos, extrair o nosso máximo para não ficar atrás.

Agora, vocês vão disputar uma vaga para o campeonato mundial de LoL. Como pretendem se preparar para a disputa?
Principalmente, estudar os times. Ver bastante replay, já que nunca jogamos com eles. Treinar como treinamos para cada jogo dessa semifinal, sem perder o foco e com bastante dedicação.

Você acha que a Pain consegue trazer um título mundial para o Brasil?
Querendo ou não, é algo bem complicado. Mas pode ter certeza de que vamos dar nosso melhor para orgulhar os brasileiros. A Pain passou por algumas reformulações com o passar dos anos.

Você acha que, finalmente, conseguiram montar a formação perfeita?
Perfeita é uma palavra muito forte. Acho que conseguimos ser um time, não só cinco jogadores jogando individualmente, mas uma estrutura para que pequenos problemas sejam insignificantes perto de um objetivo comum, ir ao mundial e representar bem o Brasil.

Quase 100% da torcida estava apoiando a Pain. Você acha que esse apoio deu força para a conquista do campeonato?
Com certeza. Subir no palco e ver aquela torcida deu um gás a mais. Sempre dá um frio na barriga antes da competição, mas, quando eu vi que quase todo mundo estava torcendo pra gente, soube que aquele era o nosso campeonato. A gente tinha que fazer bonito para o público que nos admira.

A Pain já disputou uma vaga para o campeonato mundial em 2013. Infelizmente, não foi daquela vez que a equipe conseguiu um lugar. O que vocês farão de diferente desta vez?
Era tudo muito novo, não estávamos preparados, não tínhamos projeção para ir ao mundial. Hoje, nosso objetivo é chegar lá e estamos trabalhando para isso.

Quais foram as principais diferenças da conquista do CBLOL 2013 para a conquista do CBLOL 2015?
Preparação, dedicação e união. Em 2013, apesar de termos ganho, sinto que a equipe possuía muitas falhas que não sabíamos como consertar. Agora, mesmo com alguns problemas — afinal, nenhuma equipe é perfeita —, conseguimos ser um time unido e dedicado.

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Com informações de Álef Calado

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