Análise: "Metal Gear V" marca despedida de Hideo Kojima para a série

Elementos da jogabilidade favorecem a atmosfera épica da história do game

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postado em 28/09/2015 15:45 / atualizado em 28/09/2015 15:52

Álvaro Viana - Especial para o Correio /

Konami/Divulgação


Em um primeiro momento, Phantom Pain não parece ser um título da série Metal Gear. Em apenas 15 minutos, o jogador desbrava diferentes estilos de jogabilidade - alguns não comuns à franquia - e já se sente completamente imerso no game, pois conta com as possibilidades de administrar exércitos e uma base militar inteira, interrogar inimigos, solicitar suporte aéreo, munições e veículos, entre outros. Ao contrário do que se imagina, a mistura de todos estes elementos não atrapalha, em nada, a experiência do jogo.

Metal Gear V: Phantom Pain confere aos jogadores toda a liberdade para executar missões da maneira que achar melhor. Seja eliminando inimigos, seja tranquilizando-os e passando despercebido ou até mesmo sem encostar em ninguém.

O game quase não saiu. No início do ano, os boatos de impasses entre a Kojima Productions e a Konami deixaram os jogadores apreensivos. A sequência de notícias envolvendo retirada de nomes do site do projeto, cancelamento de um podcast da desenvolvedora, demissões e “reestruturações dentro da empresa” tornaram o ambiente ainda mais nebuloso e culminaram no anúncio mais recente da Konami, de que a produtora vai deixar de produzir jogos de alto orçamento - com exceção a Pro Evolution Soccer.

Essa série de eventos foi o suficiente para plantar um ponto de interrogação na cabeça dos fãs com relação ao destino do jogo. Porém, após o lançamento do game, os jogadores puderam tirar suas próprias conclusões. Mesmo utilizando uma fórmula já batida nos games da geração atual - mundo aberto -, Metal Gear V: Phantom Pain, consegue seu lugar de destaque.

Konami/Divulgação


Enredo
A narrativa de alguns dos jogos da franquia Metal Gear pode ser considerada uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que as cenas principais chamavam atenção pela exuberância cinematográfica e pela riqueza de detalhes, também aborreciam pela longa duração.

Phantom Pain é uma boa exceção. Com cenas mais enxutas, porem, significativamente mais curtas, o quinto game da franquia traz um enredo com vários pontos de acréscimo, que são apoiados, agora mais do que nunca, por uma jogabilidade que beira a perfeição.

Em Metal Gear V, o jogador controla Big Boss, um ex-agente secreto do governo norte-americano, que recebeu a missão de construir e administrar a sua própria base militar. Para desenvolver o recinto, o personagem precisa concluir contratos de clientes - missões secundárias - e resolver alguns problemas que surgem no decorrer da trama - as principais. Além da base militar, Afeganistão e Angola servem como cenário para as atividades de campo.

Konami/Divulgação


Jogabilidade
E por falar em campo, é aí que o game mostra todo seu brilhantismo e complexidade. O jogador tem centenas de opções para concluir missões e executar alvos. Durante o jogo, armas excêntricas (como uma pistola d’água e uma réplica inflável do Big Boss) e aparelhos de espionagem podem ser utilizados para derrotar soldados inimigos.

Há, ainda, a possibilidade de “converter” adversários para aliados e formar equipes diferentes dentro da sua base militar. Cada equipe tem suas próprias tarefas. O grupo de desenvolvimento, por exemplo, é responsável pela evolução dos equipamentos de Big Boss, permitindo ao jogador a possibilidades diferentes de execução.

Toda a navegação de atividades dentro do jogo acontece por um iDroid, uma espécie de menu, que lhe dá a liberdade de escolher missões, pedir apoio aéreo e reabastecer caixas de munição. Ao contrário de Metal Gear Solid 3: Snake Eater, onde as caixinhas de munição se localizam em locais específicos, em Phantom Pain, você pode escolher o local em que seu suprimento irá cair. Esta autonomia é um complemento importante a ser observado em um jogo de mundo aberto.



Como mencionado, as diferentes formas de execução chamam atenção. Durante o gameplay, a munição do jogador havia acabado e dois inimigos ainda estavam de pé. A indicação de onde os novos suprimentos deveriam chegar foi colocada no local exato onde o inimigo estava. Quando a munição caiu, a caixa nocauteou um dos guardas inimigos, enquanto Big Boss nocauteava o outro para prosseguir com a missão.

Esse tipo de situação faz parte da identidade única que o jogo conseguiu criar com o bom humor genial de Kojima, que pode ser encontrado tanto nas falas dos personagens e nas fitas encontradas pelo jogador, quanto no design do game. Outra exclusividade encontrada em Phantom Pain confirma a veia humorísitca do criador: em algumas situações, você pode mandar um cavalo defecar para distrair um inimigo.



Referências
Além de uma introdução única, com direito a explosões, tiroteios e gritos, uma fita cassete reproduzindo The man who sold the world, de David Bowie, anima os fãs da série. E não precisa ser um deles para compreender que esse tipo de referência em um videogame consegue criar uma identidade peculiar, misturando elementos que talvez fossem diferentes, se utilizados separadamente, e culminaram em um prólogo de classe para a história que vem em seguida.

Alguns easter-eggs - a maioria extremamente sem noção - também corroboram a já conhecida identidade dos jogos de Kojima. Uma destas menções pode ser vista durante visitas a base militar, onde o jogador pode ouvir seus subalternos conversando sobre como a Quiet - uma mulher com habilidades especiais -, “poderia ser um tipo de ‘mutante’” ou “o quão fofo é o D-dog”, o cachorro de Big Boss. Eventos de jogos passados, como a relação de Big Boss (Naked Snake) com The Boss, em Snake Eater, também não passam despercebidos.

Conclusão
Metal Gear V: Phantom Pain é uma celebração à altura da série. Independentemente de ser para os fãs ou não, e de fugir de alguns elementos consagrados da saga, como as cenas longas, o título é, antes de tudo, um jogo excelente. Mais que isso; é a demonstração de um Kojima mais maduro e generoso, que acredita e deposita as melhores decisões nas mãos dos jogadores.

Não seria injustiça dizer que este é o melhor jogo da série. Apesar do mundo aberto e da quantidade de missões secundárias, Phantom Pain é um jogo genial que marca por trazer ser uma despedida agridoce e elegante a uma das melhores franquias de videogame já criadas. É a despedida de um gênio à sua obra.

Avaliação:
- Jogabilidade: 2,5
- Entretenimento: 2,5
- Gráficos: 2,5
- Som: 2,5
- Nota final: 10

Informações técnicas:

- Publicação: Konami
- Desenvolvimento: Kojima Productions
- Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PC
- Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos
- Jogadores: 1
- Preço:
R$ 199
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