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Análise: Assassin's Creed Syndicate traz otimismo de volta à franquia

Mérito vem da melhoria na mecânica de navegação pelos cenários e ótima ambientação

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postado em 18/11/2015 12:54 / atualizado em 18/11/2015 12:54

Álvaro Tadeu , Especial para o Correio

Ubisoft/Divulgação

Depois do fracassado Unity, a Ubisoft criou para si mesma uma parede de concreto. Ela não foi cimentada apenas pela saturação da série Assassin's Creed, mas também pela desconfiança dos consumidores, já acometidos por outro desapontamento que foi Watch Dogs. O incumbido de carregar nos ombros a responsabilidade mínima de ao menos dar uma boa impressão ao fã da série, neste caso, foi Assassin's Creed: Syndicate. O lançamento mais recente da empresa francesa não chega a apagar o fiasco do ano passado, pois ainda mantém alguns dos erros, mas é um presságio otimista ao mostrar a disposição da Ubi em tentar corrigir os erros – mesmo que no seu próprio ritmo.

E por que não usar da técnica que transborda da companhia, a de criar um ambiente baseado em passagens históricas muito próximas ao impecável, para contribuir com a redenção da série? Aliás, por que não ir além e colocar o jogador no ápice da Revolução Industrial? Há de se destacar a escolha do contexto histórico em que se passa Syndicate. O próprio período em que o jogo se desenrola, que foi tão determinante para a modernidade, pode ser, inclusive, uma metáfora para a principal mecânica do game.

Aqui, Assassin's Creed tem um divisor de águas. Pelo menos na jogabilidade da navegação, o game introduz um gadget que muda toda a estrutura de exploração dos cenários. Em Unity, a Ubi mostrou esforço em facilitar a movimentação (elemento tão criticado nos jogos anteriores) para cima e para baixo. Antes, o jogador tinha de ser pragmático e analisar tijolo por tijolo para ver por onde tinha que escalar ao subir num edifício, por exemplo.

Logo ao início do jogo, você recebe um aparelho que lança cordas e, com apenas um botão, permite que seu personagem chegue ao topo de construções e edifícios muito mais rapidamente. No melhor estilo dos jogos da série Batman, a implementação tem apenas pontos positivos. A mudança melhora tanto a navegação quanto a própria furtividade em missões em que se fazem necessárias fugas rápidas ou mortes por cima. Além disso, torna-se ainda mais vertical e aproxima o jogador do principal motivo pelo qual Assassin's Creed ainda é interessante: a exploração de momentos e lugares históricos.

Mais feminino

Ubisoft/Divulgação

Outra demonstração de que a Ubisoft está atenta às críticas é a introdução de uma mulher como personagem pela primeira vez nos jogos considerados principais da franquia. Na Londres vitoriana que respira a fumaça das fábricas, você controla Jacob e Evie Frye, dois irmãos gêmeos que trazem a irmandade dos assassinos a Londres poe um simples motivo: “por que não?”. Novamente, a história é irrelevante e chama a atenção apenas por conter personagens históricos interessantes (como um Charles Darwin neurótico, um jovem e piadista Alexander Graham Bell, Charles Dickens, a Rainha Vitória, entre outros).

É possível mudar entre os gêmeos no menu de pausa, apesar de a diferença entre os dois ser mínima. As habilidades de Jacob focam mais em combate direto, enquanto as de Evie priorizam a furtividade; além disso, há diferença entre as armaduras equipáveis e missões distintas. Enquanto Jacob é responsável pela gangue Rooks, Evie tenta recuperar as peças do éden (ainda existe alguém que se importa com o que quer que seja isso?).

O combate em Syndicate está um pouco mais responsivo, e isso é aprimorado com as animações mais compreensíveis e realistas. Há como escolher entre três tipos de armas diferentes: facas kukris, bengalas e socos-ingleses. Apesar de ter a opção de matar inimigos com a bengala de Charles Dickens, vale a pena testar os outros tipos. A mudança entre eles está no dano, atordoamento e letalidade – sendo o último referente ao quão rápido é possível matar um inimigo.


Londres vitoriana

Quanto às missões, Assassin’s Creed Syndicate consegue melhorar o repertório. Ao invés de inúmeras missõezinhas de seguir inimigos (que ainda existem), agora há um cartel mais variado. Ao mesmo tempo que existem brigas de gangues e conquistas de território, o usuário pode desbloquear as áreas de Londres completando missões específicas, como torneios de luta, liberação de crianças em fábricas ou sequestros de inimigos templários. As próprias missões de Charles Dickens são interessantes e cheias de referências às suas obras. Ainda assim, a Ubisoft está presa na própria fórmula de fazer jogos em mundo aberto, mesmo existindo um apelo, ao menos nas horas iniciais de jogo – a excessão é a quantidade de atividades secundárias a se fazer, felizmente, um quarto menor que a de Unity.

O novo lançamento da Ubi também recupera uma mecânica antiga interessante: o gerenciamento de aliados (presente em Brotherhood). Aqui, porém, o player tem que administrar a melhoria da gangue e desbloquear arquétipos diferentes de aliados que podem ser recrutados ao redor da cidade, ambientada no cume da Revolução Industrial. Apoiada por gráficos excelentes e um conceito detalhista, a Ubisoft cria uma Londres vitoriana crível, com engrenagens à todo vapor.

Syndicate veio com um trabalho árduo de colocar a série Assassin's Creed de volta aos trilhos. Não faz isso perfeitamente porque ainda tropeça em erros sintomáticos de uma sequência longa e anual, que gera missões repetitivas e uma história desinteressante. Mas é, sem dúvidas, um suspiro de otimismo ao trazer uma implementação bem-vinda em sua jogabilidade, além de manter a fama e continuar sendo, no mínimo, uma excelente visita a um passado fictício.

Informações técnicas:
- Publicação: Ubisoft
- Desenvolvimento: Ubisoft
- Plataformas: PlayStation 4, Xbox One
- Classificação: Livre
- Jogadores: 1 (off-line)
- Preço: R$ 249

Nota: 8,5

 

Ubisoft/Divulgação
 

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