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Análise: Fallout 4 é mais do mesmo, e não há nada de errado com isso

Lançamento da Bethesda tem poucas novidades, mas autonomia do jogador, ótima jogabilidade e caráter humanista o elevam a um dos melhores do ano

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postado em 09/12/2015 10:00 / atualizado em 08/12/2015 19:09

Álvaro Tadeu , Especial para o Correio

Bethesda/Divulgação
 

A Bethesda sabe como fazer um bom jogo. Se você prestar atenção, nos últimos anos, a companhia desenvolveu e publicou Fallout 3, Fallout: New Vegas e The Elder Scrolls: Skyrim, títulos com um impacto que poucas empresas conquistam em toda a existência. Nesse contexto, a marca norte-americana sedimentou-se como inspiração de como fazer jogos divertidos, imersivos e bonitos; magnitude que se destaca ainda mais no momento atual, em que jogos são mais reconhecidos pelo que vendem e menos pelo conteúdo que oferecem. Se por um lado o lançamento de títulos excelentes é benéfico, a pressão em cima do próximo é crescente.

Fallout 4, como todos os outros jogos da franquia, se passa em uma distopia pós-apocaliptica. Agora, porém, há duas novidades. O primeiro ato do game se passa antes dos ataques nucleares que destruíram o solo norte-americano e, pela primeira vez na série, o seu personagem fala. Além disso, o jogador pode personalizar armas encontradas ao longo do jogo e montar os próprios abrigos - o que mais se assemelha a um The Sims distorpe e fica destoante.

O visual do jogo teve uma melhoria notável - ainda que fique atrás de outros títulos deste ano, como Witcher 3 - mas, como sempre, os gráficos ficaram em segundo plano. A mecânica de combate e progressão de personagem continua semelhante aos anteriores, com o mesmo sistema VATS (no qual você pode diminuir o tempo do combate para selecionar as partes do inimigo em que os golpes serão desferidos) e escolha de atributos específicos, dependendo do seu estilo de jogo. O destaque, como sempre, é esse tipo de divisão permitir ao player jogar com personagens diferentes. Você pode criar desde um mestre do discurso, que prefere combates corpo-a-corpo, até um atirador de elite furtivo que não erra uma tentativa.

Repetições

É justamente na continuidade que Fallout 4 se vê acomodado - o que não é ruim. Se o que você quer encontrar é novidade, aqui não achará muitas. O combate e a progressão de personagens são os mesmos, mas isso pode ser positivo, pois facilita a permanência do jogador em frente à TV. O mesmo acontece com os bugs (que não chegam a atrapalhar a experiência do jogador, mas ainda estão lá). Felizmente, o atrativo da série de maior renome na Bethesda nunca se vendeu exclusivamente pela jogabilidade e sim pela história.


Bethesda/Divulgação

Terra destruída, porém rica

O contraste entre a destruição total da Terra como conhecemos ante o humor ácido e sarcástico das terras ermas de Fallout é que fazem o jogador querer passar horas conhecendo suas histórias. Aqui, você pode entrar para um exército de pessoas que desbravam as locações de Boston, encenar as aventuras de um super-herói dos quadrinhos, visitar outros Vaults e descobrir mais sobre o universo do game ou apenas seguir a história principal, que por si só já é um bom atrativo. Dica: a história principal tem muito mais impacto se você faz um personagem mulher.

Não é só a narrativa que te deixa preso. A continuação da escolha de dar ao jogador possibilidades de diálogo dá uma sensação muito mais palpável que a dos jogos da Telltale, por exemplo. Você escolhe e aprende quem é aquele indivíduo, o que te faz repensar a próxima escolha de diálogo e, por conseguinte, te faz tomar a decisão X ou Y.

É por isso que Fallout é quase um estudo sobre o que seria o ser humano em situações pós-apocalípticas. O quarto jogo da série mostra com maturidade a influência que o planeta destruido pode ter sobre as pessoas, introduzindo novos arquétipos e cravando personalidades icônicas. Esse é o tipo de riqueza esperado em tantos jogos, mas poucos conseguem explorar o universo.

Só Fallout tem


Se o contraste mais visível é o da riqueza de personagens na destruição, há também um destaque nos detalhes que só Fallout tem. É mais do mesmo, e, justamente por isso, é bom. Por exemplo, ainda é muito raro se deparar com um diálogo mal-escrito e desinteressante. São todos coerentes, fazem sentido, e ainda criam uma cultura própria dentro do jogo (com marcas, ícones e mitos).

Dos detalhes mais interessantes, as miniaturas do famoso Pipboy, da Vaulttec, que lhe dão melhorias nas habilidades, ou as propagandas, banners e outdoors nas locações. Sem contar a trilha sonora instrumental, de uma melancolia e grandeza fenomenal, com a presença do piano, mas também as músicas pop, que denotam ainda mais o humor ácido da franquia. Atom Bomb Baby (Bomba Atômica, Baby); I Don’t Want to Set the World on Fire (Eu Não Quero Incendiar o Mundo); The End of the World (O Fim do Mundo); e Uranium Fever (Febre de Urânio) são algumas delas.

Antes de ser lançado, era normal pensar em como seria difícil Falout 4 superar os predecessores ou como a comparação seria inevitável depois do fenômeno de Skyrim. Com isso, o pensamento se encaminhava para um pessimismo quase patológico dos jogadores, principalmente os que se prendem às obras antigas. Mas ao finalizar Fallout 4, a conclusão óbvia a se tirar é a de que o jogo não é bom por querer superar seus antecessores, mas sim pelo que ele é. Isso descreve um jogo da Bethesda: Fallout 4 é Fallout. Um universo excelente, imersivo, com ótima jogabilidade, estética primorosa, e, acima de tudo, que parece estar sempre aberto para te receber novamente.

 

 

 

Nota: 9,5

Informações técnicas:

- Publicação: Bethesda Softworks
- Desenvolvimento: Bethesda Game Studios
- Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PC
- Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos
- Jogadores: 1 (off-line)
- Preços: R$ 199 (consoles) e R$ 229,90 (PC)

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