20 anos de adoração: Pokémon, franquia de jogos e TV, faz aniversário

Amada por fãs de várias gerações, a franquia Pokémon completa duas décadas no sábado. Para celebrar a data, a Nintendo planeja uma série de ações, como o relançamento de jogos clássicos e um novo título para ser baixado no smartphone

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postado em 22/02/2016 12:14 / atualizado em 22/02/2016 18:18


Nintendo/Divulgação


Quando criança, Satoshi Tajiri gostava de colecionar insetos. Já adulto, o desenvolvedor se lembrou do hobby de infância ao receber como missão criar um jogo para uma nova ferramenta da Nintendo, o cabo Game Link, que conectava um aparelho portátil do tipo Game Boy a outro. Tajiri imaginou uma aventura digital na qual os jogadores pudessem colecionar criaturas interessantes, assim como ele fazia quando era pequeno, mas com um diferencial: eles poderiam usar os monstros digitais para disputar batalhas com os amigos. Seis anos de trabalho mais tarde, a ideia chegou ao mercado, para imediatamente se tornar um fenômeno de vendas. Passadas mais duas décadas, Pokémon está consolidada como uma das franquias de maior sucesso de todos os tempos. Os monstros de bolso (o nome vem da abreviação da expressão em inglês Pocket Monsters) são hoje um dos gansos dos ovos de ouro da Nintendo, com lucos que ficam atrás apenas da série de jogos Mario. A marca bilionária vendeu mais de 260 milhões de jogos em todo o mundo, rendeu uma série animada que supera a marca de 800 episódios, virou parque temático e estampa uma infinidade de brinquedos e produtos com a imagem de Pikachu e companhia. Os mais recentes títulos de RPG da franquia, Pokémon X e Y, venderam mais de 14 milhões de unidades, mostrando que o interesse do público pelos monstrinhos não parece perto do fim.

A Nintendo planeja uma série de novidades para o aniversário da série. No próximo sábado, dia em que a marca completa duas décadas oficialmente, uma nova edição temática do Nintendo 3DS chega ao mercado com o relançamento dos dois títulos que deram fama mundial à aventura de RPG: Pokémon red e blue (veja quadro). Também retornam às lojas alguns dos bonecos da série amiibo — brinquedos colecionáveis que interagem com os jogos digitais —, assim como 12 dos filmes da série animada, que serão disponibilizados no iTunes, no Google Play e na Amazon.



Neste ano ainda, será lançado para o console Wii U um jogo que até então só estava disponível nos fliperamas japoneses. Pokkén Tournment foi produzido pelas mesmas pessoas por trás da produção de títulos de luta como Tekken e Soulcalibur e troca as batalhas em turnos, típicas dos games clássicos da série, por uma briga virtual ágil e cheia de efeitos visuais. Para o console 3DS, já foi lançado no Japão o jogo Great detective Pikachu: The birth of a new duo, aventura que pela primeira vez dá voz à mascote da marca. Um anúncio esperado é o jogo Pokémon Z, nome mais provável para o terceiro título que vai acompanhar a geração X e Y.

Outra notícia que acendeu a curiosidade de fãs de todo o mundo foi o anúncio de Pokémon go, uma aventura de realidade virtual que vai permitir aos usuários de um smartphone capturar monstros a partir do mundo real. “Os cenários em que as aventuras dos jogos se passam são muitas vezes inspirados por regiões da vida real como Hokaido, regiões do Japão ou até mesmo lugares como Paris e Nova York”, revelou em uma coletiva de imprensa Tsunekazu Ishihara, presidente da Pokémon Company. O game conta ainda com um acessório que se liga ao smartphone via Bluetooth e mantém o jogador sempre conectado. “Pokémon go plus usa LED e uma função de vibração para notificar o jogador de eventos que ocorrem no jogo, como o aparecimento de um Pikachu”, explicou Ishihara. A data de lançamento ainda não foi divulgada, mas o jogo está programado para chegar ao mercado também em 2016.

Todas as idades


Pokémon conta ainda com seis gerações de games tipo RPG, cada um deles lançado com duas versões “irmãs”, que depois recebem uma releitura com uma pequena modificação e que podem render, ainda, uma versão repaginada feita anos depois para um console portátil mais atual da Nintendo. A fórmula recebeu alguns ajustes ao longo dos anos, mas a história permanece basicamente a mesma: o jogador vive um treinador que roda o mundo para capturar monstros selvagens e desafiar rivais em batalhas.

“Um mistério para a indústria é como se mantém esse sucesso com a jogabilidade de RPG por turno, que quase nenhum jogo usa mais hoje em dia”, ressalta Felipe Vieira Dantas, professor do curso de jogos digitais do Centro Universitário Iesb. Para o especialista, o segredo da franquia está na comunicação dos jogos, que permitiam a interação de gamers muito antes da popularização de aventuras on-line. “A franquia toda é baseada nisso”, ressalta Dantas. O jogo, criado especialmente para dar uma utilidade para o cabo que conectava os consoles portáteis da Nintendo, hoje pode ser usado via wi-fi e tem uma comunidade virtual própria, a Pokémon Global Link.

O game se tornou um esporte para uma geração de fãs, que cresceram aprendendo a controlar cada uma das mais de 700 criaturas que já fazem parte do game. Por nostalgia ou por apego, esses jogadores aprenderam a desvendar as fórmulas matemáticas por trás das batalhas e se especializam nas novas mecânicas que a Nintendo adiciona a cada geração de jogo para criar estratégias de luta. A companhia japonesa de jogos segue essa fórmula para manter interessada uma faixa etária mais madura de fãs, com paixão antiga pela marca e dinheiro para comprar os novos títulos e consoles.

Mais de 15 anos depois de conhecer Pokémon pela primeira vez, Bruno Xavier, 26 anos, ainda guarda cada jogo e cada console dá série. Começou a participar de campeonatos ainda criança, conquistou espaço na elite nacional de gamers da série e hoje divide a profissão de advogado com as obrigações de ser líder de ginásio, pessoa responsável por receber desafios de outros jogadores em torneios. “A família até hoje não entende (a paixão por Pokémon), acha um pouco estranho. Existes pokémons mais descolados, mas o Pikachu estampado em todas as coisas passa a imagem de uma coisa mais infantil”, pondera Bruno.

Parte da magia de Pokémon está nessa característica rara entre os jogos eletrônicos: os títulos são atraentes para crianças e adultos. Enquanto os pequenos se divertem vivendo as aventuras virtuais e se distraindo com minigames, os mais velhos veem na coleção de monstros uma oportunidade para travar batalhas com adversários muito mais avançados do que os inimigos do game. “Hoje em dia, a mecânica está muito mais complexa. O pessoal estuda o jogo e treina nos simuladores on-line”, conta Mateus Nogueira, organizador da Liga Organizada Pokémon do Brasil. “Acho que, se a Nintendo continuar se renovando, tem boas chances de Pokémon continuar por mais 20 anos”, acredita.

Pokéfebre


Em duas décadas, o universo de Pokémon vendeu mais de 277 milhões de jogos e hipnotizou crianças e adultos de todo o mundo.


Hoje, a franquia gera mais de US$ 1,5 bilhão por ano e não dá sinais de que a mania dos monstrinhos de bolso vai passar tão cedo:

A Nintendo e Satoshi Tajiri criam a franquia originalmente batizada de Capsule monsters. Logo o game é rebatizado de Pocket monsters (monstros de bolso) e, depois, abreviado para Pokémon. O Japão é o primeiro

As versões internacionais de Pokémon red e blue são lançadas, estourando as vendas da franquia que já superavam 10 milhões de unidades

As versões internacionais de Pokémon red e blue são lançadas, estourando as vendas da franquia que já superavam 10 milhões de unidades

Chegam às lojas Pokémon diamond e pearl, os primeiros games com suporte para a Nintendo Wi-Fi Connection. A ferramenta possibilita que os jogadores conversassem, troquem monstros e batalhem com treinadores de todo o mundo. O jogo também permite que os pokémons treinados no Nintendo DS sejam transferidos para o Pokémon battle revolution, do console Nintendo Wii

A Nintendo realiza o primeiro lançamento global da franquia, e Pokémon X e Y chegam aos mercados para o console Nintendo 3DS. A aventura, que inclui a nova função de megaevolução e gráficos tridimensionais, vende quase 12 milhões de cópias em quatro meses

Pokémon completa 20 anos. A Nintendo comemora a data com o lançamento de versões dos games clássicos, além de jogos inéditos e um sistema de realidade aumentada

Estreia no Japão o desenho animado inspirado no jogo. A série, que só chegaria às televisões
norte-americanas no ano seguinte, está há 19 temporadas no ar e é exibida em mais de 70 países

Chega às lojas norte-americanas a versão yellow, aventura cujo destaque é o Pikachu. Desde então, o rato elétrico amarelo é a mascote da série

Nesse ano, é lançado o Pokémon trading card game (TCG). O jogo com 102 cartas com os personagens da franquia vende mais unidades do que Magic: The gathering, até então campeão na categoria. O jogo ainda é produzido e vendeu mais de 21 bilhões de cartas até hoje

No fim do ano, é lançado o primeiro filme Pokémon. O longa se torna o filme animado com maior bilheteria na data de estreia, faturando mais de US$ 10 milhões em apenas um dia de exibição

Chega às lojas norte-americanas a versão yellow, aventura cujo destaque é o Pikachu. Desde então, o rato elétrico amarelo é a mascote da série

Nesse ano, é lançado o Pokémon trading card game (TCG). O jogo com 102 cartas com os personagens da franquia vende mais unidades do que Magic: The gathering, até então campeão na categoria. O jogo ainda é produzido e vendeu mais de 21 bilhões de cartas até hoje

No fim do ano, é lançado o primeiro filme Pokémon. O longa se torna o filme animado com maior bilheteria na data de estreia, faturando mais de US$ 10 milhões em apenas um dia de exibição

São lançadas as gerações Pokémon black e white, feitas para o console de duas telas Nintendo DS. A versão animada dos games dá origem ao primeiro filme “duplo” da franquia: o 14º longa da série produzido em duas versões, cada uma estrelada pelo monstro lendário da sua respectiva aventura digital

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