Samsung suspende venda e troca de aparelhos Galaxy Note 7

Em um comunicado, o primeiro fabricante mundial de smartphones disse que tomou essa decisão para permitir uma investigação profunda desses incidentes

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postado em 11/10/2016 07:42 / atualizado em 11/10/2016 16:35

Jung Yeon-Je/AFP
Seul, Coreia do Sul - O grupo sul-coreano Samsung Electronics ordenou a seus sócios mundiais, nesta terça-feira (horário local), a suspensão da venda de seu smartphone Galaxy Note 7, assim como das trocas de aparelhos que já sofreram "recall", após os incidentes registrados por alguns desses modelos novos.

Em um comunicado, o primeiro fabricante mundial de smartphones disse que tomou essa decisão para permitir uma "investigação profunda" desses incidentes. A Samsung se viu obrigada a anunciar, em 2 de setembro passado, um "recall" de 2,5 milhões de unidades de seu Note 7, um "phablet", aparelho intermediário entre o celular e o tablet. Alguns equipamentos pegaram fogo por conta de baterias com defeito.

A operação de coleta seguia dentro do esperado, até a ocorrência de novos episódios na semana passada - aparentemente com aparelhos Galaxy Note 7 que haviam sido trocados. "A segurança dos consumidores é nossa prioridade. A Samsung pede a todos os operadores e varejistas que parem de vender e trocar o Galaxy Note 7, enquanto durar a investigação", orientou o grupo.

A Samsung disse que está ajustando os volumes de produção. Além disso, aconselha que todos os donos de um modelo original do Galaxy Note 7, ou de um aparelho já trocado, "desliguem e parem de usar" seu "phablet". O anúncio derrubou os papéis da Samsung na Bolsa de Seul, onde perdiam 4,82% no meio da manhã desta terça-feira.

As imagens de aparelhos carbonizados que inundaram as redes sociais nas últimas semanas têm sido uma humilhação para o grupo, que se vangloria de ser um campeão de inovação e qualidade. A gestão da crise pela Samsung foi desastrosa, já que os aparelhos distribuídos pelo grupo para substituir os Note 7 com defeito também apresentaram problemas. "Na primeira vez você pensa que houve um erro, mas quando a coisa se repete com o mesmo modelo, isto gera uma considerável perda de confiança entre os consumidores", observou Greg Roh, da HMC Investment Securities.

"A razão de os consumidores se inclinarem por Apple ou Samsung é a confiabilidade do produto. Nesta situação, o prejuízo em termos de imagem é inevitável e a Samsung terá muito trabalho para inverter esta tendência". A decisão foi saudada por Elliot Kaye, chefe da agência americana de segurança do consumidor (CPSC), que formulou uma severa advertência sobre os riscos do "phablet" da Samsung.

No domingo, o gigante americano de telecomunicações AT&T e seu concorrente alemão T-Mobile anunciaram que interrompiam as operações com os Galaxy Note 7 à espera de investigações adicionais. O AT&T é o terceiro maior cliente da Samsung, e o T-Mobile o quarto.

A crise ocorre num momento que não podia ser pior. Após os anos excepcionais de 2012-2013, a Samsung começou a sofrer com a concorrência da americana Apple e dos grupos chineses. E o grupo sul-coreano contava com este modelo para sustentar seu crescimento até o fim do ano, em um mercado cada vez mais competitivo. Os analistas consideram que o custo deste recall oscila entre 1 e 2 bilhões de dólares.
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