Resquícios de substância em celular podem traçar perfil de usuário

É o que mostra experimento norte-americano feito com 39 voluntários

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postado em 19/12/2016 06:00

Um celular pode dizer mais sobre o seu dono do que ele imagina. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), nos Estados Unidos, conseguiram esboçar o estilo de vida de voluntários — incluindo o estado de saúde, a dieta seguida, os produtos de higiene preferidos e até alguns locais visitados — a partir da análise química do aparelho por eles utilizados. Detalhes do experimento foram publicados no mês passado, na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), e a técnica utilizada, sugerem os autores, poderá ser aplicada em investigações forenses para complementar os métodos atualmente empregados, como a análise de DNA e das impressões digitais.

Segundo os investigadores, substâncias presentes em locais e objetos corriqueiros se aderem à pele e podem ser transferidas para artefatos pessoais. Algumas das moléculas observadas ficaram nos aparelhos por até quatro meses. “Nós escolhemos o celular porque é um objeto que as pessoas utilizam todos os dias, várias vezes”, disse Amina Bouslimani, pesquisadora da Escola de Farmácia e Ciências Farmacêuticas da UCSD e autora do artigo.

De fato, estudo publicado em outubro do ano passado pela Nottingham Trent University, no Reino Unido, afirma que um norte-americano confere seu celular 85 vezes ao dia. Os brasileiros não ficam atrás. Segundo estudo da associação de marketing móvel MMA, passam em média 3h14 por dia usando o aparelho. Bouslimani, porém, alerta que o tablet e outros dispositivo eletrônicos também são fontes de informação. “A técnica pode ser aplicada a quaisquer objetos pessoais, como chaves, computadores e cartões de crédito.”


Os pesquisadores coletaram amostras da palma da mão direita e da parte da frente e de trás dos celulares de 39 voluntários. O material foi analisado por uma técnica chamada cromatografia, que usa aparelhos de alta precisão capazes de detectar concentrações muito pequenas de substâncias. A equipe detectou o acúmulo das mesmas moléculas tanto no dono quanto no aparelho usado por ele, e concluiu que a combinação desses dados pode revelar informações importantes do estilo de vida de um indivíduo.

Cosméticos


Um dos autores do artigo, Peter Dorrestein participou de um estudo em 2015 no qual ele e colegas criaram modelos em 3D para ilustrar as moléculas e os micro-organismos encontrados em centenas de partes do corpo de dois voluntários adultos e saudáveis. Mesmo após três dias de suspensão do uso de produtos de higiene pessoal, a equipe se surpreendeu com o fato de as características moleculares mais encontradas na pele dos participantes virem justamente de cosméticos e produtos de beleza.

* Estagiário sob a supervisão de Carmen Souza

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