Pesquisadores desenvolvem tinta capaz de apagar impressão em 3D

A tinta é formada por um polímero com ligações químicas quebráveis, ou seja, cujos blocos fundamentais podem ser separados uns dos outros na presença de uma substância solvente

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 15/05/2017 10:53


KIT/Divulgação
Imagine passar horas imprimindo uma estrutura em 3D, gastar todo o material e, no fim, perceber que houve erro no processo. É preciso começar tudo de novo, e a tinta usada vai para o lixo. Segundo pesquisa do Instituto Karlsruhe de Tecnologia (KIT, pela sigla em alemão), na Alemanha, isso pode ficar no passado, pelo menos na escala nanométrica.


Os pesquisadores desenvolveram uma tinta que pode ser apagada completamente quando exposta a um solvente químico, para ser utilizada na técnica de impressão chamada de escrita direta a laser. Ela emprega um feixe de laser controlado por computador para criar uma estrutura minúscula em 3D, de até 100 nanômetros. Para comparação, a maioria dos vírus conhecidos possui entre 20 e 300 nanômetros.

A tinta é formada por um polímero com ligações químicas quebráveis, ou seja, cujos blocos fundamentais podem ser separados uns dos outros na presença de uma substância solvente. Depois de a estrutura impressa ser apagada por completo, o material pode ser reaproveitado na criação de uma nova.

Segundo os autores, a tecnologia poderá ser usada na criação de materiais para a biologia, como estruturas para orientar o crescimento das células ou para criar colônias de bactérias, por exemplo. O estudo foi publicado pela revista Angewandte Chemie.

Estruturas reversíveis

“Desenvolver uma tinta que pode ser apagada era um dos maiores desafios da escrita direta a laser”, afirmou, por meio de comunicado, Christopher Barner-Kowollik, um dos autores da pesquisa. Segundo os cientistas, apesar de existirem diversos formatos possíveis para estruturas impressas em 3D, os blocos fundamentais são sempre linhas finas, camadas ou pilhas do material.

Para testar o polímero, os cientistas criaram estruturas semelhantes a ringues de boxe, com quatro pilares unidos por quatro barras. Os pilares e duas barras foram construídos com um material comum, incapaz de ser apagado, enquanto as barras restantes foram impressas usando a nova tecnologia. Ao ser lavada com o solvente, apenas as estruturas impressas com a tinta apagável se dissolveram.

Isso é especialmente útil para pesquisas na área da biologia. O próprio KIT desenvolveu estruturas nanométricas para o crescimento de células em 3D, que poderão ser impressas com a nova tecnologia. “Durante o crescimento das células, partes da estrutura 3D poderiam ser removidas para se estudar como as células reagiriam ao novo ambiente”, disse Martin Weneger, que também participou do estudo.Outra possibilidade é misturar a tinta removível com tinta comum, de forma a alterar as propriedades da estrutura e torná-la mais ou menos porosa.

“O principal ponto da pesquisa é a criação de um tipo de polímero que pode ser apagado e reescrito”, disse João Paulo Sinnecker, do Laboratório de Nanociência e Nanotecnologia, o Labnano, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. “Se tiver algum erro, você pode apagar e refazer a estrutura.”

Segundo João Paulo, novas tecnologias que trabalhem com a escana nanométrica são sempre atraentes. “Processos na escala nano, menor que a célula, do tamanho de processos químicos e físicos, abrem margem para dispositivos com funções que não eram possíveis antes.”

“O conceito é bem incomum. A impressão 3D, normalmente, é um processo único, o material é moldado com temperatura ou raios UV e, quando sólido, fica no mesmo estado”, disse Ricardo Rabelo, coordenador do laboratório iMobilis, da Universidade Federal de Ouro Preto. “O melhor exemplo de reações químicas é fritar um ovo, não tem volta. Para mim, é como se tivessem ‘desfritado’ um ovo.” (VC)
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.