O lado tech da força, os 40 anos da saga Star Wars

O universo criado por George Lucas segue trilhando um roteiro que revolucionou a forma de fazer cinema

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postado em 29/05/2017 06:01

Reprodução

Há 40 anos, o primeiro Star Wars era lançado. Levaram alguns anos para que os filmes se transformassem em episódios, para que os primeiros se tornassem os últimos e para que a saga se expandisse para livros, quadrinhos e séries animadas. George Lucas, obcecado pelo novo, criou longas que sempre estiveram à frente do cinema. Desde a primeira câmera controlada por computador até o uso em massa da computação gráfica e da filmagem digital, os filmes da saga mudaram diversas vezes a forma de fazer a sétima arte.


O primeiro filme — o título original era Star Wars, depois virou Uma Nova Esperança  — liderou as bilheterias de 1977 até 1982 e é marcado por improvisos. A ideia de George Lucas era extremamente ambiciosa para a época, e sua equipe teve que inventar técnicas para torná-la realidade. Um grande exemplo é a Dykstraflex, cuja criação foi encabeçada por John Dykstra (Leia Três perguntas para).  O supervisor de efeitos especiais usou câmeras VistaVision de segunda mão, relativamente baratas à época, mas com boa resolução, e computadores customizados para controlar o movimento da câmera.

"Eles criaram um frankenstein de várias câmeras disponíveis no mercado e ligaram em um computador", diz André Gordirro, escritor, tradutor e especialista em Star Wars. A primeira câmera controlada por computador foi usada para filmar as complexas cenas do filme, como o movimento das naves no espaço e a batalha na superfície da Estrela da Morte. "Os cenários eram montados com peças de ferragem. As miniaturas das naves foram feitas canibalizando vários kits de montagem de modelos de aviões", complementa Gordirro. O próprio sabre de luz surgiu de uma peça retirada do flash das câmeras.

Para o segundo filme da saga, O Império Contra-Ataca, Phil Tippett e uma equipe de animadores da Industrial Light & Magic — empresa de efeitos especiais criada por George Lucas — criaram uma evolução do stop motion, método de animação muito utilizado à época. "No stop motion, a munheca do animador é que dava movimento ao boneco. O go motion substitui isso por um esqueleto robótico", diferencia Gordirro.  No momento de cada fotografia, um computador move levemente a miniatura, borrando a foto e criando uma sensação mais natural de movimento na animação. O efeito foi utilizado para animar os AT-ATS, veículos imperiais usados para atacar os rebeldes no planeta gelado de Hote, e os simpáticos Taunenses.

Computação gráfica
Mais de duas décadas após a estreia do primeiro filme, A Ameaça Fantasma chegou aos cinemas com o uso em larga escala da animação computadorizada, tendência que foi seguida na trilogia. Grande parte das cenas, inclusive as de ação, foi gravada contra uma tela verde, e o cenário, inserido na pós-produção. O aliem Jar Jar Links, por exemplo, foi o primeiro personagem interativo feito totalmente em computador, dialogando com os atores e aparecendo em boa parte da narrativa.

Apesar da inovação, há críticas. "Eles usaram muita computação gráfica (CG), quando a técnica não era muito avançada", avalia Raul Sales, coordenador acadêmico da escola de efeitos visuais AXIS. "Uma cena polêmica é a luta do Yoda, que teve uma CG muito forçada. As pessoas estavam acostumadas com o boneco usado nos outros filmes, parado. De repente, há todo aquele movimento, a aparência emborrachada. Isso abalou muita gente", ilustra.

A segunda trilogia também esteve à frente de outra inovação que marcaria a história do cinema: lançado em maio de 2002, Ataque dos Clones foi o primeiro blockbuster a ser filmado em formato completamente digital, que se tornou o padrão na última década pela praticidade e o custo reduzido.

Volta às origens
As técnicas antigas, porém, têm voltado  às telonas. O Despertar da Força, mais recente longa da saga, foi gravado completamente em filme, de 35mm, e no formato 65mm IMAX, de melhor qualidade, para algumas sequências. E não foi apenas na filmagem que a produção do longa voltou às raízes da trilogia original. O diretor do filme, J.J. Abrams, fez questão de usar os efeitos práticos anteriores. BB-8, o droide que ocupou o lugar de R2-D2 como mascote, foi criado como um boneco em tamanho real, controlado manualmente por um animador, que teve a presença no filme, como as pegadas deixadas na areia, apagadas na pós-produção.

Mas, em produções tão grandes, não poderiam faltar elementos de ponta, como o retorno às telas do ator Peter Cushing, morto em 1994, em Rogue One, lançado em dezembro passado. Peter interpretou o personagem Tarkin no primeiro filme da saga e foi recriado por meio de técnicas de captura de movimento e modelagem digital. "Uma das coisas mais difíceis é representar em 3D o movimento humano", diz Sales. "Na captura de movimento, você pega um ator, demarca ele e modela o personagem em 3D. Você tem essa sobreposição." O ator Guy Henry fez a performance física e vocal do personagem, com uma voz muito parecida com a de Peter, e um modelo em 3D do falecido ator foi adicionado à atuação. "O que você tem é uma performance assustadoramente crível", avalia Gordirro.

Em etapas
Trata-se de uma técnica muito utilizada no cinema para animar objetos reais. Um modelo, geralmente feito de massinha ou madeira, é fotografado centenas de vezes, com diferenças muito pequenas na sua posição entre as fotos. Quando montadas em sequência, as fotos criam a ilusão de movimento. Alguns filmes foram feitos completamente dessa forma, como A Fuga das Galinhas, em 2000.

 

* Estagiário sob a supervisão de Carmen Souza

 

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