Jornal Correio Braziliense

Internet das coisas está cada vez mais próxima de virar realidade com 5G

Especialista prevê que essa transmissão em alta velocidade estará disponível nos EUA e no Canadá dentro de cinco anos

Roberto Fonseca

- Foto: Minervino Junior/CB/D.A Press


Miami (EUA) — Imagine a cena: o motorista chega à garagem e dá a partida na ignição. Conectado à internet banda larga, o próprio veículo recebe e transmite informações sobre o tráfego e a condição do asfalto e do tempo. Não é só. Uma outra central é alimentada em tempo real com dados sobre a situação do carro. Analisa o nível do óleo, o funcionamento do motor, o gasto dos freios e a forma de condução. Tudo à distância, sem precisar parar no posto de gasolina ou na oficina mecânica mais próxima. E o próprio computador dá o veredito sobre quando precisará ser feita a próxima revisão.

 

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A situação acima é ainda meio futurística e mescla situações que existem no nosso dia a dia, como os aplicativos, tipo o Waze, que dão informações sobre o tráfego e buracos na pista, com a automação à distância. “Não se enganem: esse será o futuro. Com as redes 5G de transmissão de dados, a sociedade viverá uma nova transformação. Quase tudo poderá ser feito de forma remota, sem a presença humana no local”, afirma o vice-presidente de serviços digitais da Ericsson no Canadá, Antonio Vanni. A empresa tem realizado testes em 5G e, segundo o executivo, em menos de cinco anos a nova rede de transmissão de dados em alta velocidade estará disponível nos EUA e no Canadá, por exemplo. “Hoje, estamos na estrada para o 5G. A meta é chegar na experiência total em 5G até o fim da década”, completa Vanni.

Diante dessa nova tecnologia que promete revolucionar as relações econômicas e de trabalho, executivos de empresas de telefonia do Brasil e das Américas Latina e do Norte se reuniram há duas semanas, em Miami, nos Estados Unidos, para discutir e apresentar problemas e soluções enfrentadas. O encontro WUG Americas 2017, organizado pela WeDo Technologies, multinacional presente em 10 países, debateu ainda técnicas para barrar a ação criminosa de hackers em um mercado em constante transformação. “Toda vez que detectamos uma fraude, o primeiro passar é tentar eliminá-la. E é normal que essa gente toda (os hackers) ao ser descoberta tente migrar para uma nova forma de golpe”, diz Rui Paiva, CEO da WeDo Technologies. “E o 5G está no nosso radar porque novos desafios estarão presentes à nossa frente para impedir fraudes virtuais”, emenda Paiva.

Com velocidades até 100 vezes mais rápidas do que o atual 4G (disponível em 3 mil das 5.570 cidades brasileiras), o 5G é considerado um passo fundamental para aprimorar a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), um mundo em que tudo — não apenas celulares, tablets e computadores — estará conectado (veja infografia com alguns exemplos de utilização da tecnologia). A lista inclui carros, eletrodomésticos e aparelhos médicos, por exemplo. Dessa forma, um profissional de saúde poderá monitorar à distância, em tempo real, a situação clínica de pacientes internados em hospitais e em casas de idosos, por exemplo. A previsão do mercado é de que 100 bilhões de aparelhos estarão conectados em todo o mundo até 2025.

No Brasil

No começo de outubro, em São Paulo, durante o Futurecom, o mais importante evento de Tecnologia da Informação e Comunicação da América Latina, o governo federal apresentou o Plano Nacional de Internet das Coisas. O documento prevê a aplicação de políticas públicas em quatro áreas entre 2018 e 2022: cidades inteligentes, saúde, agronegócio e indústria. Com a internet das coisas, o governo espera um crescimento de R$ 132 bilhões nos próximo quinquênio.

* O repórter viajou a convite da WeDo Technologies